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Das coisas entre John Wayne e Xico Sá, uma ode à nossa imortal Lampions League. Quando o futebol fica de verdade...

Por Marcelo Mendez

Conheci meu amigo Xico Sá em noite de goles homéricos no Baixo Augusta.

Na ocasião falamos de Lou Reed, Odair José, Nick Cave, Jarmusch, Zé Do Caixão, Godard, Pernambuco, Gonzagão, mistérios e paixões nossas. Saímos daquele bar da Fernando Albuquerque tal e qual cantou o Barão Vermelho; “Transvirados rezando pelo Estácio”. Da minha condição de fã que sempre fui, me tornei amigo. Coisa que muito me honra, mas bem... Não da pera deixar de ser fã de meu amigo.

Xico Sá é um Pirandelo. Um Marcel Proust com a fleuma do Cariri, um homem do sertão de extrema classe, de muita fleuma, um Gentleman que não se furta de comer um jabá na chapa, um Dândi que escreve suas finas letras com a mesma densidade que um Paul Desmond teria para tocar um Coco de Jackson do Pandeiro. Quer dizer:

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Um Fellini por domingo no futebol brasileiro...

Por Marcelo Mendez

De todas as boas coisas do cinema de Federico Fellini, um dos seus filmes que mais vi na vida foi FELLINI OITO E MEIO, primeiro porque é um espetáculo de filme, segundo porque acho muito corajoso o motivo pelo qual nasce a película. Trata-se de um momento onde o cineasta genial admite que não tem maiores inspirações, que tudo ta difícil e a criação ta um parto pra sair e vejam vocês:

To falando de Federico Fellini!! Imaginem, trazendo a coisa cá para as nossas fuças mortais, o parto que é para um Cronista Ludopédico tentar tirar um pouco de encanto do óbvio ululante e pleno que rola em nosso futebol brazuca desse começo de ano?? Pois é, caro Leitor...

Ontem no estádio do Morumbi, tivemos o clássico entre Corinthians x Santos que acabou num imoral 0x0. E como avilta o futebol o 0x0. Por si só já é um acinte. Um jogo de futebol caretamente virginal. Um placar que frustra perfidamente a conversa de boteco da segunda feira. Que atrapalha mal e parcamente a venda do Lanche de Pernil da banca da minha amiga Regina, ali na entrada do portão da imprensa no Morumbi. Com os times ontem a coisa não fugiu de todas essas tristes premissas. Foi um porre.

Entraram em campo o time de Parque São Jorge com todos os problemas ocasionados pelo acidente de Oruro na cachola, com o total desinteresse não assumido pelo Campeonato Paulista e, o Santos de Murici Ramalho em plena crise de identidade quer dizer; Um time que há muito tempo não é mais o que pensa ser. Há tempos que não se vê pela Vila Belmiro a alegria dos dribles e peripécias do menino Neymar e a beleza do futebol de temporadas passadas. Uma coisa que ta realmente triste.

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Lipstick boderline e o futebol em concordata. Porque a rebeldia é doce...

Por Marcelo Mendez

Dando uma volta pela vida, vendo as coisas do mundo, acompanhado de meu guarda chuva xadrez azul pela Avenida Paulista afora, assoviava um possível Cannonball Adderley e pensava na vida quando uma frase me fulminou a mente e tomou meu pensamento de assalto:

Todo rebelde é um doce! Um meigo! Um amor.

Simples assim. Para cada Clayde Barrown tem uma Bonnie Parker. Para cada Gainsbourgh uma Jane Birkin. Para cada Iggy Pop uma Candy. Para o David Bailey, uma Jean Shrimpton. Para cada Marcelo, flores... Bem. Tomado então dessas elucubrações sentei para escrever sobre os episódios da Ludopédia nossa, com a ideia de manter comigo aqui a velha, inseparável, linda e santa fúria, mas, sem esquecer caro leitor, que eu também sou um doce. Vamos lá.

