Álbuns Clássicos - ARTHUR VEROCAI 1972

Por Marcelo Mendez

É só clicar e pegar
Em 1997 eu namorava uma moça de Perdizes...

A mulher gostava la de bons discos, do fino da Blue Note, tinha la de Donald Byrd, a Tina Brooks, De Sony Stitt a John Patton, coisa joia mesmo. Dado momento da relação nossa, muito por conta das minhas cagadas de macho-latino-burro, a melhor coisa da relação passou a ser minhas tardes sozinhos no apartamento com esses discos.

Tarde daquelas, julho pesado, baita frio em Sampa. Eu tava la fuçando as bolachas e achei um que eu só tinha ouvido falar muito;

“Arthur Verocai”

Em uma conversa com o amigo Tonho, o mago da banca Rebel Music cá de Santo André, ele tinha me falado da série de dificuldades que o Arthur sofrera após o lançamento dessa bolacha em 1972 e uma coisa que carrego comigo, que aprendi com minha experiência é que, é na adversidade plena que nascem os grandes clássicos. Tanto no cinema, quanto na literatura e hoje, causo que nos apetece, a Musica. Então vamos contar aqui o causo do disco do Verocai pra geral saber...

Por isso, senhouras e senhoures, todos vocês, apreciadores da picanha gordurosa, plena e santa ou, admiradores da Acelga como eu, todo mundo na geral... Com vocês ARTHUR VEROCAI e seu discaço de 1972 aqui, em Álbuns Clássicos...

Verocai é um cara fino.

Multi instrumentista, compositor e regente... Formou-se como erudito no violão com mestres do naipe de Léo Soares e Darci Villaverde, ralou em harmonia com a mestra Nair Barbosa da Silva, caiu no mundo com Roberto Menescal para entender as preciosidades do violão popular e Vilma Graça para sacar de piano e noções complementares de música. Chegou num naipe top.

Em 1966, já estreia arrebentando como compositor em um disco clássico da musica brasileira que logo mais estará aqui... ESTAMOS AÍ de Leny Andrade com sua musica “Olhando o Mar”. A partir de então passa a ser um requisitado arranjador e produtor de grandes gravadoras, trabalhando com Grandões aí como Tom Jobim, Jorge bem, Simonal entre outros tantos. Ou seja, tava tudo muito bem em sua vida até que o amigo resolveu lançar um disco no ano da graça de 1972...

A ideia era lançar um álbum, influenciado pelo funk, soul e o tropicalismo que era a moda da vez pelo Brasil e experimentar de tudo! Em se tratando e musica tudo seria permitido! Resultado:

Um desastre!

O disco não foi bem recebido por ninguém, Verocai foi taxado de louco, a coisa caiu rapidamente no esquecimento e a decepção de Verocai foi tão grande, que chegou ao ponto de ele proibir por anos, seu próprio filho de ouvir a bolacha. Puto da vida, decidiu trocar a carreira de arranjador pela de publicitário que afinal dava mais grana. Até que em 2008 o disco é relançado em cd pela Urbiquity Records e a geral passa a fazer justiça com o discão.

Uma preciosidade de trabalho com faixas lindas como “Pelas Sombras” que a gente vai colocar aqui no player pros senhores ouvirem e bem... A surpresa ta nas capas.

Daqui pra frente, tasca o player ae embaixo, boa viagem e perigas ver...

Artur Verocai - Pelas Sombras


Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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