![]() |
| Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes |
Por Marcelo Mendez
Em um tempo distante, quando tudo de mais fudido aconteceu em minha vida, ali pelos anos 90 o meu amigo Adauto Galdino e sua esposa a Kula, me descolaram um trampo para ganhar uns trocos. Na verdade o bom da coisa seria morar com eles num tal Parque Andreense, dentro do clube de campo la da Mercedes, de frente com a represa um lugar paradisíaco onde ambos eram caseiros. Até ali tava beleza. Ma o trampo era um inferno!
Repositor de Mercadorias do mercado do Seu Pato. Um cearense tacanho, mai bruto que madeira de cerca, sem nenhuma delicadeza que me ofereceu um trampo de 12 horas por dia num ritmo insólito e alucinante. A melhor coisa do trampo foi ter conhecido uma menininha que trampava la de caixa, loirinha, baixinha, rostinho de Helen Hunt e carinha de filha única; Ivi era o nome.
Ali, conversa vai, conversa vem, pacote sai, pacote entra, um dia aproveitamos nossa hora de almoço para dar umas bandas pelo tal parque andreense. Ela me levou na casa dela, falamos de uns livros, de umas coisas que gostávamos e então ela colocou um disco...
Paisagem da Janela foi a musica... Daquela tarde de maio em diante essa musica passou a ter uma conotação totalmente diferente em minha vida. O disco que ela faz parte deixou de ser apenas uma peça musical para ganhar o status de Obra de Arte e hoje, Álbuns Clássicos vem pra contar um tanto da história dessa Obra.
Senhouras e Senhouuuures com vocês CLUBE DA ESQUINA com Lo Borges e Milton Nascimento, de 1972...
O que mais me cativa em CLUBE DA ESQUINA é o fato de ser este um disco que nasce principalmente da amizade dos seus autores e de toda uma galera que surge em minas nos anos 70 pra mudar a cara e o eixo da musica brasileira. No ano da graça de 1966 Milton Nascimento chega em Belo Horizonte chegando da cidade de Três Pontas, onde tocava na banda W's Boys com o amigo Wagner Tiso, para estudar, trampar e batalhar alguma coisa na capital.
De cara conhece os irmãos Borges; Marilton, Marcio e Lo e com Marilton monta um grupo de samba para tocar na noite, o Evolussamba. Por lá Milton começa a aparecer bem e se destaca nacionalmente após ter uma musica sua “Canção Do Sal” defendida por Elis Regina no Festival Da Musica Popular Brasileira de 1967. Com isso, grava um conceituado primeiro disco de 1968 e nele junta uma rapaziada... Flavio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes, o letrista sensacional Fernado Brandt e a coisa começa a tomar forma...
Milton e Lo não se desgrudam, passam a testar formas, canções, arranjos, composições e no começo de 1972, já com 12 musicas prontinhas, entram em estúdio para começar a gravar as paradas todas. Recebem de Brandt mais 8 canções, das quais algumas ficam guardadas para o Clube da Esquina 2, e então a coisa toda fica pronta. O nome da bolacha é dado por Marcio Borges após ouvir repetidamente de sua mãe a resposta de por onde andavam seu mano e Milton:
“Estão la na esquina filho, tomando cachacinha, cantando e tocando violão...”
Era então o Clube da Esquina nascendo.
E QUE DISCO, CAROS AMIGOS!!
Uma mistura mirabolante de sons jamais vista antes em terras nossas aqui, uma mistura de jazz, Beatles, folclore, psicodelismo e uma verdadeira aula do uso de violões e arranjos de cordas em geral. Dono de musicas ANTOLÓGICAS como Paisagem na Janela, Trem Azul, Cais, Nuvem Cigana, Cravo e Canela... É difícil demais escolher uma musica desse disco, escolher duas musicas, escolher 10 musicas! O disco todo é sensacional!
Aqui a gente vai deixar no player e pra vocês conferirem o TREM AZUL, mas já avisando que tem que ouvir mais! Esse disco é sensacional, o link ta ai nas capas para os senhores baixarem e não pode deixar de fazer isso!
Por hora, tasca o play aí e sejam felizes no role de Trem mineiro. Eita trem bão da porra, sô!!
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.



