Solomon Burke nasceu na casa de sua avó, na Pensilvânia, durante um culto que acontecia na igreja localizada na parte de baixo da residência. Quando ele era jovem, sua avó profetizou o que ele faria na vida. Ela disse que ele iria viajar pelo mundo e veria coisas que nunca viu antes, iria conhecer lugares que nunca fora antes, falaria para milhões de pessoas e que teria uma grande família. Ela estava certa.
Aos sete anos de idade ele já pregava na igreja, aos doze pregava pela rádio e aos quatorze gravou seu primeiro single. Além disso, trabalhou como agente funerário, em um asilo de loucos, chegou a ser sem-teto, e pulou de gravadora em gravadora antes de assinar um contrato com a Atlantic Records em 1960. No entanto, ele nunca teve um grande sucesso, chegou perto com "Everybody Needs Somebody to Love", em 1964. No final de sua carreira, seus discos começaram ganhando elogios da crítica, mas a oportunidade para o estrelato já tinha passado. Seu último álbum, "Hold on Tight", tem lançamento previsto para este mês.
Sua morte no último dia 9, aos setenta anos de idade em um aeroporto de Amsterdã, aparentemente por causas naturais, traz ao mundo da música a perda de um homem que esteve com Sam Cooke na noite em que esse morreu, um homem que conheceu Martin Luther King e Malcolm X, um homem que sentia a dor da segregação e lutou com música, um homem que teve coragem fazer uma apresentação completa em um comício Ku Klux Klan numa noite e em seguida se apresentar para um público totalmente negro, um homem que trabalhou em um mercado de carnes com Chubby Checker, um homem que foi pai de 21 filhos, mas infelizmente essas histórias foram interrompidas e não haverá novas.
No final, umas de suas frases faz muito sentido agora: "Eu não tenho talento. Tudo que eu tenho foi emprestado para mim, pela graça de Deus".
Ele fez bom uso desse empréstimo.
Fonte: http://www.waxpoetics.com
