Para lembrar o lendário Torneio Rio - São Paulo

Por Marcelo Mendez

Do final da década de 50 até mais ou menos 1971, marca aquela que pode ser considerada a época de ouro do futebol brasileiro. Entre 1958 e 1970 o Brasil conquistou 3 copas do mundo em apenas 12 anos. Uma época gloriosa...

Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Mauro Ramos, Dida, Ademir Da Guia, Zito, Coutinho, Canhoteiro, Pepe, Gilmar, Djalma Santos, Dino Sani, Rivelino... Todos esses lendários jogadores de futebol atuavam por seus clubes no Brasil. Nessa época, o principal campeonato de futebol sem dúvida era o Torneio Rio - São Paulo.

Uma disputa de clubes, que serviu de embrião para o que seria depois o Campeonato Nacional, disputado no começo do ano, nos meses de janeiro e fevereiro esquentando assim os regionais que na época eram grandes campeonatos. Podemos dizer aqui que no melhor momento do nosso futebol, existiu o charmoso Rio - São Paulo de clubes.

Aí o tempo passou...

Veio a tal da globalização, o mundo foi ficando cada vez menor, as comunicações e os transportes melhoraram, o Brasileirão surgiu com tudo e o nosso torneio citado aqui deixou de existir. Mas então vem a magia...

Mesmo nesse mundo apressado que vivemos, uma rodada do nosso Campeonato Brasileiro reservou três confrontos entre Paulistas x Cariocas. E se isso não serve para um remake do que foi a nossa Golden Age, ao menos nos da um pequeno resquício do quanto o futebol nosso pode ser encantador.

A coisa começou no sábado à noite em Volta Redonda, com o Fluminense batendo o Santos por 3x2. Um jogo muito bom, com times jogando a frente, buscando incessantemente o gol. O Santos o encontrou primeiro com Neymar em estado de graça assinalando o 1x0. Marquinhos empata para o Fluminese e no segundo tempo, o Santos era melhor até o momento em que Abel Braga troca o inoperante Martinuccio pelo eficaz Rafael Sóbis que mete um gol santo, um balaço, um chutão de fora da área na gaveta e o 2x1 duraria até o instante em que o estreante Reiteria, empata novamente para o Santos.

Então vem a sagração...

Aos 49 minutos do segundo tempo, Marcio Rosário mete a cabeça para sacramentar o 3x2 final do placar do jogo. Agora o Fluzão arranca firme rumo ao titulo também. E começamos bem a rodada que viria a seguir no domingo...

Em São Januário, mesmo jogando melhor que o Vasco o Corinthians empata por 2x2 e o resultado acaba não sendo dos piores justamente pelo que aconteceu no Morumbi no jogo entre São Paulo x Flamengo. O clima era fantástico...

Eram 60 mil são paulinos que lotaram o Morumba para prestigiar a volta de Luis Fabiano, depois de sete anos jogando na Europa. O ótimo camisa 9 voltava a pisar no campo que o consagrou em sua primeira passagem pelo São Paulo. Teria pela frente um confuso Flamengo, envolto em uma crise técnica, em meio a problemas diretivos e todas as outras coisinhas que a gente bem sabe que acontece na gávea. Tudo estava a favor do São Paulo.

Até o teimoso Adilson Batista, deixou de lado suas manias e escalou o time sem os malditos três zagueiros em linha. Montou um meio campo com Casemiro, Denílson como volantes, mais Cícero e Lucas para chegar nos atacantes Dagoberto e Luis Fabiano. Então faltava apenas as peças se mexerem e aí é que são elas...

De forma idiota, Lucas foi expulso. Oras, com um jogador a menos a coisa era muito simples de ser ajeitada minimamente; Bastava trazer Dagoberto para o meio campo e deixar Luis Fabiano para fazer o que ele sempre fez sua vida toda, que seria justamente brigar contra os zagueiros Flamenguistas. Mas Adilson não gosta do simples...

Resolveu tomar uma atitude antipática e pouco inteligente e tirou Luis Fabiano, colocando Carlinhos Paraíba em seu lugar. Com isso, os volantes Flamenguistas não tiveram mais com quem se preocupar, não tinham mais que ajudar os zagueiros na cobertura de Fabiano e puderam adiantar sua equipe. O São Paulo então passa a ser encurralado e rapidinho Thiago Neves mete 1x0 no placar. E então Rogério Ceni passa a fazer milagres para que a coisa não desandasse de vez. Pelo menos três defesas. Quando tudo parecia se perder, Dagoberto acerta um chutão lindo e empata o jogo. 1x1 no placar. Para ajudar o arbitro expulsa o volante Willians do Flamengo e bem... Atacar como? Ir em busca do resultado de que jeito? O Atacante havia saído.

Em questão de minutos o Flamengo consegue o 2x1 e então foi só cozinhar o galo até o final. Com isso, o São Paulo perde então a chance de subir na tabela do Brasileirão e segue a sina do time de Adilson Batista...

Eu sinceramente não consigo entender essa sanha pela complicação que Adilson tem. Ele insiste bravamente em se complicar, mediante ao paraíso da simplicidade. Disse na coletiva que a “Equipe jogou muito bem...” Também sei lá se isso serve de alguma coisa quando se perde tontamente como aconteceu no domingo ultimo, mas vamos lá... Campeonato segue e então que venha a próxima rodada.

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor  e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
Share: