E tivemos mais uma partida de nossa Seleção Brasileira na Copa América de Futebol 2011. Neste sábado ultimo vimos em Córdoba o escrete canarinho suar sangue para empatar em 2x2 com os valentes Guaranys, do Paraguai com um golzinho de Fred na bacia das almas, aos 47 do segundo tempo, dando números finais ao embate. Pensando nisso tudo, vos digo caros leitores...
Eu não sei mais o que fazer para tentar entender o time do Mano Menezes.
Dessa vez tentei de tudo. Li um livro do Dee Brown, escutei um som de Monk Hiiggins, assisti um filme do Jaques Rivet, vi o jogo, revi o jogo, cantei um samba, comi tabule com manjericão, beijei a dama, fiz exercício da paciência e tal qual o amigo Roberto Frejat, até dormi de meia pra virar burguês e nada... Nada do que pode haver de mais simples ou mais complexo na vida, me faz compreender porque diacho esse nosso time insiste em penar para jogar futebol.
O time entrou em campo com o que tem de melhor, Neymar, Ganso, Alexandre Pato, Ramirez, Jadson e o tal do clamor das trombetas da critica meio que apoiavam as mudanças e as expectativas não tinham como não ser boas. Afinal de contas para o técnico Mano Menezes, futebol é posicionamento. Sendo assim, tudo treinado, tudo combinado, só poderíamos esperar por uma melhora. O problema é que o treinador se esquece que não é xadrez...
Sábado o Brasil entrou com um quadrado no meio de campo, dessa vez, centralizando os seus meias, Ganso e Jadson na expectativa destes, se aproximarem de Neymar e Pato e assim criar as chances que o time precisa para marcar os gols. Só que do outro lado tinha o Paraguai...
Da pra dizer que o futebol paraguaio mudou a partir de 1992 quando sediou por lá um pré-olímpico sub 23, revelando entre outros, Arce, Chilaverte, Rivarola, Cardozo, Insua, Ayala... E com esses despachou o Brasil e a Argentina e foi para as olimpíadas de 92 em Barcelona. Era o principio de um trabalho que vem dando frutos e mais frutos no esporte bretão. Basta olhar para a nação Guarany para entender a excelência de tudo isso que vos digo. São sete milhões de Habitantes dos quais 50% são mulheres. Portanto são pouco mais de três milhões de possíveis jogadores e dai, se tirar o material humano necessário para prática do esporte. Dessa maneira, os seus dirigentes e treinadores precisaram entender o que havia de mais peculiar no povo paraguaio para assim, ter sucesso ludopédico. Assim o fez.
Em 1998, na Copa da França, o time dirigido por Carpegiani montou uma verdadeira Muralha Guarany. A se lembrar; Chilaverte, Arce, Gamarra, Ayala e Insua. Mas nem com os canhões de Napoleão Bonaparte o time da França conseguiria vencer essa zaga! Ganhou de 1x0 naquela palhaçada de “Golden Gol” quando Ayala estava sendo atendido fora de campo com a clavícula quebrada. Então o Paraguai entrou para o mundo do futebol como um time especialista em sistemas defensivos. Isso é natural por lá, é da cultura do futebolista paraguaio. Dessa maneira, o ótimo técnico Gerado Martino, não se preocupou muito com essa parte do time. Decidiu preparar o resto e aí vem o susto de mano Menezes.
Sábado o Paraguai apresentou no seu meio campo dois jogadores muito bons: Riveros e o excelente Estigarrybia. O primeiro, um segundo volante que marcava tudo do lado direito do campo paraguaio, enquanto o segundo, dinamitou o Brasil pelo lado esquerdo, deitando em cima de Daniel Alves. O resto foi o beabá do futebol...
Quando um time é montando com um quadrado no meio campo, fica muito fácil para um time forte defensivamente se dar bem na cousa. O Paraguai adiantou seus jogadores para fazer o que eles mais fazem bem, marcar. Marcaram forte, chegaram junto mesmo, beliscando todas as bolas, dando trombada para fazer de tudo e ter a bola. Quando a tinham era só jogar pra Estigarrybia partir em velocidade pra cima da estabanada zaga Brasileira.
Logo aos 2 minutos essa pressão deu certo. Era para Roque Santacruz marcar 1x0, mas o caboclo isolou a bola, mandando-a para os ares. O Brasil, no bumba meu boi, conseguiu fazer 1x0 com um chute de Jadson de fora da área. Virou o jogo nessa enganosa vantagem e a viu ir para o espaço em duas bobagens de Daniel Alves, resultando a virada paraguaia. E não assustou mais ninguém até que por acidente, conseguiu o empate em 2x2 no fim do jogo. Placar final fica assim;
Brasil 2x2 Paraguai.
Agora fica a questão para ser avaliada, “será que foi bom esse empate?”
Lógico que ninguém quer que o time perca, mas me parece muito raso a segurança das pontas em um empate pífio, numa partida medonha do time brazuca. Até quando vai se esconder as cousas erradas? A seleção brasileira “treina os técnicos” para a copa do mundo. Mano Menezes erra, em cima de erro, não admite nada disso e assim não sei se teremos algum tipo de evolução. Sendo assim, o Brasil vai para mais um jogo contra o Equador, dessa vez valendo a sua estada na competição.
Tomara que dessa vez o nosso técnico não se “assuste” com a partida...
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
