Por Marcelo Mendez
Feriado na quebrada!
Feriado na quebrada!
Dia bucólico no meu Parque Novo Oratório, com um solzinho de outono, vento bom na cara... Me animei a pular cedo e as 09 da matina peguei estrada até a banca de verduras do Zezun, em busca de acelga e rúcula fresquinhas.
Vida nova, vida boa...
No caminho até a banca, passo pela Rua America Central e vejo lá o ateliê de Seu Ercy, o maior alfaiate do PNO. Ercy, homem galante, sempre trajado no linho, na seda e casimira, dono e um corte de fazer inveja aos italianos da Armani e aos modernosos da Ricardo Almeida, melhor terno que já vesti na vida... Seu Ercy é de fato, um bamba!
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| É só clicar na capa e pegar. |
Cresci vendo esse homem alto, bonito, sempre com pisante lustrado, camisa bem engomada, cabelos impecavelmente penteados, desfilando sua malemolência e malandragem de responsa pelo bairro. De pivete, colava no ateliê e enquanto ele tirava as medidas nossas pra fazer as calças de tergal que Dona Claudete mandava, rolava um bom samba, um bom som.
Raul De Barros, Ciro Monteiro, Ataulfo Alves, Roberto Silva, Blecaute e mais um punhado de bambas que conheço, aprendi ali, na alfaiataria do Ercy. Quando passei na frente, ouvi um samba delicioso tocando, enquanto o homem ajeitava com categoria o dedal do oficio:
“Bom Dia, Seu Ercy!”
“Bom dia, garoto! Ta sumido, por onde anda?”
“Ah seu Ercy, ando trampando pra caraca, quase não sobra tempo. O pouco que sobra, sabe como é né... Tem que dar prioridade pra Dama...”
“Correto, Marcelo! Sujeito homem que se preza... Trata a nêga na maior categoria...”
“Falar em categoria, qualé desse samba de breque aí, Seu Ercy?” Coisa maravilhosa...
“Ahhh garoto esse aqui é Nêgo-velho-diretor! Grande Jorge Veiga, Rei da Gafieira, cantando Baile Da Piedade. O meu garoto sabe que gosto de coisa boa né?” Falando em coisa boa Marcelo, fica pra tomar um café comigo. A Sônia acabou de passar...”
“Opa, aceito sim Seu Ercy. Depois pego a verdura...”
E da prosa durante aquele cafezinho de Dona Sônia, nasce aqui à coluna Álbuns Clássicos de hoje. Com vocês, JORGE VEIGA e seu classicão de 1971, CARICATURISTA DO SAMBA.
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Turma da pesada: Radamés, Lupicínio Rodrigues, Aracy De Almeida,
Jorge Veiga, amigo desconhecido e atrás, Alvaro Luis Assunção.
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Jorge Veiga nasceu no engenho de Dentro, Rio De Janeiro em 1910 e por ali se notabilizou, começando a dar seus bordejos ali pelos anos 30 na Radio Nacional, como crooner de grandes Orquestras e intérprete de sambas de grandes nomes como Noel Rosa, Ismael Silva, João Da Baiana entre outros tantos.
Sempre de smoking, muito bem vestido, perfeito malaco carioca metido a granfa, cantando sambas deliciosos cheios de tiradas ótimas, humor e talento, Veiga junto com Moreira da Silva, ajudou demais a firmar o que ficaria conhecido como Samba De Breque. Uma paradinha deliciosa no meio do samba, criando uma sincopa cheia de molejo e malemolência.
Suas apresentações cheias de gags e alegrias, com bordões que se tornaram eternos como. “Eu também quero é rosetar”, fizeram com que Paulo Gracindo o apelidasse, O CARICATURISTA DO SAMBA. E essa alcunha da nome a esse disco que vos apresento hoje aqui em Álbuns Clássicos.
Contando com maravilhas como “Nêga”, “Stanislaw Ponte Preta”, “Piston de Gafieira”, “Acertei no Milhar” dentre outros hinos, esse disco de 1971 é imperdível! Uma ótima chance dos senhores aqui do Pastilhas Coloridas tomarem contato com a obra de um grande sambista, de um grande nome da musica popular brasileira e com um grande e classudo malandro bão.
Então é só meter o sapato duas-cor, meter o cravo na lapela, chamar a patroa e quem sabe, descolar um baile como esse da piedade?
É só ligar a vitrola e tocar...
Jorge Veiga - Acertei no milhar (1959)

