Teve uma vez que falei aqui que um grande disco, muitas vezes nasce na adversidade. É verdade.
Mas também tem outros baitas discões que surgem da máxima e total e irrestrita contrariedade do autor! Hoje, ÁLBUNS CLÁSSICOS vem aqui para contar o causo de uma dessas obras...
Senhouras e senhoures com vocês A BAD DONATO de 1970, do grande João Donato.
Donato é um Gigante da musica Brasileira. Pianista, maestro, arranjador, o homem já tinha uma carreira sólida nos anos 60 com discos Antológicos gravados, acompanhando o começo da Bossa Nova tendo nela um papel de destaque até que em 1959 resolve ir para os Estados Unidos.
A ideia era tomar contato com os grandes nomes da Columbia Records, os arranjadores maravilhosos que produziam os discos de Frank Sinatra, a fina flor do jazz ma ae sabe como é.. Tempo passou, coisas aconteceram na América e chegamos no ano da graça de 1965. Era o ano da segunda grande revolução da musica negona do Século XX. Surgia então nos guetos americanos e depois no mundo, o Funk.
Ae, tomando contato com as coisas de James Brown, George Clinton, Sly Stone e os caraio todo, Donato muda completamente sua concepção. Estava completamente apaixonado por aquela sonoridade, pensava numa fusão possível com a MPB e pelo menos no começo era contrario há algo que soasse mais funk, queria um disco bem equilibrado. Então compôs umas musicas em 1968 e cai na estrada na América, já tinha esquecido da coisa, pensava em outros projetos quando no verão de 1969 recebe um telefonema de Eumir Deodato se oferecendo para ser arranjador daqueles sons. João topa e ae começa a magia...
Eumir, cabra ligeiro que é monta um puuuuuuuuuuuuuuuutaaaaaaaaaaaa timão de músicos; Bud Shank, Oscar Castroneves, Dom Um Romão, Paulinho Magalhães, Ernie Watts, Don Meza, Jimmy Zito... Só os feras.
Ainda assim, Donato, meio contrariado não se animava muito com a coisa mas fazia, afinal tinha total apoio da sua gravadora a Blue Tumb Records e assim começa o arregaço. Depois de uns 4 dias de quebra-pau, bate-boca e de quase saírem no tapa, Eumir convence Donato a gravar todos os instrumentos em dobro: Guitarra, trompete, bateria, trombone, piano, todos gravados por Ernie Watts no sax, Bud Shank na flauta, Jimmy Zito no trompete, Don Meza no clarinete, o mestre Dom Um Romão na bateria e Oscar Castro Neves nos violões e guitarras.
Porrada mermão!!!
O disco já abre com o funkão psicodélico The Frog, na sequencia outro, Celestial Showers e mais um monte de sapatadas divinas como Straigh Jackets, Fly, Lunar Tune... Disco fudidaço!!
Como de costume na época, o disco sai apenas para o mercado americano, coisa que desagradava Donato que nunca se seduziu muito pela obra. Apesar disso A Bad Donato é uma referencia pra toda uma década, para todo um movimento musical que nascia nos EUA, o jazz fusion e todo mundo bebeu ali; Stanley Clark, Jack De Joannet, Stanley turrentine, Herbie Hancock...
Ano passado, mestre Donato fez alguns shows pelo Brasil tocando o repertório desse disco. Ainda sem te-lo como algo do que ele mais gosta em sua carreira mas, reconhecendo a importância histórica da bolacha, o "homi" arrebentou pelos palcos nossos.
Álbuns Clássicos traz para vocês o play na íntegra. Tasca o Player e perigas ver...
Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.