Todo mundo já sabe do que houve na Bolívia. Desgraçadamente, um sinalizador arremessado acertou o globo ocular de um menino de 14 anos e o levou a morte. Nada, absolutamente que se diga, ou até mesmo que se faça vai recuperar isso. Mas o papel do Cronista é relatar aquilo que seus olhos enxergam e principalmente (Pelo menos no meu caso...) do que o coração sente.

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Palmeiras de Esparta e a Gafieira de Pina Baush. Para quando houver verdade na ludopédia

Por Marcelo Mendez

Quarta feira passada revi o documentário “Pina” de Wim Wenders sobre vida e obra de Pina Baush, uma mulher que revoluciono o mundo da dança a partir de seus conceitos de como ela deveria interagir com o mundo, com as coisas da vida. Para Pina, seus espetáculos jamais poderiam abrir mão da experiência pessoal de seus bailarinos, dos lugares do mundo onde ela conhecia e de tudo que a cercava. Dentre todas asbelezas de seu trabalho, suas idéias, uma frase da Diva ficou na minha cabeça:

“Dance, dance por amor, por dor, dance pela vida, pelo prazer. Se pararmos de dançar estaremos perdidos...”

Fiquei com isso na cabeça naquela quinta feira chuvosa enquanto o motorista que nos levava ao pacaembu reclamava do trânsito de São Paulo. Deu na cidade uma chuva dantesca e o caminho para o Estadio onde o Palmeiras jogaria contra o Sporting Cristal pela Libertadores Da América, se transformou em um dos trabalhos de Hércules. Com Pina Baush e o futebol na cabeça...

Não há mais no mundo da pelota a paixão que havia na dança de Pina Baush. No mundo de hoje, quando a gente se depara com algo realmente intenso e belo, via de regra ouvimos um desses estetas do New-Marketing, um desses papas da recém criada e mudernissima “auto-ajuda espirita” dizer assim:

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De Holden Caufield a Paulo Henrique ganso ou o lado selvagem das chuteiras imortais.

Por Marcelo Mendez

Em meio a um sábado espetacular passado com os amigos e um domingo em que troquei versos em miúdos com tão nobre dama (Quem é do sereno ou quem lê John Keats que vai entender...) eis que venho para falar da ludopédia nossa de toda segunda aqui em Canela de Ferro. Confesso que não sei se com grande entusiasmo de sempre afinal tal sentimento contrário a este é muito compreensível nesse começo de ano, de temporada, diante do que se apresenta a nós que gostamos dessa coisa mágica que é o futebol.

Ta tudo indicando para o mais do mesmo.

São milhares de jogos em Campeonatos Regionais que de nada valem, regulamentos esdrúxulos em fórmulas de disputa rocambolesca, times em formação e a coisa sempre caminhando para um marasmo de fazer inveja a Holden Caufield no tão espetacular livro O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO do não menos espetacular J.D Salinger.

De todos os jogos que de pouca coisa servem, um clássico me chamou atenção. Santos x São Paulo em Vila Belmiro tem atrativos que me interessam demais. Mas dessa vez não são os dribles a lá Douglas Fairbanks de Neymar, não é a dignidade Nordestina do sério Durval, não é o campo do sonhos que remete a Vila Belmiro. Dessa vez, tal e qual um bom filme Hitchcokiano reforçado de Tipp Headen, quem me interessa é um antagonista:

Paulo Henrique Ganso...

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La Bruyere, o paulistão e outras elucubrações ludopédicas em 2013...

Por Marcelo Mendez

Eis que estamos de volta em 2013.

Os caros amigos de sempre que me leem acá nesse espaço voltado para as melhores e mais sacadas elucubrações ludopédicas têm finalmente seu start para esse novo ano da graça. Foram boas férias amigos. Entre um Stevie Wonder aqui, um Happy Mondays acolá e o Primal Scream ecoando nas minhas noites em Ipanema e mais uma série de outros cafés por ae, rolou também as leituras e algumas que há tempos não fazia, como do meu chegado La Bruyere.

