
Por Marcelo Mendez
Ontem rolou Faster Pussycat no Cinemé. Se você não foi, além da pipoca e do quentão, perdeu um filmaço...
Ontem rolou Faster Pussycat no Cinemé. Se você não foi, além da pipoca e do quentão, perdeu um filmaço...
Os motivos pelos quais eu amo o cinema de Russ Meyer poderiam render uma tese de mestrado. Um ensaio no minimo. Mas como o tempo de você caro leitor, conhecer o trabalho desse que é um dos maiores nomes do cinema independente ameticano e mundial, urge, vamos então aos fatos mais pungentes para sua conversão ao underground da sétima arte....
No ano da graça e da putaria de 1952, Russ Meyer, então fotógrafo, conhece Hugh Heffner e ambos vão encarar a empreitada de tocar uma revista “masculina” a PLAYBOY. Durante 11 anos, Meyer conciliou seu trabalho como fotógrafo na revista e suas experiencias com cinema, sua outra grande paixão. Foi Hefner que abriu os olhos deele para o que o acontecia na América do pós guerra:
“Vivíamos em uma sociedade extremamente castradora, conservadora, reprimida, cheia de tabus, e a repressão sexual em cima daquela geração do pós-guerra era forte. Isso causou uma onda enorme de club's privé, filmes em super 8 pornôs e dentro da “familia americana” de classe média, imperava a depravação. O mérito de Meyer, foi escancarar isso nas telas de cinema, mostrando ao povo americano toda a sua hipocrisia, através de uma tara sua; Seios grandes e fartos...” - Disse Hugh Hefner em uma entrevista para a New Yorker em 1983. Nessa época, Russ Meyer já era tão rico quanto o dono da revista...
Russ Meyer é o maior símbolo de independencia (Mas de verdade eu to falando. Não é independecia de boteco, de vela acesa esperando a Lei Rouanet, não...) liberdade, ousadia e criatividade da história do cinema e não há exagero nisso. Foi diretor, ator, roteirista, cinegrafista, editor, montador, produtor, faxineiro, cozinheiro e puto de todos os seus filmes. Tornou-se dono absoluto dos direitos autorais e comerciais de 58 deles. Distribuia de sua própria casa em Venice Beach na Califónia, para o mundo todo através de Fedex, pacote, via avião, cegonha, urubu e a porra que fosse. Morreu em 2004, TRILIONÁÁÁÁÁÁRIOOOOOOO e seu legado segue firme na sua lendária Vixens Productions (www.russmeyer.com) E não poderia ser melhor a escolha do Cinemé aqui de nosso Pastilhas Coloridas para homenagear o mestre.
FASTER PUSSYCAT é o seu filme lendário, classico de 1965 que o levou para as grandes salas de cinema, para os grandes circulos de discussão do entendimento de se fazer cinema, que o aproximou da vanguarda cinematografica mundial da época e foi o filme que serviu como referência FUNDAMENTAL de montagem, edição e técnicas de filmagens e enquadramentos para nomes como MARTIN SCORCESE, FRANCIS FORD COPPOLA, CLAUDE CHABROL, ANDRIEV TARKOWISK, JIM JARSMURSCH, DAVID LINCH e RAINER WERNER FASSBINDER. Todos estes, alunos seus na UCLA, faculdade fudidísima de cinema na California dos anos 60. Todas as técnicas que se ve hoje em cinema, pelo menos as mais ousadas, são influenciadas por Meyer. Mike Figgs o citou na larga em seu ótimo TIME CODE (2004). Robert Alltman (Vejam bem os nomes citados ae; Num é “Daniel Filho, não... ROBERT ALLTMAN!!!) Declarou em entrevistas o uso dos cortes aprendidos com Meyer nos anos 70, para o seu seminal SHORT CURTS (1993). Ta...
Vai ter nêgo que lendo isso aqui dirá: “Ah então se ele fosse brasileiro certamente o que veríamos seria um mega desfile de bundas, das grandes e empinadas desfilando na praia.” - Também. Mas isso, quem fez foi John Stagliano, o Buttman, é outro causo, para outra hora.
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.