De olho na moda - A verdadeira origem do seu xadrez

Por Carolina Vitorino e Priscila Tâmara | 

Quem aí não tem ou nunca teve uma peça xadrez que atire o primeiro botão!

Vimos que com o tempo o xadrez tornou-se cada vez mais aceitável. Ele sempre aparece em várias estações do ano sem tempo determinado e em estilos diferentes. Pois é, esse xadrez tem nome e um contexto histórico interessante.

A origem do xadrez nos remete ao "tartan", que significava originalmente: “tecido de lã leve", normalmente quadriculado, com padrões de linhas diferentes e cores levemente distintas, usado há 50 anos a.C., segundo pesquisas arqueológicas. Dessa época foram encontradas algumas padronagens que eram compostas por tecidos cruzados em forma de losângulo, pigmentados em base vegetal e sua coloração era feita com pigmentos naturais, através de frutas.

Pied-de-poule
A partir daí, o xadrez sofreu várias modificações e deu origem a vários tipos de padronagens. Talvez o mais simbólico deles, pelo valor histórico seja o tartan, porque tornou-se símbolo de identificação dos clãs escoceses no século XVIII. Em aproximadamente 1703, os clãs passaram a utilizar as estampas para se distinguirem entre si com diferentes cores e tamanhos. Diziam até que quanto maior o quadrado do xadrez, mais poder o homem tinha.

Foi Coco Chanel introduziu o xadrez nas roupas femininas. Por volta de 1916, ela apresentou o tecido xadrez em peças como saias, blusas, calças e casacos para mulheres, popularizando a padronagem Pied-de-poule (que leva esse nome por lembrar um pé de galinha).


Brigitte Bardot e Jacques Charrier
Outra padronagem muito utilizada do xadrez é o vichy, bicolor e muito utilizado em camisas e toalhas de mesa, em preto e branco. O vichy é originário da França e tornou-se muito popular no século XIX, mas ficou realmente famoso por ser usado pela atriz Brigitte Bardot no vestido usado em seu segundo casamento, feito pelo estilista Jacques Esterel, em 1959.

Nos anos 70, o xadrez foi usado junto a rebites e couro pelos punks na Inglaterra com intenção de chamar a atenção, ironizar e romper com os ícones culturais, exigindo mudanças sociais e comportamentais. Já nos anos 80 o tartan inspirou vários estilistas, entre eles Vivienne Westwood.

O xadrez já foi eternizado. Pode-se até fazer uma leitura suburbana na maneira como ele é colocado numa produção, mas não dá pra falar que hoje seja símbolo de algum movimento, em tempo de movimentos não tão fervescentes como há algumas décadas. Porque você o vê em camisas, bolsas, sapatos, acessórios, vestidos, e o tecido vai conversar com o padrão estético a que você se propuser.

Não dá pra falar que os punks, os grunges, os mauricinhos, as donas de casa, ou seja lá quem você queira rotular, se apropriaram do xadrez. Simplesmente porque essa padronagem, atualmente, está presente em tudo, indiferente de movimentos pró ou contra qualquer coisa.

O xadrez é ele, com personalidade própria, simples e  popular.

Carolina Vitorino cursou Produção de Vestuário e atualmente se aprofunda em Modelagem. Priscila Tâmara estuda e trabalha com Modelagem Geométrica e cursou Merchandising p/ Varejo de Moda.
Share: