![]() |
| Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, onde acontece anualmente o Festival de cinema da cidade |
Por Bruno Módolo |
A Febre do Rato, de Claudio Assis foi o grande vencedor do Festival de Paulínia de 2011. Ano após ano, o festival vem se tornando o mais importante do país, e tão logo vai superar o tradicional Festival de Gramado. Eventos como esses são importantes para o cinema, não só no Brasil como no mundo. É uma ponte para lançamentos, um teste para os filmes, a grande hora para se reconhecer os bons e os péssimos trabalhos. Mas uma coisa é certa, no fundo, esses prêmios não valem nada.
Existem tantos por ai e todos entregam uma quantia em dinheiro. É muito bom para os artistas premiados. Ganhar dinheiro é bom. Mas um filme premiado nem sempre significa que é realmente o melhor. Não há critério objetivo e racional para se avaliar um filme. É puramente gosto. É claro que os juízes dos festivais são pessoas do meio, entendidas no assunto e muito inteligentes. Filme ruim a gente exclui na hora. Só que não tem como se avaliar uma obra artística e dizer que essa é melhor que aquela, cada um compreende de uma maneira. Não dá para comparar um drama político com um drama pessoal, se os dois filmes forem bem construídos, bem realizados e emocionantes dentro de suas proporções. São apelos diferentes e nada racional justificará a escolha de um ou de outro.
Na Ginástica Olímpica, por exemplo, os atletas são avaliados por itens bem racionais. Os juízes medem a precisão do movimento, o grau de dificuldade, se cumpriu o plano como anunciado. E vão tirando décimos da nota para cada erro. Quanto mais grave for o erro, mais pontos são tirados. Fica bem claro para o atleta trabalhar a sua perfeição.
A avaliação dos filmes nos festivais de cinema não é como a da ginástica. Não avaliam: o roteiro, a fotografia, a atuação dos atores e vão tirando pontos pelos erros. Tudo é muito subjetivo. Tanto que quase nunca os escolhidos são unânimes e o prêmio do júri quase sempre é diferente da escolha popular.
Analisando a cena de Beleza Americana, onde o Lester Burham, interpretado por Kevin Spacey, está voltando para casa fumando um baseado e ouvindo American Woman depois de pedir demissão, podemos tirar duas conclusões. Se você já passou por um momento como esse, onde se sentia preso por alguma coisa, privado de curtir coisas que antes curtia, vai se identificar com a atitude do personagem. Mas se você nunca passou por isso, vai achar a cena ruim, preguiçosa e muito superficial. Se você for um juiz de festival, pode derrubar ou levantar o filme só por isso.
No Oscar de 2011, O Discurso do Rei foi o grande vencedor. Será que é o melhor filme mesmo? Ou é o melhor entre os que competiram? E se estivesse em 2004, quando o Senhor dos Anéis O Retorno do Rei arrebatou 11 prêmios, será que venceria? Entre os dois, qual é o melhor?
No fundo, não interessa. Ter um prêmio de cinema é ótimo para o ego do artista. Se for um grande prêmio, seja do cinema comercial ou independente, é ótimo para os negócios. O mais importante é se o público realmente gostou do filme, se ficou envolvido e comprou a história. Esse sim é o melhor prêmio para se orgulhar de ganhar.
Por isso, Guerra ao Terror poderia devolver o Oscar de 2010.
Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, Cinema e Publicidade. Twitter: @brunormodolo
