Numa casa, um dos lugares em que a funcionalidade está sempre a toda prova é a cozinha. Por ser o local em que se preparam os alimentos, a cozinha sempre teve um papel fundamental na organização de qualquer programa (de hotéis a navios) principalmente no doméstico.
Do ponto de vista do SERVIÇO, a cozinha em muitos casos funcionava como um “anexo” às edificações principais, pois envolvia fontes de calor e acesso rápido para o lado externo da casa (nos atuais apartamentos isso ainda fica evidente pelo chamado “acesso de serviço”). Há também que se considerar o aspecto SOCIAL, o que envolve, dentre outros, as alterações com o passar dos anos do papel feminino na organização doméstica.
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| Quadro "Cozinha Caipira" (1895) José Ferraz de Almeida Junior. Fonte: artefontedeconhecimento.blogspot.com.br |
Esses espaços funcionais estratégicos vêm sendo objeto de constante aprimoramento. Alguns estudiosos no pós Primeira Guerra desenvolveram conceitos importantes para chegarmos aos atuais padrões de organização.
Em 1922, nos Estados Unidos, Christine Fredericks Mary Pattison já havia realizado um estudo que considerava as linhas de circulação da cozinha (estudo do fio). Em 1926 a arquiteta vienense Margarete Schütte-Lihotzky (primeira mulher formada pela Wiener Kunstgewerbeschule Architektur), desenvolveu um sistema de setorização revolucionário e crucial para a história das cozinhas modernas: a chamada Frankfurter Küche (Cozinha de Frankfurt).
Esse projeto foi desenvolvido para otimizar ao máximo a organização das cozinhas e seu mobiliário, para que esses “módulos funcionais” fossem inseridos nos projetos de apartamentos residenciais que estavam sendo implantados em massa naquele período na Alemanha, muitos sob a responsabilidade do arquiteto Ernest May. Margarete pesquisou sobre as distâncias, cronometrou os tempos da circulação, definiu medidas padrão como alturas de balcão/bancada/pia, tamanhos de armários, formas de organizar os gaveteiros, talheres, etc.
Esse projeto foi desenvolvido para otimizar ao máximo a organização das cozinhas e seu mobiliário, para que esses “módulos funcionais” fossem inseridos nos projetos de apartamentos residenciais que estavam sendo implantados em massa naquele período na Alemanha, muitos sob a responsabilidade do arquiteto Ernest May. Margarete pesquisou sobre as distâncias, cronometrou os tempos da circulação, definiu medidas padrão como alturas de balcão/bancada/pia, tamanhos de armários, formas de organizar os gaveteiros, talheres, etc.
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Cozinha de Frankfurt. Fonte:
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Já na década de 1930, também nos Estados Unidos Catherine Krause Bauer Wurster teve como objetivo racionalizar os movimentos das cozinhas. Ela foi responsável pelo clássico livro Modern Housing for America (1934) de grande impacto nos anos da depressão por procurar melhorar ao máximo a qualidade dos espaços produzidos para as camadas sociais desprivilegiadas.
Pesquisas continuaram e na década de 1950 foi estabelecido na Universidade de Cornell, EUA (Ithaca) o chamado “triângulo de trabalho” um modelo que tem a pia como ponto médio entre o retirar os alimentos da geladeira ou despensa, o preparo e a cocção no fogão. A denominação de todas as configurações de cozinha estão relacionadas sempre com esses três equipamentos básicos- pia, geladeira, fogão - surgem então denominações como cozinha em “L”, em linha, etc.
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| Cozinha atual – bancada em linha (Geladeira/fogão/pia). Fonte: www.cozinhasmodernas.net |
Além dessa questão da organização física - espacial, há de se considerar a evolução tecnológica dos demais aparelhos eletrodomésticos (geladeiras, liquidificadores, batedeiras, cafeteiras, torradeiras, fornos, lava-louças, processadores, etc.). Além da forma de armazenar os ingredientes ou os alimentos prontos (o uso de geladeiras nas casas tem início a partir de 1913), a principal mudança ao longo dos anos é a diminuição do provedor da fonte de calor – o fogão ou o forno; é só imaginar que daquele grande fogão à lenha, chegamos hoje aos nossos Cooktops, microondas, etc.
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Fogão a lenha em metal. Fonte: www.bohnen.com.br Cooktop. Fonte: mocoloco.com
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Nossas contemporâneas cozinhas planejadas repletas de facilidades, ou ainda aqueles “espaços gourmet” tão em voga em alguns empreendimentos imobiliários, continuam sendo núcleos vitais: o CORAÇÃO da casa. O fato é que há uma tendência natural para que as pessoas se reúnam para comer em volta do fogo e em meio ao labor, do mais simples ao mais elaborado, do preparo da alimentação.
Angela Rosch Rodrigues é arquiteta e urbanista, mestre em História e fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo e colaboradora do Pastilhas Coloridas.



