Por Carolina Vitorino e Priscila Tâmara |É com o objetivo de solucionar problemas sociais e ambientais que nasce a sustentabilidade. Historicamente podemos dizer que as questões ambientais começaram a tomar força principalmente na década de 70 com a Conferência de Estocolmo, o lançamento do livro “Os Limites do Crescimento” e a fundação do Greenpeace. O que vivemos hoje é uma intensificação do que se começou a discutir naquela época.
A moda, como uma grande indústria, acompanha as tendências de mercado e consumo, e acreditamos que seja até uma necessidade dessa indústria de inserir novos materiais e formas de produção não só porque o assunto está em pauta, mas porque há uma necessidade real em desenvolver formas sustentáveis de se manter, para que num momento crítico estejam preparadas com fontes renováveis.
Se é bonito ou não dizer que o produto é “sustentável” não vem ao caso. O fato é que gera uma mudança que vem para o bem, e é isso que importa. Hoje, grandes marcas e estilistas consomem materiais ecológicos cada vez mais inovadores e menos agressivos para o meio ambiente, como linhas e tecidos de algodão orgânico, fibras de bambu, pó de café, milho, algas e outros. E essa história ainda traz uma reflexão social junto com ela que gera parcerias e soluções sempre benéficas. Em 2005, por exemplo, Ali Hewson e Bono Vox se uniram para criar a EDUN, uma marca de roupas produzidas com tecidos orgânicos por comunidades locais da África, que carrega consigo a responsabilidade social de criar negócios e emprego sustentável, com compromisso e ética, gerando emprego e desenvolvimento em regiões carentes disso.
Na Europa e Estados Unidos muitas marcas incentivam seus consumidores a reciclar e reutilizar as roupas, fornecendo vouchers de desconto para os consumidores que trazem peça em doação. Muitas peças sem condição de uso são transformadas em novas fibras que são utilizadas em sistemas de isolamento térmico e produção de energia.
No Brasil podemos citar a Osklen como uma das pioneiras na utilização de tecidos reciclados e orgânicos e diversos estilistas que desenvolvem trabalhos sociais com cooperativas e artesãos, como Walter Rodrigues com o projeto Pernambuco com Design, que mostra às artesãs a importância de agregar valor ao produto, fazendo bom uso dos materiais e suas cores. Ronaldo Fraga com os grupos: Coxim, no Mato Grosso do Sul e Paraíba (que trabalham com pele de peixe e renda labirinto) e São Borja, no Rio Grande do Sul (com lã e crina de cavalo), entre outros.
O que ainda hoje torna inviável o consumo das roupas chamadas de ecologicamente corretas é o seu preço. Devido à baixa produção e à pequena oferta de matéria-prima, esses produtos ainda são muito caros. Uma camiseta de algodão feita de tecido orgânico, por exemplo, custa três vezes mais do que uma produzida pelos métodos tradicionais.
Mas existem outras opções enquanto o custo não nos beneficia. Para se vestir como quer não é preciso entrar nessa onda de consumo desenfreado que impera no mundo. Os brechós, por exemplo, são baús cheios de idéias, cores e formas de onde podem surgir novas produções recicladas. Olhe para aquele vestido e imagine-o sem aquela manga, mais curto, mais justo, com um cinto, sobreposto, enfim, divirta-se e recrie-o conforme a sua vontade. No Brasil ainda não temos a cultura de brechó como ela existe na Europa e Estados Unidos por exemplo. Aqui ainda existe um certo preconceito com as roupas usadas, e por que isso? Visitamos um brechó nesse fim de semana que ficamos pasmas de tanta coisa em estado semi-novo, de tecidos espetaculares que encontramos por lá.
Reivente! A moda não é e não precisa ser o resultado de um consumo inconsciente, a moda te dá à oportunidade de criar com as roupas, de se divertir com elas. Utilize-se dela, sem preconceito.
* Pra quem ficou interessado em conhecer o brechó aí vai o endereço:
Brechó Capricho à Toa:
Rua Heitor Penteado, 1096 – casa 08
Sumarezinho – São Paulo-SP
Carolina Vitorino cursou Produção de Vestuário e atualmente se aprofunda em Modelagem. Priscila Tâmara estuda e trabalha com Modelagem Geométrica e cursou Merchandising p/ Varejo de Moda.

