Álbuns Clássicos - SUA MAJESTADE O REI DO RITMO (Jackson do Pandeiro)

Clique na imagem e vai que é sua...
Por Marcelo Mendez

De tempos em tempos a critica inventa de arrumar um novo Rei pra musica brasileira. Uma mania que sinceramente não entendo. Não sei por que as pessoas dependem desse tipo coisa. Invariavelmente, na busca desses monarcas, são intitulados despoticamente uns elementos um tanto duvidosos e o título da Real Grandeza nunca vai pra quem é merecedor de fato. E já que é o assunto é a realeza a coluna ALBUNS CLÁSSICOS vai trazer essa semana, um, que não precisa de coroa para firmar sua nobreza. Senhores e senhoras, bêbados e sóbrios, moças sérias e mundanas, com vocês sua majestade o rei do ritmo; JACKSON DO PANDEIRO.

No ano da graça de 1919, em Alagoa Grande, interior da Paraíba nasceu José Gomes Filho. Filho de artistas populares, desde cedo passou a ter contato com a herança negra da musica nordestina via cocos originários de Alagoas. Dessa forma, com o auxilio de seu inseparável pandeiro, começa a adaptar esta batida, aos sincopados sambas cariocas. A partir de então forma-se um estilo único e inconfundível. Jackson cria um recurso vocal para dividir suas musicas como nenhum outro cantor da musica brasileira.

Em 1954 chega ao Rio De Janeiro trazendo paras as grandes rádios e televisão, toda a riqueza dos cantores das feiras livres do nordeste. O sul do Brasil passa então a conhecer o coco, o rojão, o martelo, o galope, xote, forró, xaxado e toda a gama de ritmos até então desconhecidos.

E seguida o empresário Vitório Lattari o convida para a gravação de alguns compactos. Mas não dava pra ser com o nome Zé Gomes... Aí, devido a um filme de western, ele vê lá um matador de nome Jack Berri e se torna JACKSON DO PANDEIRO. Junto com sua companheira Almira, ex-professora de rumba e mambo, grava o primeiro compacto e emplacam a embolada Um a Um. E nunca mais a musica brasileira foi a mesma.

Ao longo das décadas, seu talento vem sendo reconhecido pouco a pouco. Gilberto Gil regravou CHICLETE COM BANANA em 1972, Alceu Valença fez uma versão para PAPAGAIO DO FUTURO em 1974 e por aí vai. A música brasileira parece que tenta enxergar um de seus maiores gênios a passos de elefante. Mas eu ainda tenho a esperança que um dia, nego encha a boca pra falar JACKSON DO PANDEIRO da mesma forma que ou outro por aí diz... Bom deixa pra lá...

Trago hoje para os senhores um disco fundamental para a história da musica brasileira, ainda que esta música brasileira não saiba disso... SUA MAJESTADE O REI DO RITMO de 1960 é um disco fabuloso, com uma porrada de clássicos do "homi", Sebastiana, Xote De Copacabana, Forró em Caruaru e muito mais.

Bora caír no xen-nhein-nhein!



Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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