Dentre todos os ótimos ensaios de Jean de La Bruyere e outras tantas que ele influenciou uma frase dele ficou em minha cabeça e ela que vai reger os primeiros andamentos da Coluna Canela De Ferro para 2013. Disse o francês certa vez:

“O mérito de alguns homens é o talento com o qual escrevem suas idéias. O mérito de outros homens consiste no entanto no mérito de não escreve-las...”

Pois é. Pensando em tudo isso vem a questão para nossas fuças ludopédicas: "Qual o mérito de escrever e de não escrever certas coisas ligadas ao futebol? O que realmente importa aqui para a crônica nas coisas do Campeonato Paulista, por exemplo?"

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Essa linda idiossincrasia chamada Corinthians e os amores de todos nós...

Por Marcelo Mendez

Dando uma volta pela vida, parei em um ponto de ônibus no último sábado, onde escutei um sujeito dizer a outro o seguinte:

 “Rapaz vou te falar; Não peço nada a Deus. Não quero dinheiro, não quero um trabalho melhor, não quero aumento de salário, não quero mulher bonita nem nada. A única coisa que peço ao divino é que o Corinthians perca amanhã para o Chelsea...”

Discretamente dei um sorriso, peguei meu ônibus e me pus a pensar a respeito. Que coisa maravilhosa e maluca é essa coisa do futebol. O sujeito, independente de qualquer outra coisa da vida, acima de qualquer suspeita ou razão, em detrimento até de sua própria alegria, de seu possível bel prazer, quer porque quer a todo custo o azar de um outro clube rival. Mas a questão é essa mesmo, não é qualquer clube esse que falamos.

Corinthians.

Lembrei-me de minha relação com esse clube e de como isso tudo começou. Era o longínquo ano de 1976, quando eu era um menino. Um onírico e belo menino de 6 anos de idade, num subúrbio de sonhos. De um tempo que infelizmente não existe mais. Dado momento daquele ano lembro de meu saudoso Tio Bida, irmão de minha mãe que chegou em casa com um embrulho e me disse:

"Olha só, isso pra você jamais esquecer do 'nosso' Corinthians"

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O blues de Odorico Paraguaçu e o futebol no brejo da cruz das obviedades templárias...

O amigo leitor que me acompanha aqui em Canela De Ferro sabe que fujo da mesmice, igual Antoine Doinel corria do casório no ótimo filme O AMOR EM FUGA. Pois é...

Em se tratando de assuntos ludopédicos tem muita coisa boa rolando. Tivemos essa semana a peregrinação do povo corintiano para o Aeroporto de Cumbica, coisa pra la de homérica! Tal e qual Moisés guiou seu povo para a travessia do Mar Vermelho, a nação corintiana conduziu os seus 23 homens para a Batalha de Tókio pela conquista do Mundial de Clubes. Coisa linda mesmo. Daqueles episódios que, para a inveja dos tristes, só o futebol é capaz de realizar. E o faz de maneira natural, sem roteiro marqueteiro pra guiar, sem o mídia training pra robotizar, nada.

Futebol é a manifestação plena dos sentimentos que aflora nos seres de fé. É imprevisível como a vida, é lindo como um poema de Keats, é viril como a bateria do Keith Moon no The Who, é tenso como Dustin Hoffman dirigido por Sam Peckinpah, é pleno como o primeiro beijo de um adolescente virgem, é delicado como uma chicotada de lírios.

Nada menos que isso.

Portanto caro leitor, o Cronista não tem o direito de vir aqui e dizer que “nada há para ser comentado”, seria um absurdo! Futebol é lindo até no intervalo do primeiro, para o segundo tempo. Então vejam; Porque eu to assim... Meio Down, como cantaria Dalton numa situação
dessas??? Ah, claro que tem explicação...

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Sartre Futebol Clube e a ludopédia brasileira em questão. Tudo por um folk que não seja triste...

