Por Bruno Módolo |
Quebrando Tabu é um documentário que revê a maneira como as drogas são combatidas pelos governos. Um filme que não fica restrito apenas ao universo do cinema, pois provoca uma discussão que transcende para nosso cotidiano. Aliás, o assunto precisa cada vez mais invadir nosso dia-a-dia.
Quase 3 anos de trabalho, mais de 400 horas de material gravado e inúmeras horas de debate criativo para se chegar ao resultado final. Um trabalho árduo, bem conduzido pelo diretor Fernando Grostein Andrade e sua equipe da Spray Filmes.
Foram dois os grandes desafios superados para realização do filme. O primeiro foi abordar esse tema defendendo pontos polêmicos, como por exemplo, a descriminalização. O segundo, e mais importante, foi aprender a enxergar a questão das drogas como problema de saúde e não como policial. É difícil mudar o paradigma, o ponto de vista de algo tão enraizado em nossa sociedade. Para isso, a participação do presidente Fernando Henrique Cardoso no documentário foi fundamental.
Como ex-chefe de estado que assumiu falhas em sua gestão e aos 80 anos, se dispôs a aprender sobre o assunto, não teria porque nós, cidadãos, mantermos a cabeça fechada. Como ele mesmo disse no filme: “só quem é burro não muda diante de fatos novos”.
Vale muito a pena assistir e também ter o filme. Para perceber a sua importância, é só notar a conduta da prefeitura de São Paulo na questão da cracolândia. Parece que não assistiram ou não aprenderam nada.
Bruno R. Módolo é sócio do estúdio Garoa Fina e foi um dos roteirista do documentário "Quebrando o Tabu".