
Apesar de ser um grande perna de pau, uma das coisas que eu mais fiz na minha infância foi jogar bola. Era começo dos anos 80 e o leque de opções na hora da diversão era vasto, brincadeiras de rua como : esconde-esconde, pega-pega, fubeca, futebol, essas coisas de muleques, porque videogame e outras brincadeiras mais “sofisticadas” foram aparecer, pelo menos no meu bairro, por volta de 1985-1986.
Enquanto algumas brincadeiras tinham época, o futebol era a diversão que atravessava fronteiras e permeava os 365 dias no ano. Todo santo dia rolava uma pelada, ou era “timinho” ou era gol de classe, gol a gol, golzinho, enfim futebol de tudo que é jeito.
Todo mundo sabe que para jogar futebol o primeiro passo, e o mais importante, é arrumar uma bola, certo? Naquela época as opções não eram das mais diversas, não existiam artigos importados (made in china) a disposição, grandes lojas de esporte, essas coisas, a coqueluche eram as famosas bolas “dente de leite”, que eram vendidas nos mercadinhos de bairro, vez em nunca aparecia uma bola de capotão ou de futebol de salão, e era sempre aí que a brincadeira perdia a graça. Essas bolas eram mais caras, e geralmente eram presentes em datas especiais como natal, dia das crianças, aniversário, etc.
O cuidado com a dita era um show à parte, tinha nêgo que reclamava até de um chute com mais força, mas o que deixava mesmo a rapaziada espumando de raiva era quando o “dono” da bola tinha que sair do jogo e levava a bola junto. A desculpa era sempre que o pai ou a mãe do boca-aberta que não permitia que a bola ficasse sem a presença do “dono”.
Bom, se o futebol é uma brincadeira coletiva, portanto a bola também é um brinquedo coletivo, se o cara não quisesse que o seu filhinho dividisse o brinquedo com os colegas, então tivesse dado a ele uma bicicleta de presente e não uma bola, porra!
Na minha rua nós resolvemos esse problema com uma bola coletiva, já éramos socialistas e nem sabíamos, que foi comprada com um rateio e ficava muquiada numa árvore a disposição de qualquer um que quisesse jogar. Tinham algumas regras, é claro. A bola não poderia sair da rua, se alguém fosse jogar em outro local (rua, quadra, etc) não poderia levar a bola junto, assim a qualquer hora a “nossa” bola estaria pronta pro jogo e não sairia nunca antes do apito final.
Lembrei dessa coisa toda ontem, quando a dona Marina Silva levou a bola, que ela conquistou no primeiro tempo (turno), antes do jogo terminar. Era assim que ela governaria o nosso país? Na hora da decisão, na hora de botar a cara a tapa, na hora de bater um pênalti, simplesmente tiraria o corpo fora? Lamentável.
Se não sabe brincar, não entra na brincadeira, ou como diria o Capitão Nascimento : Pede pra sair, Marina!!!