Em 1993 houve um amor. Cheio de paixão, fúria e solavancos, como todo amor de fato tem que ser para atingir a plenitude, vivi isso até o ultimo dia, até a última cagada que fiz para resultar naquela gota d'água inevitável e vos digo. Pior que o final dele é, quando a coisa cisma em terminar de maneira “civilizada”. Aquela tal coisa de “Adultos” de “respeitar as individualidades” e bem... a Pior parte disso é a hora de dividir os discos. Coisa que fazíamos na dita ocasião. Ela então disse:
“Serge Gainsbourg. Você vai querer Marcelo?”
“Claro...”
“Isaac Hayes?”
“Qual?”
“Não o Shaft...o outro...”
“Hot Buttered Soul?”
“Isso. Aquele que tem uma careca na capa...” “...O MELHOR DISCO DE SOUL DE TODOS OS TEMPOS, VOCÊ QUER DIZER! VOU LEVAR SIM.”
Ela riu com ternura. Ternura, que só ela tinha em situações difíceis como aquela, e prosseguiu:
“Calma Marcelo, só estou brincando...”
“Não acho que esta, seja a melhor hora para você exercer seu humor britânico...”
“Olha, eu só estou tentando amenizar um pouco toda essa tensão, esse clima ruim, pesado, que está aqui. Você não precisa usar isso como gancho para começar uma guerra...”
“POSSO CONTINUAR!?” – perguntei interrompendo-a.
“Porque você tem que ser tão infantil, Marcelo?”
“Você respondeu minha pergunta, com outra pergunta, fugindo da discussão como você sempre faz. Mas tudo bem, eu vou continuar assim mesmo. Afinal de contas nada disso tem mais a menor importância não é mesmo?”
“Não diz isso, Marcelo...”
“JOY DIVISION! – É o Closer e eu vou levar...”
“Como assim?? Esse disco você me deu de presente de aniversário! É meu e EU vou levar!”
“Não. Não vai, não...”
“Porque não vou? Marcelo... Você ta ficando maluco?! O DISCO É MEU. E porque eu não vou ficar com ele?!?”
“Seguinte... Se você quer ficar com qualquer Zé Mané que por ventura aparecer no seu caminho, beleza, que se foda! Mas você não beijar a boca desses paguás ae, ouvindo meu Closer nem fudendo!!”
E bom... Eu vou poupar os senhores do restante final da "cousa", dizendo que naquela noite eu saí da casa dela com o disco, direto para uma lojinha de um posto de gasolina qualquer, comprei três charutos vagabundos, uma garrafa de Campary, enchi a cara e chorei todas as minhas cagadas de macho latino ao som de Isolation, a madrugada toda. E para amenizar a "cousa", vamos contar a história desse baitaaaaaaaaaaa disco em questão.
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| Como sempre é só clicar e levar... |
Eis que no dia 4 de julho do ano da graça de 1976, Ian Curtis conhece três caras em um show dos Sex Pistols; Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris. Ali, começam as prosas e saem com um ensaio marcado, de onde descolam um nome inspirado em uma musica do David Bowie:
Warsaw é o nome horroroso para os primeiros registros daquela banda cheia de influencia da cultura punk inglesa do ano de 1977, mais experimentalismos e muita, mas muita poesia, além das inovações eletrônicas todas, tendo como inspiração o ótimo Kraftwerk. Melodias densas, lindas, profundas que resultaram nos primeiros contratos para gravações. Felizmente, já havia lá uma banda com esse nome horroroso que os faz mudar para JOY DIVISION, que era o nome de um puteiro, de uma série de TV chamada The House Of Dolls.
Começava ali a parada pra valer... Após ótimos Ep's gravados em 1978, veio o ótimo disco de estréia o Unknown Pleasures de 1979. Ali já havia hinos como "She's Lost Control", "Shadowplay", "Disorder" e "New Dawn Fades" entre outros. O terreno estava pronto então para ousar e dessa ousadia toda, em 1980, vem nosso disco em questão...
Closer o segundo disco da Joy, é lançado em junho de 1980 para entrar para história da musica pop de todos os tempos...
Batendo de frente com um período turbulento da vida pessoal de seu líder Ian Curtis, uma fase em que descolou uma amante, teve sérios problemas de saúde com sua epilepsia, como todos os problemas de relacionamento com os outros membros da banda... em meio a tudo isso, vem um disco seminal.
Gravado todo em um raio de uma abóbada, dentro de um estuque de teto velho, tudo a fim de conseguir captar os efeitos ressonantes de uma capela, Closer, marca tudo que de mais inventivo havia na cabeça de Curtis e de Peter Hook, os expoentes criativos da Joy.
Se encontra no disco as já famosas experimentações em faixas como "Atrocity Exhibition" e “A Means to an End”. Porradas cheias de fúria com clássicos como “The Eternal”, momentos lindos com a lírica “Heart and Soul” e bem... o álbum inteiro tá aqui embaixo para os senhores terem a exata medida da densidade da "cousa", mas claro, não era pra a coisa acabar da forma trágica como o fim do Joy Division após o suicídio de Ian Curtis, assim como espero que também não se termine nenhum grande amor para ela embalar, ao contrario:
Que se embalem grandes amores aqui nos Álbuns Clássicos! Tasca o player aí e bora se beijar!!
Joy Division - Closer
Joy Division - Closer


