Por Marcelo Mendez
Uma vez eu escrevi um ensaio sobre cinema e me lembro que comecei contando meu dia de Ronaldo Boscoli...
Após um quebra pau homérico com a minha namorada de então, ela me pôs pra fora da casa dela e ao arremessar minhas coisas pela janela, jogou dois discos: BERLIN e METAL MACHINE. Da rua, gritei, JOGA O TRANSFORMER TAMBÉM... Ela não jogou e naquela noite eu acabei em casa, bêbado, com uma garrafa de uísque vagabundo assistindo um filme do Robert Rossen. Contei isso essa semana pra amiga Ana Cravo, cantora das boa, da ótima banda Preachers e ela me disse... “Porra... Tomara que ninguém precise passar por esse charivari pra ouvir Lou Reed, né?!” Pensei a respeito.
Então, para que ninguém tenha que passar pelo mesmo martírio, o BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES traz hoje o dono dessas bolachas. Senhoras e senhores, bêbados e caretas, virgens e mundanas, de boa índole ou corintianos mesmo... Com vocês, LOU REED.
Uma vez eu escrevi um ensaio sobre cinema e me lembro que comecei contando meu dia de Ronaldo Boscoli...
Após um quebra pau homérico com a minha namorada de então, ela me pôs pra fora da casa dela e ao arremessar minhas coisas pela janela, jogou dois discos: BERLIN e METAL MACHINE. Da rua, gritei, JOGA O TRANSFORMER TAMBÉM... Ela não jogou e naquela noite eu acabei em casa, bêbado, com uma garrafa de uísque vagabundo assistindo um filme do Robert Rossen. Contei isso essa semana pra amiga Ana Cravo, cantora das boa, da ótima banda Preachers e ela me disse... “Porra... Tomara que ninguém precise passar por esse charivari pra ouvir Lou Reed, né?!” Pensei a respeito.
Então, para que ninguém tenha que passar pelo mesmo martírio, o BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES traz hoje o dono dessas bolachas. Senhoras e senhores, bêbados e caretas, virgens e mundanas, de boa índole ou corintianos mesmo... Com vocês, LOU REED.
Embalagens vazias de Lucky Strike, t-shirt, saltos, batons, heroína, máscaras, chicletes... Tudo forma o conceito desse disco. O ano é 1972 e o disco é o segundo da carreira solo de Lou Reed. Definitivamente ele enterra o seminal Velvet Underground dele. A partir desse disco, a temática é outra. Tal qual Baudelaire, que há uns séculos atrás chamou todo mundo para “encontrar encantos nas repugnâncias, Lou Reed, agora convoca o mainstream pra conhecer o lado selvagem da coisa. Traz o Rock para o submundo nova-iorquino; Putas, trafícas fudidos, ladrões, poetas, produtores, empresários pérfidos... tudo entra para o contexto...
Lou Reed seguia firme e convicto de que precisava de um mega sucesso comercial. Chama para a produção, David Bowie e o guitarrista do Mott The Hopple, Mickey Ronson e a premissa ele já deu de testa a Ronson; “Seguinte. Quero tudo em no máximo três acordes. Qualquer coisa a mais que isso parecerá música clássica...” Seguindo as ordens, Ronson descola uma série de riffs secos para hinos do rock and roll como VICIOUS e HANGIN ROUND. Segue a catarse em PERFECT DAY, que nada mais é que uma puta de uma bad trip pra lá de satânica onde o elemento bebe o sangue da mulher amada pra completar a trepada dionisíaca. Para essas chabinhagens claro... Tinha lá o Bowie. E este talvez seja o principal responsável pela criação do mito Lou Reed. Foi ele que encheu os picuá do cara pra que WALK IN THE WILD SIDE entrasse na bolacha e tenho certeza, que arrependido o cara não ficou...
Não há como falar do Lou Reed sem falar dessa viagem em que ele convida todo mundo pra fazer pela nova Iorque que não está nos guias de turismo. Por onde Lou Reed passou nessa musica, nem os talibãs chegaram pra tentar entrar numas com nada! Ali, onde foi inspirada a canção, filho chora, a mãe não vê e se ver provavelmente dirá, “Te vira que não mandei tu vadiar aí...” Mas que graça tem, eu falar da música aqui? Seguinte, taí o linkão pra vocês baixarem essa parada fina. Aproveitem, curtam e não esperem o disco ser arremessado de uma janela. Vão por mim...
Lou Reed - Vicius
Mercelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
