Por Bruno Módolo |
Não é garantido que um best seller, uma peça que lotou teatros, um clássico dos quadrinhos ou qualquer outra história famosa vire um filme bom. Porque, primeiro de tudo, cinema é diferente das outras artes. A maneira como o cinema tem que ser pensado não é igual. E segundo, o público pode ter mudado. Muitos sucessos em outras artes demoraram anos para virar o que são, assim, os fanáticos acabam ficando pra trás e os mais jovens nem sabem do que se trata.
Outros fatores também influenciam, mas ai entra na questão da produção cinematográfica, como no caso de Lanterna Verde, uma adaptação que virou um grande filme ruim. Supondo que Lanterna Verde fosse uma ideia original, seria pior ainda porque a produção falhou. O ator não segura o papel, os efeitos especiais são medianos e até o roteiro abusa dos clichês. Com isso tudo, só não vai virar um dos piores filmes de todos os tempos porque tem a força do Lanterna Verde, grande super herói da DC Comics, que vai usar seus poderes para amenizar tudo.
A franquia Homem Aranha apresenta os dois lados, filmes excelentes e filmes horríveis. E nesse bolo podem entrar Super Homem, Batman, Hellboy e muitos outros. Falando de adaptações do teatro, no Brasil, Irma Vap foi um grande sucesso nos palcos, mas um horror nas telas. Caixa dois então, nem precisa falar. O Apanhador de Sonhos, adaptação do livro de Stephen King é um filme horroroso, embora o livro seja visto como bom dentro dos padrões Stephen King. Agora, Um Sonho de Liberdade, também adaptado de um livro de Stephen, é um grande filme. Mesmo caso de Cidade de Deus, onde o filme superou o livro escrito por Paulo Lins.
![]() |
| Clique na figura e veja o trailer |
O filme Perfume, a História de Um Assassino, adaptação do livro O Perfume de Patrick Süskind, é considerada uma das grandes adaptações do cinema, porque o livro tem uma característica bem particular, de literatura e que o transforma num grande romance. A essência disso foi bem entendida pelo diretor do filme, Tom Tykwer, e pelos roteiristas, por isso o filme é realmente bom, tanto quanto o livro.
E é por ai que podemos explicar o que acontece com as adaptações. Os filmes têm que ser concebidos de maneira diferente, pensados isoladamente da história original. Num filme adaptado, os conflitos e o arco do personagem não precisarão ser pensados, porque tudo já foi criado pelo artista autor do original. O que tem que ser pensado é como levar a essência para as telas. Em Perfume, Tom se preocupou muito em como fazer o público ter as mesmas sensações e emoções que os leitores tiveram, pois o resto já estava bem criado.
Parece que em algumas adaptações são displicentes, não respeitam a essência das histórias e ainda esquecem o público. Essas adaptações ruins se prendem à força das histórias nas outras artes, só que isso não será suficiente. O resultado final é um filme que não tem nada do original, nem cara de novo, é um limbo gigante onde o público é jogado. Realmente, fazer uma adaptação é difícil, exaustivo e muito perigoso. Quem quer moleza, dinheiro fácil, é melhor procurar outra coisa.
Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, Cinema e Publicidade. Twitter: @brunormodolo
