Álbuns Clássicos - ESTAMOS AÍ - (Leny Andrade/1965)

Por Marcelo Mendez

Álbuns clássicos de hoje conta maaaaaaaais uma da sala de vinis do saudoso meu pai, Seu Mauro e uma época minha que ficou conhecida entre os meus de minha “Fase Americana”.

Em 1993 eu tava com pé fincado em meus estudos, pesquisas, viagens e expedições para sacar qual era do Blues e por consequência, do jazz, do soul e do funk também. Na pickup só rolava umas moças como Carmen McRae, Ella Fitzgerald, Dinah Washington, Billy Holliday, Mama Vincey-Carter, Etta James, Big Mama-Thorton, Sarah Vaughan... Eu simplesmente me recusava a livrar-me delas.

Ae teve lá um dia que minha prima Marlene apareceu em casa para fuçar nas bolachas do meu pai e colocou por la uma cantora, ma entortando nota na goela! Cantando muito! Fui la na sala e perguntei:

“Marlene, que som é esse??”

“Chama “Estamos Aí”, Celo...”

“Ma que quebradeira sensacional! Quem canta?”

“Ah essa é uma deusa, Leny Andrade”

...

Depois disso, os estudos foram pro caralho por um bom tempo, nunca mais eu larguei da moça e hoje venho aqui pra contar pra vocês o causo desse puta discaço, dessa cantora dantesca de boua!

Senhouras e senhoures, com vocês o disco ESTAMOS AÍ de 1965 da maior cantora de jazz do Brasil, a diva Leny Andrade.

Leny Andrade Lima nasce no Rio De Janeiro da golden age dos anos 40 em 1943. Começou sua vida cantando na noite carioca, levada pela mãe, grande entusiasta da boemia e do samba. Por lá conhece muita gente, boua, passa a frequentar o lendário Beco das Garrafas, onde toca nas melhores boates de lá, com os melhores músicos da época, um deles o monstro do violão e guitarra brazuca Durval Ferreira. Que ficou besta ao ouvir a moça cantando.

Chegou na morena, marcou com ela um ensaio, mostrou a ela umas musicas dele com Mauricio Einhorn e a parada começa a virar. Leny, grava seus primeiros discos pela Odeon, chama atenção com o lendário A ARTE DE LENY de 1963, estreia ao lado de Pery Ribeiro o espetáculo GEMINY 5 que vira LP ao vivo, dirigido por Miele e Ronaldo Bosco e ae chegamos em 1965...

Leny já era uma das maiores cantoras do Brasil, quando surge a chance de ir para o México. Antes, lhe foi oferecida a chance de fazer um disco como ela bem entendesse e ela capricha...

Chamou para produzir a bolacha Eumir Deodato, que também arranjou coisa toda. Trouxe para gravar, uns caras como Tenorio Junior, Luiz Eça, Durval Ferreira, Dom Um Romão, Sabá, só feras! E começou a parada toda...

Com musicas de uns caras fodões como Marcus Valle, Arthur Verocai, Tito Madi, Mauricio Einhorn, Leny inicia a gravaço de um dos maiores discos da musica brasileira.

Começa com um samba jazz classicão, que é a musica titulo ESTAMOS AÍ, passa por uma jazzeira fina com A RESPOSTA, tem sambas de absurda categoria como o pout-pouri com Zé Keti, Edu Lobo, Sergio Ricardo, tem o seu ápice com musicas eternas como SAMBA EM PARIS, O BANZO, ESQUEÇA NÃO, enfim... Um disco imperdível.

Em 1970, Leny vai definitivamente para os EUA. Por la emplacou uma temporada no clube Blue Note que durou 2 anos! Nunca isso havia acontecido, nem com as cantoras que citei ae em cima. Gravou gente lendária como Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Clark Terry, Tina Brooks, Fred Hurshe e entra pra história de tudo como uma das mais respeitadas cantoras do Brasil la fora. Também gravou uns discos lendários homenageando Cartola e Nelson Cavaquinho mas ae é outrooo causo que depois a gente vorta pra contá.

Por hora, o linkão tae pelas fotos, no player vamos de ESTAMOS AÍ, e ae já sabem:

Tasca o play e perigas ver...


Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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