Por Marcelo Mendez
E eis que estamos de volta!
E eis que estamos de volta!
Depois da farra do peru, das rabanadas, da Sidra Cereser, do pernil
assado e da sopa de lentilhas, a coluna Álbuns Clássicos volta a dar o
ar de sua graça em 2012. E para reaquecer os tubos, vamos trazer aqui
o causo de um cara fundamental para nosso aprazível Grande ABC e uma
baita cantora, que ficou conhecida por essas terras, por um outro
viés.
| É só clicar na imagem, como sempre. |
Eu sempre tive la os dois pés no soul, funk e adjacentes. Mas em 1997
eu dei uma daquelas radicalizadas que de tempos em tempos cismamos de
encarnar. Naquele ano, não ouvi nada que não fosse dos anos 60 e 70,
nem nada que não fosse da Stax, Rhino, Blue Note e Motown. No meio
daquelas buscas, o cara fundamental que vos falo, que veio a meu
auxilio, é o meu amigo Tonho da Banca Rebel Music. Se eu tivesse que
agradecê-lo o tanto que ele me ajudou em minha formação
musical, escrevendo textos, eu teria 10 volumes de Ulisses!
Foi ele, numa época em que não tinha internet, download, mp3,
rapidshare, megaupload, que me ajudou a garimpar pérolas, la
na gringa chamadas de “Rare Funk B-Sides”. O lado “C” da black music
dos anos 60 e 70. Numa dessas, ele me falou de uma moça, cuja musica
“Mr.Big Stuff” acabara de ser sampleada pelo Thaide em seu mega hit
“Senhor Tempo Bom”.
“Descolei o CD aqui Marcelo. Quer dar uma ouvida?”
E assim conheci Jean Knight, a nossa cumadre aqui da vez...
Jean, começa sua vida de maneira dura, ralando mesmo. Cantava de terça
a sábado no Boteco de seu primo, na sua cidade, em Jacksonville. Por
lá, chamou a atenção de um punhado de gente, entre os quais, o mestre
Jackie Wilson, de quem a moça grava seu debut com “Stop Doggin
Around”. Com isso descola seu primeiro contrato para a gravação de 4
singles, que insistem em não decolar. Isso deixa a moça de saco cheio
e no final dos anos 60, quando Jean já fazia la uns bicos como
garçonete na cantina da Faculdade Loyola em Nova Orleans, o compositor
Ralph Willians, hitmacker favorito de Barry White, aparece por lá pra
tomar um café...
Ele propõe uma sessão de gravação onde algumas musicas seriam
preparadas para Jean. “Do Me”, “Carry On”, “Helping Man” e mais “Mr.
Big Stuff” ficam prontas e começam a rolar pelas rádios locais. Em
duas semanas a musica “Mr. Big Stuff” chega ao topo da parada
Billboard de R&B. Com isso, a Stax a contrata, e em 1971 sai o discão
da vez.
Com uma voz poderosa, afinadíssima, tecnicamente cheia de recursos,
mais o timão de músicos da Stax (Donald “Duck” Dunn, Steve Crooper a
rapaziada da Menphis Horns nos metais”. O disco sai em 1971 e
arrebenta nas vendas. Chega ao topo da parada geral da Billboard e
permanece por 12 semanas. Jean vence o Grammy daquele ano e cai na
estrada para centenas e centenas de shows ao longo de 5 anos
frenéticos. Depois ela se enche.
Cansada do mundinho da musica, retira-se e passa a dar aulas de canto
na sua amada Jacksonville, mantendo la uma vida pacata, só de boa.
Fica assim até o ano da graça de 2007, quando é tirada do seu sossego
para aceitar a indicação para o Hall da Fama do Soul, ao lado de
lendas como Betty Wright, Aretha Franklin, Donna Summer, Gloria
Gaynor. Em seguida, a canção “Do Me” entra na trilha sonora do filme
Superbad. Depois Jolls Stone insistiu por 4 meses para Jean aceitar
participar de um especial de TV na Inglaterra e nossa cantora volta a
ativa. Não muito também...
Ela faz cerca de 8, 10 shows no maximo por ano. Mas uma boa chance de
conhecer a moça é aqui, coma faixa que deixaremos aí embaixo no player
e a velha surpresa na capa do disco.
Da o play e saculeja ae!!!
Jean Knight - Mr. Big Stuff
Jean Knight - Do Me
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.