Por Bruno Módolo |
Muita gente reclama dos livros de roteiro que ensinam técnicas e supostas fórmulas. Dizem que seriam padrões de Hollywood para filmes comerciais, que não se aplicam em filmes de arte e que engessam o roteirista na hora de escrever.
Muita gente reclama dos livros de roteiro que ensinam técnicas e supostas fórmulas. Dizem que seriam padrões de Hollywood para filmes comerciais, que não se aplicam em filmes de arte e que engessam o roteirista na hora de escrever.
Na verdade, não é bem isso que essas técnicas de roteiro fazem. Se olharmos para a música, por exemplo, encontraremos uma série de técnicas e outros conceitos que acabam conduzindo você a fazer de um jeito e não de outro. Isso não é padrão para seguir, faz parte da arte. Cantar no tom, arranjar as notas de forma bonita, manter a melodia e por ai vai. Se o músico misturar as notas de qualquer jeito, mudar o tom no meio da música, o som será uma porcaria. Até o jazz, que pode ser improvisado, tem suas técnicas. Nenhum jazzista toca aleatório, ele sempre improvisa em cima de uma batida.
Por outro lado, não basta só saber detécnicas musicais para virar um grande músico. Um bom músico precisa estudar muito, praticar muito e exigir muito da sua capacidade. Se as técnicas musicais não engessam e também não criam grandes músicos, onde está o segredo para compor obras primas? O segredo está em usar essas técnicas para expressar a arte que vem da alma.
Por outro lado, não basta só saber detécnicas musicais para virar um grande músico. Um bom músico precisa estudar muito, praticar muito e exigir muito da sua capacidade. Se as técnicas musicais não engessam e também não criam grandes músicos, onde está o segredo para compor obras primas? O segredo está em usar essas técnicas para expressar a arte que vem da alma.
Voltando para o roteiro, essas técnicas que apontam plots e viradas, composição de personagem, etc, ajudam a escrever um filme da melhor maneira possível. Desde sempre, o homem conta histórias com começo, meio e fim. Não importa se a ordem não for bem essa, mas qualquer pessoa precisa ver o começo, o meio e o fim para entender a história. E precisa entender o personagem para torcer por ele. Quando perdemos o começo de uma explicação, ficamos sem entender o que é dito. Tem uma frase que expressa bem essa situação: perdi o fio da meada.
As técnicas de roteiro não engessam ninguém, não roubam a criatividade, nem transformam o filme em comercial. Simplesmente ajudam a conduzir a linha narrativa para o público entender o filme. Os grandes filmes de arte, por mais confusos que possam ser, tem um começo, um meio e um fim bem organizados e personagens bem desenvolvidos. E se fizermos um estudo em cima dos roteiros desses filmes de arte, poderemos apontar claramente os tais plots e viradas que só deveriam aparecer nos filmes comerciais.
Portanto, é bom estudar as técnicas de roteiro, aprender bem, ensaiar bem para escrever histórias que o público goste. Independente se a intenção for escrever um blockbuster ou um filme cabeça. E se quiser virar genial, use essas técnicas para deixar sua alma falar e ser compreendida.
Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, cinema e publicidade. Acesse o site e conheça os trabalhos realizados.