Por Carolina Vitorino e Priscila Tâmara |
De tempos em tempos surgem ou reaparecem algumas peças que causam certo impacto, no sentido de que viram uma febre e você passa a encontrar a cada esquina. E de repente... Elas dão uma bela sumida do pedaço. Foi esse o caso dos lenços palestinos que esquentaram o pescoço de muita gente no inverno passado e hoje ainda encontramos nas ruas em menor proporção.
Algumas peças descendem de outras culturas e quando incorporados à nossa perdem o seu significado como símbolo, e nem sempre as pessoas que as usam tem sequer curiosidade de conhecer a sua história. A partir daí elas assumem um papel somente estético, onde as cores, as texturas e estampas é que tem importância.
Os lenços Palestinos e Árabes são um bom exemplo disso. Originalmente, eram usados como forma de proteção contra poeira e sol pelos beduínos, povo nômade dos desertos do Oriente Médio e Norte da África. Mais tarde, como peça de identificação de grupos políticos da Palestina.
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| Lenço e a bandeira Palestina invertida |
Já na forma como o lenço é colocado no pescoço sugere a semelhança com a bandeira palestina invertida.
As cores dos lenços também possuem um significado. O Preto-e-branco era usado por simpatizantes do Fatah, de Yasser Arafat, como símbolo do nacionalismo palestino.
As cores dos lenços também possuem um significado. O Preto-e-branco era usado por simpatizantes do Fatah, de Yasser Arafat, como símbolo do nacionalismo palestino.
Vermelho e branco são as cores do movimento comunista, membros da OLP - Organization for the Palestinian Freedom (Organização pela Libertação Palestina), portanto mais popular e ligado aos trabalhadores.
Verde é o símbolo de militantes do Hamas, partido político de guerrilha que luta contra Israel e para a formação de estado da Palestina.
Na Europa o lenço é usado como acessório desde 2001, enquanto que nos E.U.A. seu uso chegou a ser proibido, e após discussões liberado. Nas passarelas, foi apresentado pela primeira vez na coleção outono/inverno 2007-2008 pela grife Balenciaga e no Brasil por Alexandre Herchcovitch, curiosamente um judeu.
O símbolo político que virou item de consumo fashion ganhou releituras interessantes, desde as cores até novos formatos e texturas. Numa releitura, podemos enxergá-lo aqui, não podemos?
É bem interessante perceber como a moda busca nas ruas, nos movimentos culturais e sociais a sua inspiração e depois isso tudo retorna às ruas de outra maneira, com uma estética e um conceito totalmente diferente. Com a massificação do produto se perde o conceito inicial proposto por uma cultura, com um conteúdo emblemático e forte, mas em contraponto podemos pensar o seguinte: porque não dar uma nova história a esse produto que possui raízes tão emblemáticas?
Novas cores podem então surgir e novos desenhos se farão.
Carolina Vitorino cursou Produção de Vestuário e atualmente se aprofunda em Modelagem. Priscila Tâmara estuda e trabalha com Modelagem Geométrica e cursou Merchandising p/ Varejo de Moda.




