Por Marcelo Mendez
Saí daquela relação com três discos do Humble Pie, um livro do Leminski, uma camisa do Neil Young e o gosto da pele dela na minha boca Basca...
Na ocasião falamos de Lou Reed, Odair José, Nick Cave, Jarmusch, Zé Do Caixão, Godard, Pernambuco, Gonzagão, mistérios e paixões nossas. Saímos daquele bar da Fernando Albuquerque tal e qual cantou o Barão Vermelho; “Transvirados rezando pelo Estácio”. Da minha condição de fã que sempre fui, me tornei amigo. Coisa que muito me honra, mas bem... Não da pera deixar de ser fã de meu amigo.
De todas as boas coisas do cinema de Federico Fellini, um dos seus filmes que mais vi na vida foi FELLINI OITO E MEIO, primeiro porque é um espetáculo de filme, segundo porque acho muito corajoso o motivo pelo qual nasce a película. Trata-se de um momento onde o cineasta genial admite que não tem maiores inspirações, que tudo ta difícil e a criação ta um parto pra sair e vejam vocês:
Dando uma volta pela vida, vendo as coisas do mundo, acompanhado de meu guarda chuva xadrez azul pela Avenida Paulista afora, assoviava um possível Cannonball Adderley e pensava na vida quando uma frase me fulminou a mente e tomou meu pensamento de assalto:
Por Marcelo Mendez
Dando uma volta pela vida, parei em um ponto de ônibus no último sábado, onde escutei um sujeito dizer a outro o seguinte:
O amigo leitor que me acompanha aqui em Canela De Ferro sabe que fujo da mesmice, igual Antoine Doinel corria do casório no ótimo filme O AMOR EM FUGA. Pois é...
Amigo leitor, vos digo; A cena em que Joy Harmon faz uma garota safada, cheia de quengagem se ensopando de sabão, de saia minúscula para provocar os pobres diabos presos enquanto eles faziam la um serviço forçado é... SENSACIONAL! Confesso aqui que são os dois minutos de filme que me levaram ao cinema de cara. Muito mais do que todo espírito contestatório que rege o filme. E essa é a questão que coloco aqui para nossos assuntos ludopédicos.
Uma vez um imperador pagou uma portentosa fortuna para que o genial Johann Sebastian Bach compusesse uma cantata. O mestre alemão, gênio das mais mil obras por toda a sua vida tava la num drama porque não sabia exatamente como fechar a coisa então decidiu ler a Carta de Paulo Aos Romanos. Emocionou-se com o que viu e a partir dali decidiu:
Após mais uma rodada pelo Campeonato Brasileiro nosso, um cara que muito li, a quem muito devo me fulmina a mente para escrever aqui essas tortas linhas em Canela De Ferro. Tolstoi, Liev Tolstoi é um cara que me deu muitas alegrias...
O homem que um dia declarou acerca das criticas das cenas violentas de sua obra, que “Em meus filmes as cenas de violência são como grandes balés de corpos que dançam ao som de rajadas de metralhadoras e cor de sangue...” teria um roteiro pra la de muito cheio se um dia assistisse a Série D do campeonato nacional no Brasil. É...
Lembro-me até hoje da cara de espanto de minha amiga Raquel Nestrowski quando em uma acalorada conversa sobre cinema, la pelas tantas em que a coisa tava em Godard, Tarkowski, Bunûel, Rene Clement, Jean Renoir e outros feras que amamos, bradei a plenos pulmões encharcados de Serra Malte e de todas as oitavas intenções para com a minha parceira de copo:
Rodrigo Pinto é definitivamente um homem bom. Nosso primeiro contato foi na sala de café da Redação do ABCD Maior. O homem barbudo veio em minha direção enquanto eu relia algo que havia escrito, me ofereceu um pedaço de seu pão com mortadela, sentou e abriu um jornal pra ler. A princípio me chamou atenção o fato de ele ler resmungando baixinho, achei que me atrapalharia e quando eu ia reclamar ele me falou:
A menina de cabelos longos pretos, escorridos pelas costas, tem cara de Joan Baez lindamente adornada com olhinhos de Helen Hunt. Rosângela é um daqueles paradoxos lindos, um contraponto digno de um capítulo do homônimo romance de Aldous Huxlei, bela sim, como um contraste filmado por Luis Buñuel em Este Obscuro Objeto do Desejo.