Festival Expresso Jazz traz nomes consagrados e novos talentos do jazz brasileiro

Por Ana Mesquita | 

Em matéria publicada no Valor Econômico no inicio de junho e reproduzida em seu blog pessoal, Carlos Calado traz um retrato do atual cenário de crescimento de festivais de jazz, a quantidade de eventos do gênero no país têm crescido de forma promissora. Pra se ter uma idéia, até os anos noventa para assistir às novidades jazzísticas do Brasil e do mundo o Free Jazz era a única opção, e mesmo assim estava restrito ao eixo Rio-São Paulo. Hoje o cenário é outro, além do aumento do número de festivais, a distribuição pelo território nacional está mais democrática, caso do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, no Ceará,– o evento acontece também em Fortaleza e Sobral – o Garanhuns Festival em Pernambuco e o Festival Tudo é Jazz de Ouro Preto, em Minas Gerais. Aqui mesmo na capital vivenciamos em junho o BMW Festival que trouxe o ícone Wayne Shorter e realizou shows gratuitos na área externa do Auditório do Ibirapuera, registrado aqui pelo Pastilhas.

Considerada a melhor cidade para se viver, segundo a Hub Culture, São Paulo chegou a esse posto devido uma série de fatores, entre eles, a quantidade de cultura e arte que tem circulado na cidade no momento atual, nossa cena tá bombando, o mundo ta de olho na gente e Mariane Bonarde não poderia ter escolhido momento melhor pra começar a produzir o Festival Expresso Jazz, que acontece nos dias 9 e 10 de julho na FUNARTE e na Casa das Caldeiras.

Mais do que ser só mais um festival no meio do turbilhão sonoro pelo qual passa a capital paulista, o Expresso Jazz se propõe desde seu inicio a ser um festival de valorização dos músicos de São Paulo, e principalmente um lugar de encontro entre a nova safra e os veteranos no assunto. A programação não tá pra brincadeira não. Hot Café Club, São Paulo Ska Jazz, Marcos Paiva trio, Saunoflex, Popó Moreira e 3 de Paus. Além dos já consagradíssimos Bocato e Arismar do Espírito Santo. E claro, nosso representante master blaster da região nos palcos paulistanos, Otis Trio, que irá se apresentar em versão quinteto, com André Calixto no sax e Beto Montag no vibrafone.

Não tem sido fácil ouvir jazz, não por conta do gosto pessoal ou capacidade de apreciação, e sim, pela convenção social, o gênero ainda é visto como elitista, “coisa que intelectual escuta”, ou seja, volta e meia escuto um “mas tu é fresca hein, Ana”. Não é fácil consumir jazz, claro que com a internet tá mais acessível escutar e até mesmo baixar o que foi produzido nesse gênero ao longo dos 100 anos de sua existência. Mas ir aos shows ainda é caro, basta ver os preços do BMW.

Alguns festivais estão surgindo pra tentar mudar esse cenário. O Jazz na Fábrica, que aconteceu ao longo de todo o mês de maio no Sesc Pompéia, tá aí pra provar. Programação da pesadíssima (Knalpot, Fire!, Christian Scott, Archie Sheep, além de atrações brasileiras como Hurtmold e André Marques Quinteto entre outros), preços acessíveis e o mais interessante: workshops, cursos, palestras, oficinas. Oxalá que o evento seja anual.

O Expresso Jazz vem nessa mesma pegada. O evento é gratuito, artistas consagrados e novos talentos se apresentarão, e ocorrerão duas palestras com temáticas pra lá de interessantes. Liguei semana passada pra Mariane, curadora do evento, pra ela me contar mais sobre qualé do Expresso Jazz. Confira abaixo nosso bate-papo.

Pastilhas: Essa é a segunda edição do evento. Conta como que ta sendo a produção?

Mariane: Essa é a 2ª edição do Expresso Jazz, a primeira aconteceu no ano passado, em 28 de novembro, e foi uma loucura, porque foi logo em seguida do PIB (Produto Instrumental Bruto) festival no qual eu também trabalho na produção.

