Sam Peckinpah não come canelone e uma chanchada chamada Palmeiras

Por Marcelo Mendez

Sam Peckinpah...
Eu já não tenho mais o que dizer de meu amor pela obra do grande Sam Peckinpah.

 O grande mestre do Cinema Americano, dono de clássicos supremos, como SOB DOMINIO DO MEDO, A BALADA DE CABBLE HOGAN, CRUZ DE FERRO... e tem um filme em questão pra lá de peculiar que me remete à minha relação com o time do Palmeiras. Vejamos...

 O ano era 1974. Peckinpah estava completamente desiludido de tudo, bebendo horrores, cheirando pra caralho, sentindo-se expatriado nos EUA do governo Nixon e de saco cheio de tudo. Então juntou uma grana com os amigos, chamou os atores parceiros e se bundou para o México para filmar TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA. Um roadie movie fantástico, que conta o causo de um caboclo que desonra a filha de um mafioso Mexicano, embuchando a moça. Revoltado então, o cidadão oferece 1 milhão de dólares para quem trouxer a cabeça do maldito para ele. A danada é encontrada por um pianista, Benie, um fudido que o decepa e então, passa a travar uma estranha relação de apego, de proximidade e até de carinho, com a porra da cabeça decepada do presunto, durante a viagem pelo México front eriço.

 Pois é... Às vezes, fico pensando se não é essa relação, desse jeito mesmo... Que tenho com o Palmeiras.

 É uma coisa mórbida, meio moribunda de você se pegar com algo, achando que vai melhorar, que vai ter jeito... O torcedor do Palmeiras, no mais puro e é insano sentimento de paixão tresloucada, acredita que isso vai acabar, mas não vai;

 O Palmeiras é uma bagunça. Uma típica briga de cantina italiana na Mooca!

 É o sogro que é o dono, que desconfia do genro que é o porteiro, que por sua vez não gosta do cunhado que faz as compras, que desconfia da irmã que trabalha no caixa, que tem plena convicção de que o Tio que trabalha na cozinha tem uma amante... E NINGUÉM SE LARGA!!!

 Uma zona!!

 Nos últimos tempos, foi um tal de diretor falar mal de jogador, jogador que quer sair e não sabe como, torcedor que sai no tapa com jogador na rua, técnico que esculacha jogador, assessor que não assessora nada e o time só tomando ferro!

 Nas ultimas 9 rodadas foram 4 derrotas consecutivas, 5 empates contra ninguém, muita bagunça, muita tristeza e nenhuma perspectiva de mudança. Mas olhem os senhores, ontem em porto alegre poderia ter sido diferente contra o Grêmio!

 O Palmeiras, escalado por Luis Felipe Scolari cheios de volantes, beques, laterais e tudo mais pra trás da linha bola, aprontou lá uma correria pelas laterais do campo, aproveitando da marcação atabalhoada do Grêmio e conseguiu fazer 1x0 com o bom lateral Cicinho, após rebote do goleiro Vitor. Seguiu indo bem no segundo tempo e em uma cobrança de falta, Marcos Assunção meteu 2x0, justo.

 O Palmeiras jogava bem, mandava no campo, partida estava tranquilona e dava para meter uns 5 no Grêmio. Mas aí vem a Crise da Cantina...

 Felipão recuou o time para segurar o resultado e então conseguiu tomar o primeiro do Grêmio. Ressuscitou um time que não queria viver. Tomou sufoco pra lá de previsível, chamando o Grêmio pra dentro de seu campo e então o inevitável aconteceu... Num chutaço de Fernando, do meio da Rua, a bola vai no ângulo de Deola e o 2x2 no Olímpico, sacramenta mais um desastre do time de Palestra Itália no Brasileirão. Uma tristeza só...

 Depois do jogo a mesma balelada de sempre, “Jogamos bem, mas futebol é assim”, “Não fomos mal”, “O time não merecia tomar esse gol”, mas afinal de contas, o que o Palmeiras merece? Para que seguir com essa toada, essa piada triste, essa imagem depressiva de um time que outrora fora grande e hoje, se contenta em “Afastar de vez o perigo do rebaixamento”...

 Eu não sei que fim vai dar isso no Palmeiras, mas relembrando o Peckinpah, tem um filme dele que deve ser evitado de se tornar semelhante aos que amam o time de Palestra Itália:

 “MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA” não é algo que seja recomendável nessas situações...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor  e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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