Por Marcelo Mendez
Novembro de 1971, há exatos 39 anos. O que aconteceu exatamente nesse mês que poderia valer a crônica, aqui no Pastilhas Coloridas? Bem...Foi no começo do ano, que Cassius Marcelus Clay, recupera a sua licença no boxe e com isso ganha o direito de voltar a lutar para reconquistar o título mundial dos pesos pesados no Boxe. O titulo era dele mas foi caçado em 1968 quando o nosso errante lutador se recusou a servir o exercito americano na guerra do Vietnã. Na sua volta, a novidade era o seu novo nome. Convertido ao islamismo, Clay agora era MUHAMMAD ALI e o boxe uns depois jamais seria o mesmo.
No mundo, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ganha força e preocupa o mundão capitalista. No nosso Brasil, a ditadura vem com toda a força da tirania de Médici, o pau come feio nos porões assassinos do Regime Militar, a repressão esmaga os grupos armados e em outubro, bem... Em outubro de 1971, nasce esse cronista que vos escreve agora, hehehe... Danado, eu! Mas o mais relevante aconteceria no rio de janeiro e reuniria um musico em fase de transição e uma rapa de bambas tudo na disposição de criar algo novo.
Então numa tarde do Leme, Jorge Ben encontra-se com um jovem estudante de arquitetura que se revelava ótimo compositor para as conversas daquele que seria o seu nono disco. Tratava-se de Paulinho Tapajós. Este por sua vez, trouxe seu parceirão Arthur Verocai e dai começa a magia. Na época, Jorge, que já flertava com uma linha mais light do movimento negro, decide por um disco temático e assim, no titulo escracha sua convicção; O “Black is Beautiful” gringo, se torna NEGRO É LINDO no Brasil e nascia esse discaaaaçooo!!!!
"Negro é Lindo" é um marco por uma série de motivos. Começa por marcar a adesão de Jorge ao Samba-Soul e Samba-Funk, e passa por uma riqueza de temas abordados, até então inéditos na obra do nosso fera.
Disco começa com"Rita Jeep" uma cutucadinha que narra o affair de Jorge bem com Rita Lee, que prezava há época por caronas oferecidas em seu Jeep e bem... Arnaldão que inventou de sair de moto pelo mundo, ao que tudo indica na canção, tomou uma bela de uma bola nas costas. Bem...
"Porque é Proibido Pisar Na Grama" é uma das musicas mais lindas que já ouvi na vida! Fala de todas as agruras da existência nossa e tem um arranjo de cordas de se ouvir de joelhos! "Cassius Marcelo Clay" homenageia o boxer Muhammad Ali, dando inicio a suinguera arregaçante do lado b da bolacha.
Munido do TRIO MOCOTÓ, Jorge segue a sessão rítmica da parada com as sacolejantes "Cigana", "Zula" e "Comanche" (apelido carinhoso de João Parahiba do Trio Mocotó) Fecha Maravilhosamente com a faixa título “Negro é lindo” e a linda "Que Maravilha", gravada um ano antes por Toquinho,
Não precisa acender a vela pra cantar parabéns mas a bolacha vale a audição!
Jorge Ben - Porque é Proibido Pisar Na Grama