Por Marcelo Mendez
Tem dias que o ideal é simplificar as coisas para evitar ter problemas maiores. Vejam...
Tem dias que o ideal é simplificar as coisas para evitar ter problemas maiores. Vejam... Era um dia em que eu tomei tanta, mas tanta... Tanta da cachaça, que eu já tava vendo em minha frente o satanás de baby doll dançando a macarena com a estatua do João Ramalho no Saramandaia em Santo André... Aí, bebum num vale nada, em busca de “outros sons”, baixei um CD do Venom e cheguei a conclusão de que a caminho dos 40 anos, o limite de minha radicalidade é a minha gastrite. Ardeu o estomago, to fora!
Desliguei a coisa e fui para a sessão fuça-vinil em casa.
E no meio das coisas do meu pai, o saudoso seu Mauro, descobri um pedrada de nome STONE SOUL, coloquei para ouvir e decidi que naquele dia não inventaria mais nada. Ouvi umas 4.896.878.996 vezes o vinil e agora venho para contar do autor da bolacha...
Então, senhoras e senhores, ateus e templários, moças sérias ou de comportamento duvidoso, comedores de picanha ou admiradores dos brócolis. Nobres palmeirenses, ou quaisquer um que não sejam de nossa fina dinastia Palestrina...
Com vocês MONGO SANTAMARIA.
E vamos ao dia 07 de Abril de 1922 em Havana, Cuba para começar a nossa história. Mongo Santamaría nasce numa família de congueiros e desde cedo começa mostrar sua disposição para o mundo do sacolejar das ancas na Festiva cuba do começo do século XX. Ainda garoto, aos 15 anos tem contato com a obra de um dos pilares da musica Cubana, FELIX CHAPUTITO e começa a se definir musicalmente. Era uma época em que ainda dava pra ouvir jazz na ilha e os discos de Dizzy Gillespie com Chano Ponzo na percussão começam a dar o seguimento na cabeça do garoto.
Para ajudar nisso, o Amigo Tito Puente descola um trampo para Mongo na maior orquestra de musica cubana, com o lendário PEREZ PRADO. Lá, ele toma contato com a composição e os arranjos do maestro do mambo, toma coragem e em 1950 o cabra cai fora para Nova York. Aí começa a onda...
Chegando na Big Apple, nosso mancebo descola trampos com caras como John Coltrane, Art Tatun, Charlie Haden e começa a fazer história por lá. Rapidinho chama atenção da Columbia que o chama para gravar seu primeiro disco, à frente de sua orquestra. Era o lendário MAMBOMONGO de 1958. A partir de então, deixa de ser um musico acompanhante e passa liderar uma banda das mais sacolejantes no Copacabana Club em noites alucinantes. Gravava uma bolacha melhor que a outra até que em 1968 veio a melhor chapação...
Nordon Ghest era o maluco por trás das jam’s mais improváveis do mundo! Chegou a juntar Ornette Coleman com Marti Ballin e o resultado final foi a criação do Jefferson Airplane! Mas a ideia até que não era das mais estapafúrdias. Chamou Mongo para gravar um disco de standar’s da Soul Music e de imediato mongo refugou. Detestava a ideia de gravar “covers”. Aí, mediante a uma grana sem vergonha, Mongo aceitou gravar alguns sons clássicos com mais outros dele próprio mantendo a mesma levada soul. O resultado final foi um disco pra lá de grudento de bão... Daqueles que você não sossega se não ouvi-lo pelo menos umas 27 vezes...
STONE SOUL lançado em 1969 conta com musicas como SEE SAW, SON OF A PREACHERMAN, HITCHCOCK RAILWAY entre outros e, é o que há de melhor no gênero, “sacolejar-das-ancas-lindas...”
Nada tenho contra o Venom mas convido aos senhores para essa trip munido de congas, rum, tequilas e afins. A outra fica por conta e juízo de vocês mesmos...
Ouçam ae!
Mongo Santamaria - Hitchcock railway