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| capa do novo album: "Novas Lendas..." |
Minha relação com a banda ainda mantem-se estreita até hoje, não na mesma intensidade daqueles primeiros anos, discos e shows, mas basta os caras lançarem material novo que eu corro atrás de um exemplar, – tenho todos os álbuns originais (tinha! meu “Guentando a Ôia” foi roubado) comprados na época de lançamento – sempre curioso em saber o que Fred 04 e os seus companheiros resolveram aprontar.
Essa semana estou ouvindo o novo disco deles – ainda não comprei o original, mas vou comprar –, já fazia um tempo que a banda estava longe das inéditas e conseqüentemente dos meus ouvidos, o último foi o EP BebaboGroove Vol.1 de 2005. “Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa” de cara lembra a sonoridade de “Por Pouco” de 2000 – o álbum mais bem sucedido comercialmente da banda –, mas com o mesmo cinismo característico que fez da banda uma das mais importantes do nosso rock.
A banda sofreu muitas mudanças de formação durante a ultima década, mesmo ainda com Fred sendo o comandante e mentor, a saída de integrantes do quilate de um Bactéria por exemplo, balança a estrutura de qualquer banda. No caso do Mundo Livre S/A – que não atendem o telefone para virtuosismos e maquiagens de estúdio – esse vai e vem de músicos não tem sido um bom negócio, principalmente para as performances ao vivo.
Agora, na concepção tudo continua lá: Punk, Jorge Ben, Moreira da Silva, Musas de biquíni, Guerrilha verbal e muito bom humor, mesmo que explorando novas sonoridades e possibilidades – e isso é mais que saudável para qualquer banda, desde que seja de forma natural –, esses elementos são o fio condutor entre todos os discos feitos pelos caras.
Eu não sou critico musical e exatamente por isso não vou ficar aqui dizendo que esse disco novo é isso ou aquilo, até porque isso é muito subjetivo, vá escutar o disco e tire suas próprias conclusões – aproveita e escuta os outros também (querendo te empresto, mentira!) –, mas vou destacar uma faixa em especial: “Se eu tivesse Fé – Fucking Shit”. Uma quase continuação de “Eu só poderia crer” – com direito a citação e tudo –, música que Fred escreveu lá nos anos 90 e cedeu para os conterrâneos do Eddie, que prontamente a colocaram no setlist de seu primeiro e ótimo álbum, “Sonic Mambo” de 1998.
Não deve ser fácil para uma banda com tantos anos de estrada – o primeiro disco foi lançado em 1994, mas a banda começou a brincadeira dez anos antes – preparar-se para fazer algo “novo”. Na contramão de artistas que se arrastam em carreiras longas pelo que fizeram (ou não) no passado, o Mundo Livre S/A ainda tem bala na agulha, musicalmente e literalmente. A possibilidade de vê-los fazendo uma homenagem piegas pro Renato Russo na Rede Globo ainda continua fora de cogitação. Graças à Marcos!
