Por Marcelo Mendez
Pensando nas coisas que aprendi nos livros cá estou novamente para falar de nosso esporte bretão em maaaais uma segunda feira pós futebol na nossa amada coluna Canela De Ferro.
Foi com dona Clarice Lispector que descobri as maravilhas e delicias da narração livre, da análise literária e da descrição psicológica dos personagens sem se preocupar com regras bestas, “inovações” qualquer outra amarra idiota que atrapalhe o resultado final do texto. E como acredito que para falar de futebol, não é necessário tirar o cérebro do lugar para, depois recolocá-lo para falar de “jazz” ou “economia” (Ainda existem babacas e idiotas por aí que pensam assim...) vou usar das lições da mestra para tratar dos meus adoráveis sofismas ludopédicos os quais tanto prezo em minhas linhas. O de hoje é bem simples; Falemos do que se acha importante para nossa prezada “crônica esportiva”. Em tempo:
Em primeiro lugar de crônica não tem nada. São poucos os colunistas que hoje sabem utilizar desse maravilhoso recurso literário para narrar às coisas da pelota. Meu amigo Xico Sá, o ótimo Tostão, Zé Geraldo Couto. Felipe Bigliazzi, são alguns bons exemplos. Mas são poucos e então vem o segundo aspecto de minha análise...
Não é “esportiva”. O correto seria “futebolística”, mas 98% dos militantes na área não têm peito para chegar e assumir ao seu leitor que só sabem cobrir um esporte. Como se isso fosse um crime. Oras... Se você escolhe fazer uma coisa na vida e a faz bem feito, que mal pode ter? Pois é. Mas a maioria não pensa assim, não cria, não ousa, não abusa, não arrisca. E tudo fica muito chato. Então seguiremos essa linha. Veja só amigo leitor, que subterfúgio pilantra desse vosso cronista ludopédico malandro; Eu to aqui fazendo com o que os senhores me acompanhem no meu oficio de escrever a coluna. Mas como já cantou Luiz Melodia, “O poeta sempre é malandro”. E o Colunista nem sempre vale muito. Prosseguindo...
Tivemos uma semana prodigiosa em se tratando de futebol. Na ultima quarta feira o Pacaembu viu o ressurgimento de um Gigante para o futebol mundial. Foi ali que o Santos bateu o Penarol por 2x1 sagrando-se assim campeão da Libertadores da América. Ah o Santos... O Santos é um time diferente. Começou ser diferente há muito atrás, mais precisamente em 1956, quando chegou à Vila Belmiro um tal de “Edson” trazido pelas mãos do ex jogador Valdemar De Brito. Em pouco tempo o menino Edson virou Pelé e junto de Zito, Mengalvio, Durval, Coutinho e Pepe, formou aquele que entrou para história como o maior time de futebol do mundo de todos os tempos e todas as galáxias e todos os mundos imagináveis e inimagináveis.
São esses homens, os responsáveis por mais de 2000 mil gols marcados em 10 anos, uma porrada de títulos e recordes que jamais serão alcançados em tempos modernos. O Santos fez história. Depois veio a ressaca e desmandos, o Santos amargou um período duro nos anos 80 e 90 para voltar a ser grande a partir dos anos 2000. O ápice vem com toda a força agora e a geração de Neymar, Ganso, Allan Patrick, Elano, encheu os olhos de quem gosta de futebol com uma atuação de gala, para finalmente voltar a frequentar o lugar que é do time da Vila e o qual nunca deveria ter deixado de habitar. Bom, mas isso foi na ultima quarta feira. Será que seria o que o jornalismo viciadão chama “Noticia velha?” Pelaaaamor...
Da série de clichês idiotas, estúpidos, estapafúrdios e burros da imprensona preguiçosa esse é o mais pungente. Como pode um titulo de futebol ser uma “noticia velha”?? Não somos então Pentacampeões de futebol? O titulo que conquistamos em 1958 na Suécia não é contado para esse nosso ufanismo de chuteiras? Então como é “velho”? E um título conquistado em menos de uma semana?!?! Tá... Então os caras tem um ótimo argumento; O clássico de ontem como o Corinthians metendo um inapelável 5x0 no São Paulo. Mas caramba...
Todo jornalista arrumadinho, vestido em sua bem engomada camisa pólo, munido do seu perfume “importado” pago em três vezes no cartão, há de comentar esse jogo. Sim, pois ele obedecerá ao seu rechonchudo e rosado chefe de redação, aquele sujeito meio redondo, sedentário, rosto triste e fala óbvia. Este, falará para o arrumadinho, “Escreva no maximo uma lauda, 2500 caracteres sobre o jogo de ontem”. Nem carece tanto...
É muito óbvio. O Corinthians matou o São Paulo jogando com Willian aberto pela direita, com Jorge Wagner na esquerda, ambos deitando nas costas dos laterais São Paulinos mais, Danilo armando em estado de graça pelo meio campo, que ficou melhor de se jogar após a expulsão de Carlinhos Paraíba. Ficou muito fácil. Foi 5x0, poderia ter sido 6, 7, 8 e quantos mais quiserem os times que jogarem contra a Sarah Poley do Morumbi. É muito fácil de entender também:
Ou o São Paulo, passa a enxergar a vida de maneira real, ou viverá eternamente na ficção dos seus sonhos de grandeza que não existem mais desde 1971! O São Paulo não tem mais a receita do Morumbi porque seu Presidente é muito burro! Um jumento cheio de arrogância movida a whisky 12 anos e feno, que afasta todas as possibilidades de o clube lucrar com o seu Estádio. Uma besta quadrada que só vai aos microfones para falar merda, que não ajuda nada e não dirige seu clube há muito tempo. Se o fizesse, resolveria de uma vez por todas o caso do técnico que ele demitiu, depois sem ter o que contratar, “Desdemitiu” e ta essa zona por lá. O que ajudou para a vida ilusória da classe média do Morumbi foram às cinco vitórias seguidas que o clube teve. (Três delas, com Rogério pegando tudo!!) e aí, uma rodada de caviar vencido. Deu no que deu e olha...
Num quero falar disso não! Ah... Coisa mais triste! Aí deve-se perguntar; “Qual então é o foco da crônica?”
Não sei.
Sei lá eu se o cronista deve ficar preso a essa bobageira toda de “foco”, “ênfase” e outras baboseiras do jornalismão tonto e decadente.
Eu poderia vir aqui e falar sobre o que aconteceu ontem na Argentina, onde após 110 anos de história o River Plate caiu para a segunda divisão como decorrência de seis campeonatos absurdamente mal disputados. A tristeza geral, o drama e desespero dos seus torcedores foram visto via televisão para o mundo todo. São milhões de torcedores órfãos de uma grandeza que só o futebol pode dar as suas vidas comuns.
O “clube grande”.
O que aconteceu no Monumental de Nuñes ontem após o empate em 1x1 com o Belgrano de Córdoba poderia ser não apenas tema de uma coluna de crônicas, mas sim, um roteiro para um filme épico. Mas hoje não falarei a respeito e deixarei a reflexão aqui para você leitor.
O que você quer ler do seu cronista? Mas toma cuidado para responder.
Daqui uns dias, você pode receber um sms, ou um email convidadando-o para a reunião de pauta dos caras...
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