A primeira edição foi esquema “roubada”, descolei o equipamento com o pessoal da Associação Cultural Dinamite, que já é nosso parceiro no PIB também. Conversei com as bandas, elas toparam, arrumei um lugar pra fazer o festival e rolou o primeiro.

Esse segundo está em edital, o PROAC (Programa de Ação Cultural do governo do Estado de São Paulo), mas mesmo assim o edital não cobre tudo para organizar o festival do jeito que queríamos. Então surgiu a oportunidade de concorrer num projeto de ocupação dos galpões da FUNARTE – Fundação Nacional de Artes, ligada ao Ministério da Cultura. Então estamos realizando a segunda edição agora nos dias 9 e 10 de julho, na FUNARTE e na Casa das Caldeiras. Com patrocínio da Diageo e Buchanan’s, marca de whisky da companhia.

Pastilhas: Como surgiu a idéia pra realizar o Festival?

Mariane: A idéia surgiu a partir de outro projeto que eu organizava chamado Cafetinas, que unia café, jazz e cinema. O Expresso Jazz está no mesmo embrião do Cafetinas, inclusive na comunicação visual, e essa parada do antigo, vintage. No fim do ano passado surgiu um edital e eu resolvi mandar um projeto de última hora, e aproveitei a idéia original do Cafetinas e ampliei para realizar o Expresso. E tem também o lance da história de São Paulo, do trem que cruzava a cidade, o projeto é movido pela minha paixão por jazz, São Paulo e festivais. O Jazz ainda é visto como uma cultura elitista, e esse evento ser gratuito é uma forma de “deselitizar” ao gênero.

Pastilhas: E por que as palestras dentro do Festival?

Mariane: O expresso jazz também vai servir como um registro histórico, por isso a inclusão de workshops na programação. Quem são as pessoas, os lugares, quem são os novos talentos e quem são os artistas consagrados, são algumas informações que vamos fornecer para o público do festival. Não existe registro sobre a história do jazz em São Paulo, o único lugar que eu ainda não fui foi no Conservatório de Tatuí pra pesquisar na biblioteca de lá. Existe essa lacuna histórica sobre o assunto, porque no centro de São Paulo nos anos 50, 60 existiam várias casas de shows e tinha uma cena movimentada, sei disso de conversar com algumas pessoas que vivenciaram aquela época, mas não existe registro.

Então o que eu pretendo com as palestras é contextualizar o jazz em São Paulo. O Arismar já tinha essa palestra sobre a história do jazz em SP mais ou menos pronta, então ficou fácil. E o Marcos Leite, que irá dar a palestra sobre a história do jazz, é de Bragança Paulista, baixista doa Teatro Oficina, organiza um festival de jazz na cidade dele, possui várias especializações, vai ser bem bacana.

Sim Mariane, todos esperam ansiosos que seja bem bacana.

Confira abaixo a programação completa e local das apresentações:

9 de julho de 2011
Local: Complexo Cultural FUNARTE SP Endereço: Al. Nothmann, Nº 1058 - Campos Elíseos - São Paulo Censura Livre - Entrada Franca - Vá de Bike!

-14h30 Palestra História do Jazz Mundial (com Marcos Leite)
-16h15 Palestra História do Jazz em São Paulo - Sons da Cidade com Arismar do Espírito Santo
-18h Show: Otis Trio 5
-19h15 Show: Arismar e Thiago do Espírito Santo. Retirada de ingressos para shows a partir das 16hs (máximo 1 por pessoa)

10 de julho de 2011
Local: Casa das Caldeiras Endereço: Av. Francisco Matarazzo 2.000 – Água Branca – São Paulo Censura Livre - Entrada Franca - Vá de Bike!

- 14h00 às 21h Feira de Vinil
- 16h Oficina de Rítmica Percussiva com Gui Calzavara e Ito Alves
- 15h às 21h Shows: Bocato, Hot Café Club, São Paulo Ska Jazz, Saunoflex, Popó Moreira e 3 de Paus e Marcos Paiva Trio

Ana Mesquita é colaboradora do Pastilhas Coloridas e jornalista freelancer amante de cinema. Twitter: @anamesquitafoto
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