ÁLBUNS CLÁSSICOS - BR3 (Tony Tornado)

Por Marcelo Mendez

E hoje vamo contar o causo de um sujeito que chegou com tudo na cena musical brasileira mas, de um jeito totalmene sui generis.

Então senhores leitores com vocês hoje em ÁLBUNS CLÁSSICOS, temos a honra de trazer TONY TORNADO e seu seminal disco de 1971 o famosão TONY TORNADO BR 3. Pois é.... o Senhor Antonio Viana Gomes é paulista do Mirante do Paranapanema, nascido a 26 de Maio de 1930, e tudo pra ele desde cedinho foi muito complicado. Aos 11 anos de idade, cansado de não fazer nada no longinquo interior paulista dos anos 40, decide juntar a malinha, a escova de dentes, cai pra estrada a pedir carona e parte para a então Capital Federal, Rio de Janeiro.

Por lá, começa a se virar do jeito que dá. Primeiro vendendo amendoim na Central do Brasil, depois como engraxate e quando a boca apertava, fazia os dois de uma vez... Vai se mantendo de bico em bico, comendo uma marmita aqui e ali, até completar 18 anos e se alistar para depois servir como Paraquedista, indo parar na batalha pelo Canal de Suez no Egito em 1957. Na volta, cansado de tanto pular aqui e acolá, decide então comprar uns discos de soul, se mete em um concurso  no programa de Jair Taumaturgo na TV Excelsior, e descola la o nome de “Tony Checker”, imitando Little Richard.

Clica na capa e pega o presente...
Ganha seus primeiros trocados e descobre que a vida pode até ser "mai facinha" se levasse essa coisa de musica a sério. Então conheçe a rapaziada do Movimento Negro, no Rio em 1967 e se manda para os EUA, dai pra frente tudo muda na vida de Tony.

Por lá ele toma uma cana em Nova Yorque, volta deportado mas com uma consciencia totalmente diferente, influenciado pelos movimentos sociais vivenciados por lá, alucinado por James Brown, adotando em suas apresentações um estilo completamente explosivo de cantar e dançar. Ganha o apelido de “Tornado”, o adota e passa a fazer história.

Em 1970 chama o Trio Esperança e interpreta com eles o soulzão lendário, BR 3, no Festival Internacional da Canção, sai deste, vencedor, aclamado pelo público e crítica. Pronto, era só entrar em estudio e gravar. E Tony faz isso, muito bem...

Em março de 1971, auxilidado pela rapaziada da Banda Black Rio, mais musicos fodas de bons como Hyldon e Jamil Jones, Tony grava o seu álbum de estreia em 1971. Vem recheado de clássicos, como "Juizo Final", "Breve Loteria", outros blues ferrados como Uma Vida e o fino do soul com a classicona "BR 3", mais outros petardos do naipe de "O Jornaleiro" e "O Reporter Informou".

O Disco de Tony de 1971 marca um estilo todo nosso aqui dos trópicos de flertar com a Soul Music americana dos anos 70. Vem tudo misturado com samba, soul, xote, baião... Um suingue completamente novo para a música negona mundial da época, com um contexto abordado nas letras, que buscavam tecer uma crônica das coisas que rolavam para o povão negro daqueles tempos, uma coisa jamais feita até então e que claro.. Rendeu la seus problemas para Tony...

No auge do AI 5, nas botas de aço do Regime Militar, ditadura ferrada mesmo, Tony vai preso após dançar fazendo uma menção aos Panteras Negras, com punho cerrado e tudo! Vai para o Dops e ae vira Brasil né??

O Caboclo la, pede para Tony cantar BR 3 e Juizo Final. Mediante a apresentação, o cana chora copiosamente solta Tony e bom...

Abaixo tem um desses petardos ai pra ver se emociona os senhores também. O resto já sabem, mete o clique na capa e bora ser feliz!!

Tony Tornado - Juízo Final


Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor  e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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