Por Claudio Cox
Um domingo chuvoso e frio - daqueles que a vontade de sair do sofá só perde pra vontade de ficar na cama ou vice versa – e pra completar num lugar onde as coisas quase “não” acontecem, o ABC. Bem, as coisas não acontecem pra quem acha que elas não acontecem, mas essa é uma outra conversa...
Esse era o cenário que foi se desenhando antes do inicio da terceira edição da “CenaAndreense no Gambalaia” começar, público mirrado para uma programação recheada com três shows, bazar, exposição e mais uma porrada de coisa. Enfim, era para ser mais ou menos assim, mas não foi.
Primeiro a chuva deu uma trégua, e aquela tarde com “cara de nada” foi ganhando uma corzinha diferente. Um pessoal se preparava para grafitar um painel – umas das intervenções artísticas da tarde/noite – enquanto as bandas subiam o equipamento e preparavam o palco. Os shows acontecem no piso superior do espaço, no nível da rua ficam um pequeno bar e uns sofás e é também onde rolam as exposições.
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grafiti em processo fotos: Priscila Tâmara
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Subi para ajeitar as coisas – além de prestigiar eu também estava ali para me apresentar com os Giallos – e fiquei sem saber como andavam as coisas lá fora, mas também não estava muito preocupado. O clima entre os músicos era de descontração, o entusiasmo de tocar foi aumentando e por incrível que pareça a expectativa de ter algum público ou não já não fazia parte dos meus pensamentos.
Os Giallos seriam a segunda banda a se apresentar, mas o baixista da primeira, o Krias de Kafka, ainda não tinha chegado e pra não atrasar muito invertemos a ordem e ficamos com a responsa de fazer a primeira apresentação. Uau!
Tudo pronto, o público começou a entrar e aos poucos não é que o lugar ficou cheio. Um rapaz do coletivo “Retrato da Realidade” pediu a atenção para mais uma intervenção, agora com poesia. Depois de três poemas lidos, ligamos os amplificadores e fomos fazer a nossa parte, o rock.
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| bazar/exposição/palco fotos: Priscila Tâmara |
Em shows com três ou mais bandas é de costume fazer um set reduzido, no nosso caso como a banda é nova, tocamos quase todas as músicas que temos. Pra mim foi uma das melhores apresentações que fizemos até agora, muito disso por causa do público, que estava ali realmente pra ouvir a banda e não pra desfilar o tênis novo ou qualquer outra coisa do gênero.
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| Giallos foto: Lovely Rita |
Na seqüência o Krias atestou de vez a minha opinião sobre eles – opinião que não serve de parâmetro pra merda nenhuma, mas é minha! –, os caras são foda, fizeram um set matador e deixaram o lugar quente. Só pra constar: Tuntá é um hino!
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| Krias de Kafka foto: Lovely Rita |
Desci para pegar uma cerva e aguardar a última banda da noite e que eu ainda não tinha visto ao vivo, o Special Cigarrettes. Parece que eles estavam meio parados e aquele show seria como uma “volta” as atividades. Empolgaram, fizeram a festa – literalmente – no palco e fecharam com chave de ouro aquele dominguinho que começou murcho, quase parando, mas que para os bravos amantes do rock and roll, foi inesquecível.
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| Special Cigarretes foto: Lovely Rita |