Por Marcelo Mendez

Jean Paul Sartre é um dos homens mais importantes do século XX.

Não caro leitor, não digo isso por conta dos gols que o homem fez, nem tampouco foi o Frances, parceiro de Justine Fontaine, Raymond Kopa, de Platini ou Zidane em algum dos esquadrões futeboleiros do povo da Cidade Luz. Sarte fez umas outras coisas ae...

Foi o papa do Existencialismo, uma corrente de pensamento inspirada nas ideias de um outro cara que gosto muito de nome Heidegger. Um lance que procurava investigar todos os aspectos da experiência humana. Uma imersão total no individuo, no SER em tudo que pode ser analisado nessa coisa louca de nome Ser Humano. Me virou a cabeça com livros como O SER E O NADA, A NAUSEA, O MURO e seu espetacular A CRITICA DA RAZÃO DIALÉTICA. Uma preciosidade...

Em A Crítica... Sartre se liga que a busca existencial do SER fracassa por conta da própria estrutura do desejo. Sacou que seria necessário mudar o que acreditava até então, que essa mudança, no entanto poderia resultar exatamente desse fracasso que ele observou. A partir dae, torna toda essa frustração com a critica social que fazia até aquele momento, para criar uma nova filosofia da liberdade que mudou todas as cabeças de todo um século. Enfim...

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De como Joy Harmon pode salvar o futebol brasileiro da pasmaceira plena...

Por Marcelo Mendez

Eu fui assistir REBELDIA INDOMÁVEL do Stuart Rosemberg, primeiro porque era um papel do Paul Newman em 1969 em um filme de uma temática muito foda. Tratava da história de um sujeito de nome Luke Jackson que faz umas cagadas na vida. Roda, vai preso. Dae vem onde a coisa pega no filme...

Recolhido em uma colônia penal de regras ferradas, Luke não aceita se submeter ao sistema e de cara gera desagrado tanto nos guardas como seus companheiros de prisão. Então odiado por todos Luke continua tentando cumprir sua pena de dois anos até que recebe a notícia de que sua mãe morreu. O capitão o prende na solitária para que ele não fuja para ir ao enterro, como outros fizeram antes e ae, revoltado até a medula. Luke foge da prisão por diversas vezes e é sempre recapturado, o que o torna uma lenda entre os presos ao mesmo tempo em que os policias começam a tentar "quebrar" seu espírito e a submetê-lo a diversas torturas e intimidações. Óbvio que não conseguiram nada para mudar o espírito indômito do sujeito... Mas ae vem o segundo e principal motivo:

Joy Harmon...

Amigo leitor, vos digo; A cena em que Joy Harmon faz uma garota safada, cheia de quengagem se ensopando de sabão, de saia minúscula para provocar os pobres diabos presos enquanto eles faziam la um serviço forçado é... SENSACIONAL! Confesso aqui que são os dois minutos de filme que me levaram ao cinema de cara. Muito mais do que todo espírito contestatório que rege o filme. E essa é a questão que coloco aqui para nossos assuntos ludopédicos.

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Educação sentimental número II e a introdução para musica de sangue e paz. Ao Palmeiras com amor...

Por Marcelo Mendez

Uma vez um imperador pagou uma portentosa fortuna para que o genial Johann Sebastian Bach compusesse uma cantata. O mestre alemão, gênio das mais mil obras por toda a sua vida tava la num drama porque não sabia exatamente como fechar a coisa então decidiu ler a Carta de Paulo Aos Romanos. Emocionou-se com o que viu e a partir dali decidiu:

Fechou a sua obra “Herz Und Mund Tat Un Leben” com um coro que ficou eternizado com um dos momentos mais lindos de todos os tempos dentro da história da musica. JESUS CRISTO ALEGRIA DOS HOMENS é um dos momentos que o homem pode sentir que a vida é bela de fato, que tudo pode ser arrefecido, purificado e lindo.

