![]() |
| Cena do filme Big Fish, de Tim Bourton. |
Por Bruno Modolo |
Cinema é imagem, emoções e conflitos traduzidos para imagens. Partindo disso, há quem critique o uso de diálogos, de narrações e até mesmo da música. Tudo tem que ser em silêncio, a interação dos personagens tem que ser só com gestos e olhares, as ações se desenrolando sem ninguém abrir a boca. Talvez não seja bem por ai.
Que a imagem tem que contar tudo isso sim, que as cenas precisam acontecer e não serem explicadas, é verdade, mas o uso da fala no cinema é importantíssima. Entre os filmes mais falados de todos, e nem por isso são ruins, estão os de Woody Allen. Todas as cenas têm diálogos quase que intermináveis, sempre sobre arte, política, filosofia e um monte de coisa que não faz parte do mundo dos mortais. Alguns filmes do Woody são brilhantes, outros nem tanto, sem tem a ver com o excesso de falas.
O filme Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, de Tim Burton, é bom, emocionante e tem uma quantidade de narração impressionante. Só que a narração não atrapalha, não conta as coisas que estamos vendo na tela e sim conduz a gente pela história. Tropa de Elite 2, de José Padilha, peca, pelo contrário, em algumas partes pelo exagero na narração, que explicam os pensamentos do Capitão Nascimento, mostram as coisas que já estão na cena, mas nem por isso deixa de ser um grande filme. É só um deslize que aconteceu.
Por isso que as obras de Michelangelo Antonioni, considerados um os mestres do cinema europeu, com filmes contemplativos, silenciosos, são bons exemplos para o uso do diálogo. Seus trabalhos não são totalmente calados, porém nenhuma conversa é gratuita, nada é inserido para explicar o que o personagem está sentindo ou vai fazer, tudo é criado para ajudar o filme a acontecer.
Os diálogos e narrações podem ser usados porque nós somos seres falantes, fofoqueiros demais, ficamos irritados se não tem ninguém com quem conversar. Criar metáforas visuais para tirar os diálogos das histórias só vai tornar tudo maçante, exigindo demais do intelecto e correndo o risco da história não ser compreendida.
Se há o ditado que, uma imagem vale mais do que mil palavras, podemos criar o inverso. Pense na seguinte situação: Você entrega o trabalho para seu chefe ou cliente, que depois de analisar, olha para você sorrindo. Isso revela que ele ficou satisfeito. Mas se ele sorri e diz, “caralho”, revela que ele ficou extremamente satisfeito. Uma só palavra aumentou muito mais a força da cena do que um milhão de metáforas visuais juntas.
E parabéns Pastilhas Coloridas. É só o primeiro ano.
Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, Cinema e Publicidade. Twitter: @brunormodolo
