Álbuns Clássicos - BLUE VALENTINE (Tom Waits)

Por Marcelo Mendez

Um dia tomei um porre com o Ruy...

Ruy Ferreira. Ruy é pensador dos bons, filósofo dos copos sujos e da vida mundana, gente boa pra danar, encontrei com Ruy sábado e falei com ele a respeito do fato. E como o amigo tava com a cara cheia de cana, falou-me com propriedade; “Se é pra falar de musica de bebum, porque não fala de Tom Waits, porra?!?” 

Bom... Sendo assim, senhoras e senhores, moças sérias e mundanas, carolas e loucos, pessoas de boa índole ou corintianos mesmo... Com vocês, TOM WAITS no ÁLBUNS CLÁSSICOS de hoje...

E Ruy tem razão! Nem Immanuel Kant com seus “Fundamentos" Para Uma Metafísica de Costumes”, manja mais do tipo de metafísica aqui, em questão. E cá pra nós, já que falaremos de uns porres vamos logo mudar esse tal de metafísica para BOTECOLOGIA que é a ciência de boteco a qual o nosso convidado de hoje é honoris causa... Pois bem:

Em 1973, os EUA estavam à procura de um novo Bob Dylan, já que o original estava cada vez mais louco da cachola e fazia quase tudo, menos musica. E americano sabe como é; Tem que arrumar um Batman, um Superman, um Homem Aranha, uma Madona, um Dylan... Mas o tal do THOMAS ALAN WAITS não quis entrar nessa roubada e aí, surgiu um lance totalmente novo naquela primeira metade de década. Oras...

Tom Waits não tem absolutamente nenhum virtuosismo. Com sua voz rasgada, instrumentação desafinada e letras sem nenhum cabimento... Porque diabos, gostamos disso?? Aí que ta... Esse é seu maior mérito e talvez sua única ou principal virtude;

Com toda essa “limitação” musical, Tom Waits leva todo mundo a refletir sobre que raios, fazemos aqui, neste mundo repleto de imbecilidades e desgraça, pergunta pertinente a qualquer metafísica que se preze. Pois, se para um Aristóteles todo homem busca conhecimento e, para Santo Tomás, todo homem deve unir a razão e a fé, para Tom Waits, todo homem fica feliz com um copo de uísque vagabundo mais uma puta veia de cabelos mal pintados de loiro, mesmo. Pronto. Era o Nirvana!

Para falar, portanto desse universo de beleza particular, escolhi um disco de 1978, dessa fase de Botecologia de Tom Waits. BLUE VALENTINE é uma espécie de mini-ópera dos solitários, dos bêbados e das putas. Conta com a canção título, aonde o caboclo chega ao cu da solidão, mandando um cartão pra si mesmo no dia dos namorados. Esse não é um disco para ser glamourizado por meninos bem criados, com gaitas fodonas pagas pelos pais. Nem para bêbados chatos e pentelhos, quiçá culturetes de fim de semana. É para todo mundo que estiver afim do exercício de transcender o que a musica oferece. Ouve aí...

Tom Waits - Blue Valantine


Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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