Por Tadeu Alcaide
De tempos em tempos o rock tenta trazer de volta a simplicidade e a diversão que tinha quando surgiu, em meados dos anos 50. Foi assim quando o Punk apareceu nos anos 70, como uma resposta à onda Progressiva que estava deixando o rock muito complicado e chato. Nos anos 90 aconteceu algo semelhante com o Grunge.
Já nos anos 2000, o White Stripes veio mostrar que era possível fazer um som visceral em formato de duo, utilizando apenas guitarra e bateria para destilar doses cavalares de garage rock, blues, e punk, abrindo caminho para outras bandas se firmarem neste mesmo tipo de terreno, como The Black Keys, Blood Red Shoes, The Kills, entre outros.
A dupla sergipana The Baggios, formada por Julio Andrade (Guitarra e Voz) e Gabriel Carvalho (Bateria), reza nesta mesma cartilha, onde menos equivale a mais, fazendo um som altamente energético, com riffs arrebatadores e composições que cativam o ouvinte logo na primeira audição.
Depois de um EP e uma porção de singles virtuais, eles chegam a seu primeiro álbum de estúdio, recém lançado pelo selo Vigilante (Deckdisc), onde rapazes utilizam toda crueza e simplicidade a serviço de um blues rock com texturas garageiras, desprovido de firulas e modernidades tecnológicas.
Logo na faixa de abertura “O azar me consome” a dupla já deixa claro seu poder de fogo. Outros petardos são descarregados, um após o outro, sem que a banda perca o fôlego.
São 14 faixas que exalam boas referências, de Jimi Hendrix a Rolling Stones, porém soando de maneira bem distinta, como se eles apenas tivessem utilizado a mesma matéria prima para construir uma coisa diferente. Um exemplo disso é o vocal de Julio, que em certas músicas chega a remeter a Raul Seixas, mas de um jeito como nunca ouvimos o roqueiro baiano cantar, sobre uma base instrumental mais pesada e abrasiva. Em “Pare e Repare” isso fica bem evidente.
Algumas participações adicionam mais sustância ao álbum. Hélio Flanders (Vanguart) canta em “Morro da Saudade”, Léo Airplane (Plástico Lunar) toca órgão em quatro faixas, enquanto Mário Augusto e André Lima tocam Sax e Trompete, respectivamente, em “Quanto mais eu rezo” e “Candango’s Bar”.
Um belo trabalho de estréia, que aponta para um futuro bastante promissor para a banda, que juntamente com o Plástico Lunar, incluíram definitivamente o Estado de Sergipe no mapa do atual cenário do rock brasileiro.
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