LD78 abre as portas aos amigos com arte e inspiração

Por Ana Mesquita | 

Esses dias quentes e ensolarados do começo do outono lavaram a alma da decepção que foi o carnaval e fim de verão, com frio de tirar o cobertor do armário e garoa daquelas que te deixam com dor de garganta. E quando o belo dia de sol reúne sábadão a tarde, rua sossegada da Vila Mariana, música bacana, gente bonita, cerveja gelada e muitos amigos queridos, a coisa tende a ficar melhor do que a gente espera.

Esse foi clima da “open house” do LD78, espaço coletivo com um proposta bem ousada e interessante. A idéia original não é nova, o "coworking", termo cunhado no inicio dos anos 2000 pra identificar outra forma de organização do espaço de trabalho, em que trabalhadores autônomos ou micro empresas alugam espaços e passam a usá-los coletivamente, com o objetivo maior de sair do isolamento que muitas vezes o home Office traz e principalmente, poder interagir, dividir e debater idéias e até mesmo criar trabalhos em conjunto. Aqui em São Paulo vemos o coworking se espalhar ainda na metade dos anos 2000 por diversos bairros da cidade, mas com destaque para a Barra Funda, por conta dos preços muito mais em conta dos galpões abandonados que nos anos 80/90 abrigavam fábricas.

Outro elemento que diferencia esses espaços são os tipos de produtos oferecidos, geralmente ligados à tecnologia, internet, arte e comunicação. O simpático sobradinho geminado na Vila Mariana abriga quatro  escritórios: A Tamago, produtora de audiovisual, a A² Arquitetura, o Audioclicks, estúdio de áudio e a  Ponto K que trabalha com comunicação visual. Cauê Ueda da Tamago conversou comigo sobre a LD78:

“Decidimos montar o espaço por necessidade. Eu e outro amigo, do escritório de arquitetura, já alugávamos outra casa e resolvemos alugar aqui pra poder agregar mais gente. O objetivo maior do espaço é juntar as pessoas, a internet é legal, também junta as pessoas,mas sentimos a necessidade de estar perto, por uma questão de criação, porque quando surge uma idéia as pessoas já estão ali do lado e você pode trocar idéias e melhorar seus trabalhos dessa forma. É uma coisa de olhar no olho e estar perto presencialmente”

Apesar de estar em funcionamento desde agosto de 2010 somente agora o pessoal do espaço resolveu fazer a open house “o lance aqui hoje foi para juntar os amigos, apresentar o novo espaço, e a idéia é que daqui pra frente exista mais colaboração com os amigos para novos projetos” explica Fernando Eguchi também da Tamago.

Zansky e Danilo da Base-V em ação
E é na proposta apresentada por Fernando que a LD78 se diferencia de outros Coworking, a abertura da possibilidade dos amigos que produzem em áreas similares aos escritórios produzirem projetos  coletivamente. Isso é raro e difícil de encontrar no Brasil, ainda mais em São Paulo, cidade toda construída arquitetonicamente como um espaço de exclusão do que é público e coletivo, e onde vemos muitas pessoas ligadas a esse meio de atuação dos escritórios do LD78 trabalharem somente para seus próprios umbigos.

Uma pequena amostra do potencial do espaço foi dado as pessoas que circularam por lá no sábado, 26 de março. Live painting do grupo BASE-V em uma das paredes da sala de visita, Gig ProjetoNave + Otis Trio , e B8 e Ciriaco mandando uma sonzera de vinil. Meninos do ABC envolvidos até o pescoço com a conspiração! Espalhada por algumas paredes da casa, a exposição Metropolix Emergency, do Feguchi, que inclusive já foi exposta na Galeria Oba-Chan, em Tóquio, passa agora por São Paulo e em breve aterrissará em Nova York.

Quem acompanha as tentativas de produção independente dos amigos e colegas próximos sabe de todos os entraves para que os trabalhos fluam de verdade, ainda mais com a realidade brasileira, em que não existe consolidado um mercado consumidor forte de produtos culturais e artísticos alternativos, como no Canadá e Estados Unidos, só pra citar os dois mais próximos. Espero que o LD78 consiga, na verdade já está conseguindo, produzir coletivamente, estimular a criatividade e a inovação.

“O objetivo é fazer mais festas como essa, para chamar os amigos e assim fazer circular as idéias e juntar as pessoas” completa Eguchi. A casa está aberta. 
Painel feito pelo pessoal da Base-V
PS.: Na parte de cima da casa existe um jardim suspenso, todo lindo, que dá vontade de morar lá!

Ana Mesquita é colaboradora do Pastilhas Coloridas e jornalista freelancer amante de cinema. Twitter: @anamesquitafoto
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