No domingo de ontem ao ver o 3x2 que o Fluminense aplicou sobre meu Palmeiras decidi então que iria até o alemão imortal para ver as coisa da ludopédia se amenizavam um pouco e para pensar em tudo que ta acontecendo. Bem...

O Campeonato Brasileiro de 2012 esta definido:

O Fluminense é o Campeão Brasileiro inconteste!

São 76 pontos ganhos, 12 a frente do segundo concorrente o Atlético Mineiro e ae, nada a fazer. Parabéns aos tricolores cariocas, ao seu técnico Abel Braga, ao seu patrocinador Celso Barros que enche os cofres do clube de muita grana, coisa que deixa todo mundo feliz, aos seus profissionais, como o gerente Rogério Caetano, a comissão técnica, aos ótimos Fred, Deco, Welington Nem, ao goleiro Diego Cavalieri e a toda sua enorme torcida. Resta o que para crônica?

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Da importância de Tolstoi para o futebol ser menos sofrível. E a necessidade do sorriso no rosto de vocês, torcedores...

Por Marcelo Mendez

Após mais uma rodada pelo Campeonato Brasileiro nosso, um cara que muito li, a quem muito devo me fulmina a mente para escrever aqui essas tortas linhas em Canela De Ferro. Tolstoi, Liev Tolstoi é um cara que me deu muitas alegrias...

Escreveu “Guerra e Paz”, “Anna Karenina”, “A Morte de Ivan Ilitch” e outros livraços que tanta companhia me fizeram ao longo da vida. E por falar em vida, a de Tolstoi foi um caso a parte. O mestre poderia ter tido tudo que os homens comuns e previsíveis podem ter; Grana, poder,status, influencia, posses e o diabo a quatro para lamber seu ego. Mas tocou o foda-se geral pra isso tudo para se tornar não só um dos maiores escritores Russos de todos os tempos, mas sim, um dos maiores seres humanos que já passaram por aqui. Desbundou geral...

Se ligou que a vida com Estados, Igrejas, Tribunais, Dogmas, Dinheiro, Exploração e tudo mais não eram viáveis. Entendeu rapidinho que a única verdade humana na vera mesmo era a fraternidade, a igualdade entre os seres e decidiu que ia se converter geral a isso tudo. Tolstoi parou de beber, de fumar, de comer carne, de pensar em grana, para dedicar-se integralmente a uma vida pacifista, ecológica e a anarquista. Abriu mão de todo materialismo possível, quebrou o pau com a mulher e os filhos e não quis mais saber de porra de posse alguma. Tornou-se um naturalista.

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De Sam Peckinpah a Ascenso Ferreira, de Caruaru até o pé da Serra da Borburema. Uma luz para o real futebol brasileiro...

Por Marcelo Mendez

Ta certo que em tudo que faço, dado meu enorme amor pela obra do Sam Peckinpah, to sempre dando um jeito de cita-lo em quase tudo que faço. Mas pra assuntos ludopédicos dessa semana o grande cineasta vem bem a calhar.

O homem que um dia declarou acerca das criticas das cenas violentas de sua obra, que “Em meus filmes as cenas de violência são como grandes balés de corpos que dançam ao som de rajadas de metralhadoras e cor de sangue...” teria um roteiro pra la de muito cheio se um dia assistisse a Série D do campeonato nacional no Brasil. É...

Hoje a coluna Canela de Ferro vai dar a cara pra levar um monte de porrada porque em detrimento de toda a rodada ultima do Campeonato Brasileiro da Série A, nós vamos falar dos miseráveis que tal e qual Cazuza cantou um dia, “vagam pelo mundo derrotados, essas sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas”. E porque então falar da quarta divisão de um campeonato de futebol já que a coisa é tão devastadora assim? Simples:

Porque eu quero! Oras...

