Álbuns clássicos - HOT RATS (Frank Zappa)

Por Marcelo Mendez

Há um tempo usei muito uma camisa do Zappa com uma estampa que dizia “Zappa for President”. E usei essa porque não encontrei outra de estampa escrito “Zappa For Owner The World”. Bem isso mesmo... "Zappa Para Dono Do Mundo", porque hoje, ÁLBUNS CLÁSSICOS convida os senhores para conhecer HOT RATS, o clássico da carreira do Dono da Porra Toda.

 Senhoras e senhores, para seu bel prazer, trago aqui, Frank Zappa. E o seu lendáááário disco de 1969, o petardo HOT RATS.

 Frank Vincent Zappa era um caboclo magrelo, narigudo e feio, nascido em Baltimore no ano da graça de 1940 e desde muito novo chamou atenção para além dos poucos dotes físicos de beleza protuberante que lhe faltavam...



 Morando em milhares de cidades diferentes por conta do emprego de químico do pai, sempre exposto a milhares de gases e outras porcarias radioativas dos experimentos científicos que o velho realizava em casa, Zappa vivia as turras com milhares de doenças como asma, bronquite e o diabo! Recluso, sempre se recuperando de algumas dessas mazelas, o jovem Frank passa então a ter contato com os discos da Mãe e tem seu interesse despertado para músicos de Vanguarda.

 Igor Stravisnki, Bartók e principalmente e fundamentalmente, Edgar Varése chama demais sua atenção. Munido de dessa base de muito Doo Woop, Soul, Blues e Jazz, Zappa começa então a pensar sua maravilhosa Carreira musical.

Já sabe né, o presente ta na capa
 A principio, com o Mothers of Invention como Banda de Apoio, lança verdadeiras obras de arte, como FREAK OUT, ABSOLUTELY FREE, LUMP GRAVY o ótimo CRUISING WITH RUBEN & THE JETS que ouço de joelho de bão... Verdadeiras odes a musica. No entanto, as papagaiadas dos músicos, cachaçadas, putarias, drogaiadas, vinham enchendo o saco de Zappa. E após muita treta, beliscão e rabo-de-arraia, ele toma uma decisão pra lá de radical; Rompe com o Mothers, monta a nova banda recheada de fodões do jazz como Don Harris, Paul Humphrey, John Guérin, Shuggie Otis, descola um maluco de nome CAPTAIN BEEFHEART e pronto; Começa a nascer HOT RATS...

 Gravado em um tal gravador caseiro de seis canais, o disco é um espetáculo em se tratando de inovação musical. Começa com a histórica com Peaches Of Regalia, recheada de referencias da musica Celta. Passa por hinos como Little Umbrellas, The Gumbo Variations e a sensacional Willie The Pimp onde Frank Zappa debulha... Detona, arrebenta sem dó! Nela, há a maior mostra de todo o seu virtuosismo musical, esmerilhando sua guitarra em meio ao vocal inusitado do doidão do Captain Beffheart. Chega a um clímax com “It Must Be a Camel”, uma cama de sons absurdamente linda e experimental, contando com um breve arranjo de sax e uma virada de velocidade arregaçante via baixo, tocado magistralmente como Zappa e via porradas da bateria alucinante de John Guerin. Um transe...

 Se tivesse que definir esse disco de Zappa, tirando da frente toda a minha condição de fã embasbacado que sou, eu diria isso: Um Transe.

 Álbuns Clássicos essa semana convida os senhores então para o dito transe citado. Só tascar o play aí embaixo e sair dançando... aumenta e vai!

Frank Zappa - Hot Rats


Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor  e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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