Álbuns Clássicos - BATALHÕES DE ESTRANHOS (Camisa de Vênus/1984)

Por Marcelo Mendez

E de novo a Coluna Álbuns Clássicos vem pra contar uma daquelas histórias, aquelas que embora deixem claro a dureza da época, são boas lembranças do coração...

O ano era 1985 e Santo André era um feudo! Se hoje, vez por outra a gente esbraveja por aqui, rogando todas las pragas pra dizer que “Essa cidade é uma província”, no ano da graça de 1985, o Parque Novo Oratório era praticamente paleolítico!

Poucas eram as opções. Dois anos antes, eu havia conhecido o Jean em 1983, jogando bola no campo do Ouro Verde nas Casas Populares. Em 1984 o cabeludão grego abre a Metal Records, loja seminal para quem queria ouvir Rock And Roll por essas terras. Ali a gente se virava do jeito que podia. Junto disso, meu primo Zé Carlos me mandava uns discos da Europa, de onde ele havia ido morar em 1982 e era o que dava. O resto era desertão. Informações rolavam via revistas, boca-a-boca, rádio e mais alguns rolês.

Num desses o Eliseu que deu a nota:

“Mano vi ontem no som pop uma banda de rock baiana, cara!”

Duvidamos:

“Ah vá... Que banda? Luiz Caldas Blues??!?!”

“To falando rapá, banda foda! Chama Camisa de Venus...”

“Porra Liseu... Isso num é nome daquela parada la de encapar o pau??”

“Caralho... Vamo fazer o seguinte; Vamo dar um pulo la no Jean, se tiver o bolachão a gente pede pra ele rolar e você vê o que acha...”

E como eu não tinha mais porra nenhuma pra fazer....

“Beleza, vamo”

Quando o Jean colocou o disco, posso dizer que custou apenas chegar até um som em que o cara dizia que “Não haveria mais festas, nem Carnaval... Que achava que havia sido enganado” pra eu pirar naquilo tudo. E agora, 25 anos depois aqui to eu pra contar pra vocês o causo desse disco, e daquela banda...

Senhouras e senhoures com vocês, BATALHÕES DE ESTRANHOS de 1984, da banda Camisa De Venus.

Não poderia ser mais inusitado...

Criada em Salvador no ano da graça de 1980, contando com Karl Franz Hummel, Gustavao Mullen, Robério Santana, Aldo Machado e o lendário vocalista Marcelo Nova, o Camisa de Venus quebra o cabaço por la em 1982 numa biboca da cidade baixa, ao lado dos puteiro de pescadores de lá. O resultado disso foi o material para seu primeiro compacto de 1982, o biscoitinho vinha com as musicas “Meu Primo Zé” de um lado e do outro, “Controle Total”. Chamaram atenção e descolam um contrato com a Som Livre que lança o seu primeiro disco de 1983, mesmo ano que os cabra vem pra São Paulo.

Por aqui, começam as idas até Rádios FM, TV”s, programas de auditório e os caralhos. Pipocam os shows e o Camisa começa a ficar bastante conhecido e no meio de uma estrutura marcada por bandas de rock do Rio De Janeiro e pelo Rock Paulista, os Baianos metem um ponto de interrogação na cara da caretagem. Tudo parecia ir bem até o dia em que chamaram os caras para mudarem o nome da banda...

Disse o diretor da Som Livre:

“Não pega bem esse nome... Porque não mudam?”

No que Marcelo Nova responde:

“Vou mudar... Agora vamo chamar “Banda Capa De Pica!!”

E depois da treta são expulsos da som livre. Perambulam por ae até que em 1985 a RGE os chama, os contrata e vem o discaço de hoje.

BATALHÕES DE ESTRANHOS é a maturidade do Camisa.

Já abre o disco com o super mega-hit Eu não matei Joanna d'Arc, musica de extrema sacada bem humorada pra falar da moçoila das cruzadas no rock. Com ela o Camisa passa a fazer parte do dia a dia da rapaziada
mais antenada da época, todo mundo cantava essa musica. Com o hit o ótimo disco foi impulsionado.

CASAS MODERNAS, BATALHÕES DE ESTRANHOS a apocalíptica HOJE, a sacada NOITE E DIA junto com a ótima regravação de GOTHAM CITY de Jards Macalé, botam essa bolacha como um dos mais importantes registros da história de nosso rock Brazuca. Depois dele o camisa ainda gravou altas pedradas como os discos CORRENDO RISCO e DUPLO SENTIDO. Mai hoje
oceis vão ficar aqui memo...

Vai nas capas a preza da baixação e no player o mega clássico HOJE. Ae já sabem:

Tasca o player e perigas ver...



Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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