Vivemos em uma fase onde a sanha insana em busca de “metas”, “objetivos” e mais outras cretinices fundamentais bloqueiam qualquer possibilidade de um encanto. Para tudo que se faça, precisa-se de uma causa “edificante”. Para o beijo na boca, uma razão; Para o porre de
paixão, um motivo “minimamente racional”. Para uma partida de futebol, um motivo que agrade o marqueteiro do clube, o dono do jornal e os anunciantes das oligárquicas TV's, donas dos direitos de transmissão. Dentro dessa realidade triste, não há espaço para falarmos de um XV de Piracicaba, de uma Penapolense, de um Grêmio Catanduvense. E assim morre nosso futebol do Interior e adjacências.

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Dos ensinamentos de Tinto Brass para o Palmeiras e toda sabedoria do velho safado em prol da ludopédia brasileira...

Por Marcelo Mendez

Lembro-me até hoje da cara de espanto de minha amiga Raquel Nestrowski quando em uma acalorada conversa sobre cinema, la pelas tantas em que a coisa tava em Godard, Tarkowski, Bunûel, Rene Clement, Jean Renoir e outros feras que amamos, bradei a plenos pulmões encharcados de Serra Malte e de todas as oitavas intenções para com a minha parceira de copo:

“Mas Raquel eu amo mesmo é o Tinto Brass! Todos os vivas a esse sacana sensacional!”

É bem isso.

Tinto Brass é um italianão veneziano que começou dar suas sapatadas pelo cinema, trabalhando como assistente de Roberto Rosselini, Giuseppe Di Santis e, com eles foi aprendendo a lidar com a arte de das películas. Fez seu primeiro filme em 1951, um roteirinho policial comunzão e soube que por ali não faria para o charuto. Foi quando teve uma ideia iluminada:

Leu Bocage, percebeu que aquilo era muito possível para os anos 60 e então começou a filmar as coisas que sempre amou; Mulher gostosa, bundas lindas, xanas cabeludas e divinas, comportamento sexual do Italiano dos anos 60 e por ae foi. Fez pérolas como Salon Kity, O Vouyer, Faça Isso, em um cinema sempre recheado das mais gostosas mulheres de todas as galáxias. Os filmes nada tinham de mais. Roteirinhos pra lá previsíveis, umas piadinhas mais ou menos, tudo sempre focado nessa coisa deliciosa que é a relação homem/mulher e ta ótimo!

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A ludopédia e o dedinho de prosa de Modigliani com Carol Scorce. Para deixar esse futebol mais sábio...

Por Marcelo Mendez

Umas das coisas que mais gostava de Carol Scorce era sua minerice.

A menina das alterosas, moça de rostinho meigo, risada gostosa e sapeca, covinhas lindas é jornalista do ABCD Maior. Trabalha com a editoria de Cidades e além de tudo também é pintora, grande entusiasta das artes plásticas. Fala de sua paixão por Monet e Modigliani com o mesmo encanto que tem por pão de queijo, café com leite, tutu de feijão e pelo Sul de Minas Gerais. A prosinha que tinha com ela todos os dias era uma delicia. Em uma delas, dado a meu alvoroço verbal, meu entusiasmo latino a mocinha me disse:

“Marcelo cê fala bastante, mas no seu causo até que é bão porque ocê tem o que dizer e fica boa a prosa. Agora, quando não tem nada pra falar bão é ficar quieto né?”

Pois é. A observação de Carol além de inteligente como a moça, faz dela mais mineira que a Pampulha! Penso nisso tudo para falar dessa rodada do Brasileirão e por ae, vejamos...

Não há muito que ser dito a não ser o mais do óbvio na maioria plena da coisa.

Tivemos no sábado o Corinthians meio que em treino de luxo pro mundial, empatando com a Portuguesa. No domingo, o Santos que não sabe muito bem o que fazer do campeonato, vence o Vasco e sei la o que isso pode siginificar pra competição. Bom para o São Paulo que venceu bem o Figueirense no Morumbi por 2x0 e segue forte pela busca da quarta vaga pela Libertadores. Meu Palmeiras? Oras...

