A miséria de chuteiras e o levante dos tecnocratas ludopédicos... A nova ordem da cretinice fundamental

Por Marcelo Mendez

E lá se jogou mais uma rodada do nosso Campeonato Brasileiro de Futebol.

Em um fim de semana ressaquento de dia dos pais, aqui de São Paulo, entraram em campo, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, todos eles vivendo suas agruras que deflagram o que temos de mais pobre em nosso universo ludopédico tupiniquim, mas bem... Será que interessa para a gente que gosta da pelota rolando, ver toda hora essa flagrante pobreza? Seguinte...

Na semana ultima, tivemos o FIFA Day, que é uma rodada destinada a datas internacionais para jogos de seleções. As principais entraram em campo e o Brasil foi à cancha em Stuttgart para enfrentar a Alemanha. E por lá os tedescos deram um cacete na gente por 3x2, mais um baile, com caixa pra mais e isso tudo deixou um quadro estarrecedor para todos nós...

O que fazer? Quem chamar? Bem resposta para mim é muito simples.

Ninguém. Não chamemos ninguém e vamos lembrar quem esta por lá: o técnico.

Essa figura triste de nosso futebol, quando muito, ajuda se não se meter muito, se não aparecer, se não encher o saco. Eduardo Galeano definiu muito bem a coisa quando escreve em seu maravilhoso FUTEBOL AO SOL E A SOMBRA que, “Técnico diz; Vamos trabalhar” enquanto o Treinador diz “Vamos Jogar”... Não temos mais em nossos campos a doce figura do treinador, do mestre, do conhecedor. Em troca deles, hoje estamos entregues aos Tecnocratas da Ordem, aos burocratas pífios auto-intitulados “professores”, munidos de um academicismo calcado nas faculdades integradas Lair Ribeiro, com pós doutorado em meia dúzia de livros de auto ajuda.

Mano Menezes é o principal esteta dessa nova ordem.

Gaucho de bons modos, polido, programado tal e qual um fantoche para dizer “Sim, sim, sim”, o funcionário do Ricardo Teixeira subverte toda a história do futebol brasileiro para montar na seleção brasileira, uma espécie de Bragantino, de Xv De Jaú ou, para ser mais “Chique” e mais “Globalizado” como queriam, numa Romênia da vida... A seleção nossa joga com dois volantes recuados, que não saem para jogo, porque NÃO SABEM sair para o jogo, tem um meio campo desprovido de meias criativos porque o moço gaucho precisa de gente pra marcar, (afinal de contas, se perder mais umas duas partidas de certo perderá seu emprego) é teimosamente burro ao manter André Santos como titular da seleção e após mais uma sapatada, vai aos microfones para dizer “Eu vou fazer mudanças” como se isso fosse o segredo da caixa de pandora! Oras, ganha pra que o maldito? E essa coisa se alastra por nossos campos.

No sábado tivemos no Morumbi o São Paulo empatando em 2x2 com o Atlético Paranaense. O time do Morumbi tinha tudo para vencer o jogo e chegar a liderança do campeonato. Enfrentaria um Atlético pressionado para sair da zona de rebaixamento e em função disso, até minha Tia Leíta, lá em Exu no pé da serra do Araripe, sabia que os paranaenses viriam fechadinhos tentando um ou outro contra-ataque para achar uma bolinha da sorte. E assim fez. Dessa forma conseguiu furar a zaga tricolor duas vezes e aí a pergunta:

E o técnico?

Meu deus do céu... E o técnico?? Teve uma semana inteira de treinamentos, palestras, “projetos”, falácias... Como não sabia o que viria pela frente?? Como diabos não tinha lá algo planejado para seu time jogar e fugir da coisa mais óbvia e mais cretina da história do futebol que é a maldita da retranca? Um simples ferrolho com 7 jogadores no meio campo mais, um isolado Morro Garcia dando trombadas com a zaga são-paulina e pronto, o time do Morumbi não jogou e se salvou com um golzinho de Rivaldo na bacia das almas empatando o jogo.

O meu Palmeiras é uma coisa deprimente. Tem Dinei, Marcio Araujo, Vinicius, Tinga, Chico, um bando de “comuns” e o pobre do Kleber tão sozinho, tão solitário quanto o personagem de Bette Davis em “O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?” no ataque. O moço passa uma bola e os comuns lhe devolvem uma cadeirada na fuça! Fica difícil... E então em São Januário o Palmeiras perdeu pela segunda vez na semana para o Vasco por 1x0. O técnico Luis Felipe Scolari, pessoa que respeito demais, chega aos microfones depois do jogo e ao menos é sincero vá; “Mas o que temos de melhor é isso aí mesmo que foi ao campo, não tem mais o que fazer”. É não tem, quem tem que fazer? Eu?! Quem é que recebe pra treinar o time? Oras...

No Pacaembu, outro 2x2 entre Corinthians x Ceará. O time do Parque São Jorge, com um bom time até, se relega a jogar no mesmo ritmo de seus volantes Ralf e Paulinho, com uma cautela irritante, demasiada, uma busca idiota pela tal da “Meta que são os três pontos”, com uma obviedade nojenta e irritante, tudo orquestrado pelo seu treinador que se nega peremptoriamente a ser claro e simples. Mete lá um linguajar empolado no fim do jogo, que não explica nada, mas que fica bom para vinhetas e chamadas de programas de esporte. Seria Tite então uma nova promessa para palestras de fim de ano, ou stand up que está tão na moda??

É triste...

Em Curitiba após o Atlético Mineiro levar uma tunda de 3x0 do Coritiba, o seu técnico Cuca foi aos microfones e bradou tal e qual um Costa-Gravas:

“Faltou o time sujar mais o calção” 

Pois é. Em um esporte com futebol, algo tão simples e tão rico, em um universo tão bom de viver, aparece um desses tecnocratas pra dizer que time bom joga com bunda no chão, dando carrinho, correndo feito um cão rothwailler. Não seria mais fácil apenas jogar bola? Bem a pelota seguirá e veremos como seguirá as próximas rodadas.

Ou seriam as “próximas dinâmicas de grupo”?!?!?

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
Share: