Por Marcelo Mendez
Aqui estou eu pra proteger dos perigos da noite e do dia, sou fera sou fogo sou água sou gente... eu também sou filho de Santa Maria...
E eis que chego aqui cantarolando o Itamar Assunção no Pastilhas Coloridas, para mais uma coluna Canela De Ferro. Aliás eu sempre tive vontade de começar um texto cantando essa.
Enfim...
Enfim...
Protegido portanto por Santa Maria, eu, que tal qual o Nego Dito, também sou filho dela, começo aqui a falar do nosso esporte maior.
A rodada foi boa no Paulistão. Começa no sábado com o estranho time do Palmeiras vencendo o Bragantino no Canindé por 3x0. Um placar clássico, que via de regra denota um futebol bonito sobre outro inoperante mas com o meu Palmeiras, tudo é deveras enganoso. O time sofre, apanha, briga e tudo é uma batalha para meu Palmeiras, já em Barueri, numa pelada jogada a 200 por hora o São Paulo bateu o Corinthians por 2x1 e Rogério Ceni fez história:
A rodada foi boa no Paulistão. Começa no sábado com o estranho time do Palmeiras vencendo o Bragantino no Canindé por 3x0. Um placar clássico, que via de regra denota um futebol bonito sobre outro inoperante mas com o meu Palmeiras, tudo é deveras enganoso. O time sofre, apanha, briga e tudo é uma batalha para meu Palmeiras, já em Barueri, numa pelada jogada a 200 por hora o São Paulo bateu o Corinthians por 2x1 e Rogério Ceni fez história:
Marcou o centésimo gol de sua brilhante carreira e a Fifa que se lasque! Dois gols a mais, dois a menos... A magia já esta feita e Ceni é o primeiro goleiro da história do futebol a chegar a tal marca. Parabéns ao goleiro do Morumbi mas hoje, tal qual o amigo cantou, nossa coluna “Vai cantar para os miseráveis... Aos que vagam pelo mundo derrotados...” Falarei do nosso futebol local e o clássico do Grande ABCD entre Santo André x São Caetano e a coisa começa assim...
Em um sábado muito bonito, sol forte e imponente no Grande ABCD, me enchi de um sentimento aprazível e decidi assistir um jogo de futebol no Estadio. Então pensei em um outro que sempre esteve muito presente em minha vida:
Charles Baudelaire, francês e meu poeta predileto, bêbado de paixão por sua Jeanne, uma negona mais feia que briga em velório, justificou a sua entorpecida paixão dizendo o seguinte em mais grande poema dele:
“Encontrei encantos no que a vida apresenta como sendo mais repugnante...”
Munido desse poema tomando a frase de Baudelaire como conceito, em 1972 Lou Reed gravou a clássica Walk In The Wild Side convidando todo mundo para conhecer as belezas do “lado selvagem da coisa”. E eu, cronista ludopédico, nem um pouco genial como ambos, pensei nisso tudo para me encorajar a assistir o dérbi entre Santo André x São Caetano, que seria jogado em Santo André no Estadio Bruno José Daniel. E não se trata de mau humor, má vontade ou ranhetice.
Amigo Leitor que me entenda; Eu sou uma espécie de mendigo do futebol. Um pobre apaixonado que passa de caneca na mão pelos campos de futebol, clamando, implorando por uma caneta, por um chapéu, um passe de três dedos, um lançamento e 40 metros, um toque de calcanhar, um gol lindo, que não seja óbvio ou burocrático. Eu sou um menino apaixonado por bola de capotão em busca de um pouco de encanto em 90 minutos de futebol. Não é pedir muito.
Entendo que mesmo em meio a pindaíba que vivem os clubes do interior do estado de são paulo, em 90 minutos da perfeitamente para os técnicos previsíveis aboletarem seus times de volantes, alas, líberos e tudo que for possível para evitar que tenhamos um jogo bonito e, pelo menos por uns 10 minutinhos, deixar o bom garoto brincar de bola como se deve. Depois de uma batalha hercúlia em busca de um guichê com ingressos a venda, era isso que eu esperava ver no Bruno Daniel, sábado.
Até começou bem.
O São Caetano percebendo o desespero do rival de corda no pescoço, foi para o ataque e concluiu umas jogadas ofensivas. Com velocidade dos atacantes Eduardo e Antônio Flávio, o azulão vencia facinho as tais duas linhas de quatro que o técnico Sandro Gaúcho propunha ao Santo André. O Ramalhão morrendo de medo do rebaixamento, passou então a apertar a marcação de meio campo, abrindo mão do ataque e ai aconteceu o de sempre; Richely, bom atacante passa a jogar recuado e o ferrolho se perpetua no meio campo. Deveriam proibir que essa área fosse habitada por mais de 4 jogadores... Sendo assim o desfecho só poderia se dar da forma que aconteceu:
Em um chute mais torto que as notas tocadas pelo saxofone de plastico de Ornette Coleman, Aloísio teve seu chute desviado no zagueirão Artur e derrubando o ótimo goleiro Luiz; Era o gol purificador do Santo André. 1X0 no placar as 30 do segundo tempo. Daí para frente, para se ter uma ideia da qualidade do jogo, passei o tempo falando sobre receitas de Tabule com a amiga simpaticíssima, Dona Domitila que disse que trouxe o netinho para ver o jogo por ser pertinho da casa dela. Aliás mediante ao péssimo futebol apresentado, em meio a tanta pobreza ludopédica dos times de minha região o único pensamento que me acomete aqui, são os ensinamentos de Dona Domitila:
De fato, manjericão fica muito bom no Tabule...
