Da presença de Édouard Manet na quarta zaga ou a volta da revolucionária ginga da neguinha voodoo child...

Por Marcelo Mendez

O mundo das artes plásticas surgiu na minha vida quando eu estudava Frances na Aliança Francesa ali por volta de 1987, 1988. Nunca fui profundo conhecedor da cousa, não tenho o conhecimento de minha amiga Daniela Sammad que é ótima pesquisadora e apreciadora da cousa e como quase tudo na minha vida, sigo meus sentimentos, meus impulsos apaixonados e viés tortos para definir o que gosto ou não nessa praia. Com Manet foi desse jeito...

Édouard Manet me agradou demais primeiro por sua história, um cara que encheu o mundo da arte de luz, sombra, de crueza e naturalismo, de força e de verdade, diferente dos padrões caretas e babacas de sua época. Foi grande amigo de Baudelaire, seu parceiro de cachaçada e ópio no Jardin Des Tuileries, por lá no berço das putarias da época levou a ferro a fogo o ensinamento do amigo poeta, “Encontrai encantos no que há vida insiste em mostrar que é repugnante. Repugnante é se recusar a viver!!” Manet viveu...

Amou, traiu, ganhou grana, perdeu grana, chapou os cocos, chocou o Salão das Artes de Paris em 1865 quando pintou seu épico quadro Olympia, tendo como modelo Victorine Meurent, interpretando uma puta sensacional fazendo assim uma reverencia a um quadro de Ticiano. Se lascou todo por isso! Foi perseguido, recusado em salões, esculachado pelos carolas de plantão e sua vida não foi fácil. Resultado disso:

Édouard Manet é um dos maiores nomes da história da cultura francesa. Ae me pergunto:

E se ele tivesse ali se rendido as facilidades da padronice? E se não ousasse? E se fosse apenas um pintor óbvio? Estaria eu aqui falando dele 200 anos depois? Pois é...

No futebol de hoje a gente tem um Manet diferente. Que veste chuteiras, usa cabelo moicano, tem la um gosto musical duvidoso, não diz frases de efeito, não é do Greeanpeace, não faz ideia do que acontece em Belo Monte. Neymar pode...

Neymar é pop! Neymar tem fã clube, tem suas “neymarzetes”, compra iate, enche de maneca, vai na padaria comprar 5 pãezinhos e um leite montado em um Porshe Carrera com o braço na janela, óculos na cara, ouvindo funk carioca e ainda assim vos digo:

Revoluciona tanto quanto o meu querido frances.

Com ele não tem esquema tático. Não adianta o São Paulo armar esquema com Pires pra tentar para-lo, deixar um volante na sobra, sair com Rodolfo pelo direito... Nada! Nada consegue para-lo. Ontem ele meteu 3 gols, todos os 3 do Santos no 3x1 em cima do São Paulo e não adiantou nem mesmo o time do Morumbi jogar bem, como de fato estava jogando. Nada para Neymar! A trave tentou...

Neymar perdeu um gol ridículo após o rebote do goleiro Denis mas ae, o futebol não aguentou e tentou se redimir tal erro; Na jogada seguinte, em chute despretensioso do Menino, o goleiro do São Paulo tomou um frango imortal para fechar o placar. Era 3x1 no Placar, Santos na final e o sorriso na cara de quem gosta de futebol. E ae vem outra questão...

E aqueles que tanto quanto eu gostam de futebol mas, ao contrário desse escriba estridente, preferem um futebol mais pragmático, mais objetivo, menos vistoso e mais... Mais Neoliberal? Essa semana estes, tiveram la seus instantes de profundo orgasmo ludopédico. Afinal Barcelona e Real Madrid foram desclassificados da final da Champions League derrotados por Bayern De Munique e pelo Chelsea da vida. E se por acaso estes que apreciam essa coisa retranqueira e covarde ante a ginga de Neymar, pensarem totalmente diferente de mim? Bom ae se faz necessário uma coisa aqui, uma atitude minha baseada em uma reflexão que venho fazendo ao longo da semana. Seguinte:


O que falta aos estetas da objetividade é um pouco da coragem que nós (time o qual me incluo sim e isso, não por orgulho mas por fato que é...) os politicamente incorretos temos. No meu caso por exemplo; To chegando a conclusão de que eu não sei conviver muito bem com esse negócio ae de “diferenças”. Não consigo aceitar que um futebol covarde, burocrático, chato e triste como o do Chelsea deva ser entendido como uma “maneira de se jogar futebol”. E não digo isso pra agredir nem ofender ninguém que não pensa como eu. To apenas sendo sincero. Simples...

Vivemos hoje em um mundo de extremos; Ou o sujeito é um radical chato, brocha mal amado e idiota azedo que não come ninguém ou, uma besta... Um omisso que não consegue se impor pra nada. Que não opina, que não se coloca, que não ocupa seu lugar no meio social como cidadão. A vida caro leitor, é feita de escolhas. O Jornalismo não pode ser diferente.

Cabe a mim como tal, ter humildade suficiente para quem sabe, talvez reconhecer que me falta alguma coisa, por exemplo; Dizer a vocês que não sou politicamente correto e não sei se consigo viver bem com essas diferenças, acima citadas.

Pode ser sim que eu não consiga respeitar os meus queridos amigos pragmáticos, os que são tão viciados em metas e números, como eu sou em acelga, negona e nas coxonas das cabrochas que correm ao meu lado no Ibirapuera. Oras. Significaria que então teria eu um problema para conviver com os padrões pré estabelecidos através da estética da pobreza de encanto e espírito, com as tais “regras”. Mas ae caro leitor, tenho um compromisso com vocês de ser verdadeiro como já disse. E ae, do fundo de meu coração meu caros, se não consigo aceitar isso, esse pensamento ludopédico diferente do meu, vos digo:

Não to nem ae...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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