Por Claudio Cox
Hoje elas são fetiche, objetos de adoração e até decoração em alguns casos, mas as velhas demo tapes, assim como os fanzines – além de instrumentos de movimentação da cultura independente em décadas passadas – fizeram (e muito bem!) o papel que é desempenhado pelos Blogs e por todos esses outros mecanismos virtuais de agora.
Era quase uma aventura gravar uma demo tape há uns 20 anos atrás. Claro que eu acho ótimo a facilidade de gravação e divulgação de hoje, a coisa é muito mais abrangente e veloz, mas no entanto, perde-se o contato humano, a terceira opinião. Em alguns casos perde-se a noção também, mas isso é um outro assunto...
As bandas, em outros tempos, precisavam de um estúdio de gravação – agora precisam também, mas antes era algo imprescindível – e justamente aí que técnicos, músicos e afins faziam diferença em processos criativos. Gravar um demo dentro do seu quarto, mostrar pra dois primos e diponibilizá-lo no MySpace pode ser bem prático, mas a praticidade muitas vezes é a inimiga número um da criação.
Lembro-me quando fui gravar minha primeira demo tape – até então ensaiávamos num quarto no meio de três beliches e não tínhamos nenhum contato com outras bandas e músicos – e o quanto foi legal todo aquele processo. As primeiras apresentações surgiram daquele convívio com outras pessoas relacionadas com música.
Dessa época ainda restam aqui na minha estante alguns exemplares de demo tapes, a grande maioria de bandas do ABC Paulista com as quais dividi o palco muitas vezes. Entre as clássicas demos do Negative Control – banda de hardcore de SBC – e a segunda demo de 1995 da hoje veterana Nitrominds, está a minha preferida, a primeira e única (eu acho!) demo do Ox Frog, power trio de Santo André liderada pelo agora diretor premiadíssimo de vídeos Fernando Sanches.
Outra recordação legal é a do famoso vídeo clipe do Negative Control que foi produzido pelos alunos da Metodista em SBC no final de 1998. Entre os envolvidos estavam a Lovely Rita – hoje minha mulher – e meu amigo Cassiano Zoboli. Eu não conhecia nenhum dos dois na época da gravação, e quando, depois de alguns anos descobrimos que tínhamos o Negative Control em comum nas nossas vidas, foi a constatação máxima do clichê: “Como esse mundo é realmente uma roela!”.
Voltando aos dias atuais, depois de ser dado como morto inúmeras vezes, o nosso querido bolachão é realidade novamente (pelo menos na gringa), e há algum tempo atrás descobri que esses mesmos selos independentes ressuscitaram também a velha fita K7 como uma das mídias para os seus respectivos lançamentos. Uau!
Aqui no Brasil o selo Pug Records de Juiz de Fora – MG, entrou na onda e já disponibiliza alguns títulos nacionais no formato K7, além de outros gringos. Espero que essa idéia espalhe-se por aqui, não por modismo, mas como um novo conceito de comercializar arte.
De olho no passado seguimos em frente...
