Álbuns Clássicos - THE PAYBACK (James Brown)

Clica na capa que o presentinho tá lá...
Por Marcelo Mendez

A conversa com esse disco começa no ano da graça de 1992, quando eu era um moleque de meus 22 anos, atrás de discos de blues e soul pelas bancas de Santo André. Numa dessas conheci Chico e Tonho, irmãos e donos da melhor banca de discos do abc, a Rebel Music. Foram esses dois caras que me ajudaram demais a montar minha coleção de bolachas de blues e eu não passava dois dias sem ir lá consultá-los atrás das minhas coisas.

Em uma dessas idas, foi o Tonho que me falou:

“Marcelo, você gosta do Brown?”

“Ah Tonho conheço pouco, mas gosto bastante sim. Tenho lá umas coletâneas dele, muito boas...”

“Hum... Faz assim ó; Leva esse disco aqui, sem compromisso. Ouve lá, aqui se você gostar a gente negocia...”

Peguei o disco, dei uma olhada e falei:

“Ah legal. “Payback”. É bom o disco, Tonho?”

O amigo riu e respondeu:

“Ouve lá Marcelo. Depois você me diz”

Ouvi sim. Ouvi e depois disso, voltei e paguei feliz da vida por um disco que ainda ouço hoje, passados quase 20 anos. E para contar a história de Payback e seu criador, a coluna Álbuns Clássicos convida os senhores para maaaaaaaaaaaaisssss uma viagem pelo maravilhoso mundo das bolachas encantadas...

Com vocês, James Brown e o seu seminal Payback.

Nascido então James Joseph Brown Jr. Na fase da depressão americana de 1933, o lendárioooo, o magnífico, o dono na porra toda, tido como The Goldfather Of The Soul... James Brown já vinha causando estardalhaços no meio musical dos anos 50 e 60. Começou dar suas cacetadas em 1956 e nos anos 60, com apresentações e performances ao vivo pra lá de dinamitantes, se consolidava bonito pelo show business. Arregaçava bonito mesmo com mega hits como “Night Train”, “Please, Please, Please”, entre tantos outros. Em 1963 montou sua primeira banda, a Famous Flames e com ela, bancou o lançamento de “Live At Apolo” pra fazer história.

Foi lá, com a ajuda do magnânimo Allen Toussaint, que começa a desenvolver uma outra diretriz pra seu som. Queria uma parada mais nervosa, com mais velocidade, mais punch, com os metais mais no ataque e com temas que fossem mais atuais com a situação política e social dos negros do final dos anos 60.

Dessa busca da contemporaneidade, nascia então que se convencionou chamar... Funk.

E começa a catarse...

Brown muda a estrutura de sua banda toda, chama um caboclo que tocava em orquestra sinfônica, professor de musica, nego eruditão mesmo, de nome Fred Wesley, que por sua vez, traz um outro, mulherengo, negão bonito, metido a derrubador de quenga, chamado Maceo Parker, cria feroz do beebop e então, com mais Fred Thomas, St. Clair Pickney e o revolucionário Bootsie Collins se revezando no Baixo, mais a guitarra suingante de Jimmy Nolen, tava montanda a espinha dorsal daquela que seria a banda responsável pela história do sacolejar-das-ancas-alheias... a THE JB'S BAND.

Com ela, Brown fez discos antológicos.

Cold Sweet (1967), Say It Loud – I'm Black, I'm Proud (1968) Sex Machine (1970) Get On The Good Foot (1972) e as burras cada vez mais cheias de grana! Brown consegue então quebrar todos os paradigmas de um musico negro naquele começo de anos 70. Compra sua própria radio a WGYG em Knoxville só pra tocar músicos negros, mantém projetos musicais paralelos de todos os seus músicos e passa a colaborar gratuitamente para um movimento cinematográfico que vinha nascendo nos subúrbios negros dos EUA, a Blaxploitation. E ae, numa dessas que nasce o embrião de The Payback...

Em 1973 o ótimo cineasta Larry Cohen procurou o King para uma trilha sonora de um filme que ele fazia, o tal INFERNO UP HARLEN. Dado todos os argumentos, Brown gostou da coisa, junto a JB's entrou em estúdio e sentou o pau! Gravou um disco de sons supremos como a abertura fodastica da trama com o mega-hit “The Payback”, botou o povo pra balançar a mexeriqueira bonito com músicas como "Doing the Best I Can", "Shoot Your Shot", "Time Is Running Out Fast" e a catartica “Mind Power”. Um espetáculo de disco. Aeee quando foi entregar o seu amigo Cohen mandou:

“Ta até bonito ma num é funk o suficiente...”

Bem, a banda teve trabalho pra desatracar os amigos que saíram na porrada bonito! Mas tá... A parada não saiu no filme, mas Brown era cascudo:

Lançou do próprio bolso um disco duplo! Com todas as faixas, arranjos originais e toda sua concepção para um disco que foi um verdadeiro trevo nas cabeças dos seus admiradores. The Payback é um disco de formas rítmicas muito diferentes de tudo que Brown vinha fazendo até então e o marcou para tudo que ele viria a fazer dali por diante. Até mesmo durante a fase Disco, da pra sacar a influencia que Payback teve em sua carreira. Dali por diante, tudo que Brown faria, seria de um cuidado ímpar, de um perfeccionismo implacável. Aqui, vou deixar uma pitada disso com o classicão que abre a bolacha, “The Payback” e dae pra frente é com os senhores.

Afastem a poltrona, portanto e caiam na funkera...

James Brown - Mind Power


Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor, webmaster e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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