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As cores e sabores de Angela e um alento para Gilson Kleina e o Palmeiras. Por apenas um pouco de leveza na vida...

Por Marcelo Mendez

Ângela Molognoni é um doce.

Eu a via chegando para trabalhar no ABCD Maior com sua carinha de moça de Napolis, seu sorriso de Julie Andrews e seu jeitinho de Mary Poppins e já ficava mais alegre. A menina minha parceira de redação é uma daquelas coisas iluminadas, daquele tipo de gente que quando você olha da vontade de dar um abraço. Falava do seu filhinho com a mesma doçura da flauta de Henry Mancini, com a mesma leveza da mão esquerda de Michel Legrand em cima das teclas do seu piano Stenway.

Orange Blosson, Ângela...

Tudo fica mais leve com ela. Quando a menina fala de gastronomia você a lê e fica com vontade de comer a página do jornal. Quando ela conta das agruras do seu Ônibus no Jd. Alvorada a gente ri. Ângela tem o encanto de um Mark Twain pra suavizar as coisas todas ae que assolam o humor de 90% dos tristes. E como ela consegue isso? Simples:

Ângela é feliz.

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Das coisas entre Rodrigo, Jim Marshal e a paz que pode haver perto do coração selvagem. Por uma questão de leveza no futebol brasileiro

Por Marcelo Mendez

As coisas com Rodrigo Pinto sempre são leves.

O amigo fotógrafo de lentes afiadas como as de Jim Marshal, tem cara de Jerry Garcia, barba do Allen Ginsbergh, tez forte e decidida, educação de gentleman e um coração hippie de fazer inveja a Madre Tereza de Calcutá. Perto da bondade de Rodrigo, o lendário Mahatma Gandhi fica parecendo um punk de Brixton assoviando um ska de Laurel Aitkem em 1977 pelo fog de lá de terras Britânicas.

Rodrigo Pinto é definitivamente um homem bom. Nosso primeiro contato foi na sala de café da Redação do ABCD Maior. O homem barbudo veio em minha direção enquanto eu relia algo que havia escrito, me ofereceu um pedaço de seu pão com mortadela, sentou e abriu um jornal pra ler. A princípio me chamou atenção o fato de ele ler resmungando baixinho, achei que me atrapalharia e quando eu ia reclamar ele me falou:

“Vou fazer um café. Você quer? Faço dois” - Me desarmou a primeira vez. A segunda, veio em um plantão que tive que fazer junto com ele em um domingo que São Bernardo do Campo parecia Kiev...

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Um passeio pelo lado selvagem das acácias com Rosângela Dias e Paulo Henrique Ganso, ou uma ode ao mestre Nilton Santos...

Por Marcelo Mendez

A primeira vez que vi Rosângela Dias na redação do ABCD Maior, fiquei intrigado.

A menina de cabelos longos pretos, escorridos pelas costas, tem cara de Joan Baez lindamente adornada com olhinhos de Helen Hunt. Rosângela é um daqueles paradoxos lindos, um contraponto digno de um capítulo do homônimo romance de Aldous Huxlei, bela sim, como um contraste filmado por Luis Buñuel em Este Obscuro Objeto do Desejo.

Quem a vê chegando para trabalhar, agarrada ao livro que sempre a acompanha junto ao seu peito pensa; “Menina meiga, lembra uma normalista”. Eu até pensei nisso. Mas quando eu conversei com ela a primeira vez logo tive repelida tal imagem. Eu fuçava no computador estupidamente, de maneira atabalhoada quando ela me me viu e falou resoluta:

“Precisa de senha. Espera que daqui a pouco te arrumam uma e então você liga”

Força! A pequena menina bonita me falou aquilo com a firmeza de Lee Van Cleef! Com a decisão de Romário diante do goleiro uruguaio no maracanã... Costa Gravas adoraria vê-la em ação naquele momento. Eu também gostei! Passei a observa-la...

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