Por Vinicius Alves
Roberto Burle Marx é um dos grandes nomes brasileiros e todos sabemos de sua importância como criador.
Ocorre que além de artista plástico brasileiro de renome internacional, como arquiteto-paisagista, Burle Marx tem uma ligação direta com a nossa região, mais especificamente com Santo André.
Quando você percorre as ruas centrais de Santo André e se depara com os desenhos das calçadas, lembrem-se: você está pisando em formas geométricas e artísticas pensadas e idealizadas pela equipe de Burle Marx e Rino Levi, outro grande arquiteto e um dos maiores nomes do modernismo no Brasil.
Localizada na área da antiga Chácara Bastos, comprada pela família de mesmo sobrenome em 1890 e loteada em 1922, a obra contratada pelo prefeito Fioravante Zampol em 1967 começou a tomar forma apenas em 1969, com suas calçadas inovadoras que fugiram aos desenhos em ondas consagrados a partir de Copacabana, no Rio de Janeiro.
O prédio do Fórum, que não faz parte do projeto inicial, foi idealizado pelo arquiteto Jorge Bonfim, respeitando o estilo das demais construções, e inaugurado ainda nos anos 70.
Burle Marx está presente em outras formas no cotidiano andreense, como no mural em concreto no saguão do Teatro Municipal, na gigantesca tapeçaria de vinte e seis metros de comprimento por três de altura feita especialmente para decorar o interior do Paço Municipal e também na praça da Igreja São Judas Tadeu, no bairro Campestre, em Santo André, que infelizmente foi descaracterizada com o tempo.
Apesar do conjunto arquitetônico do Paço Municipal ter sido tombado, em 2010, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat), resta a nós preservar esse importante pedaço que temos tão perto de nós, desse mestre das formas e paisagismo.
Parabéns seu Roberto... Afinal depois de tanto tempo, já somos íntimos.




