E cá estamos para mais um episódio do futeboleiro nacional semanal em Canela De Ferro. Para essa semana um pensamento das paixões imediatas pelas divas do cinema me vem à mente para tratar das coisas da pelota...
Lee Remick.
A primeira vez que eu a vi na telona, foi como a mãe do diabo no filme Profecia de 1976. Isso foi lá pelo ano da graça de 1982, quando eu era uma moleque que usava kichute, que tinha uma camisa 10 amarela porque gostava do Zico, que fazia planos para enganar o Seu Adamastor o lanterninha, para sobrar uns trocados pro rango na Pastelaria Continental ali do lado, perto da Galeria.
No momento em que aqueles olhos azuis encheram a tela do saudoso Cine Tangará, eu pouco me importei para as maledicências do cramulhão e tava pouco me fudendo também pro filho dele. Remick era uma deusa!
Começou sua vida nos teatros de Nova York até que Elia Kazan a descobriu para o filme Um Rosto Na Multidão. Até então a Foz a contratou por conta do casório de Grace Kelly com o príncipe Ranier de Mônaco. O grande estúdio precisava de uma outra Diva. Mas isso mudou rapidinho...
Com filmes como Rio Violento, Anatomia de Um Crime, Vício Maldito, rapidinho ninguém mais falava da Grace, quer dizer;
Lee Remick só lembrava Lee Remick
A atriz tinha grande talento, personalidade, uma técnica de atuação impecável, profissional, adorada por todos os diretores do cinema da época. Lee Remick tinha pleno domínio do processo de se executar cinema. Aeee, eu pensava nisso tudo para analisar o causo do senhor Dorival Junior, o eterno substituo...
Dorival sempre foi um bom moço. Quando era atleta, era um volante correto. Jogava certinho. Veio para meu Palmeiras em 1989 para substituir o volante Lino que não havia dado certo. Teve um bom ano por lá. Tornou-se treinador e então passa a ser um bom treinador também. No entanto, segue a sina do substituto.
Foi assim que chegou no São Caetano pro lugar de Tite, foi assim no Cruzeiro no lugar de Adilson Batista, no Santos quando tampa a vaga de Luxemburgo, no Internacional quando corre pra apagar o fogo da saída de Falcão e agora, quando aceita ir para o Flamengo no lugar de Joel Santana.
Claro que Dorival faz bons trabalhos como os do Santos em 2010. Mas a questão que se coloca aqui nem é essa. Quero falar pra vocês da necessidade de se ter personalidade. De passar isso para seus comandados. Dorival ainda não tem um time de Dorival.
Colocou ontem em campo no Morumbi um time perdido, bagunçado taticamente, apresentando uma lentidão no meio campo, um time esparramado que não deixava o seu melhor jogador, Vagner, pegar na bola. Facilmente o meio campo do São Paulo, jogando com Maicon como segundo volante, com Jadson chegando para encostar em Luis Fabiano e Ademilson, engoliu o time da Gávea. O primeiro tempo foi 2x0 e foi pouco. No segundo tempo, mais dois gols e também foi pouco. O rescaldo final do que aconteceu no Morumbi ontem foi que os 4x1 que o Flamengo sofreu foi até que muito bom.
Triste isso.
Dorival Jr não consegue dar aos times que trabalha, a cara que pensa para essas equipes. Está se tornando um burocrata do futebol, um cara que chega para cumprir seu contrato, de acordo com o que o diretor incompetente espera, sem muito ousar, sem se preocupar com melhorar a coisa de acordo com suas ideias, com suas concepções de bom futebol.
Faz apenas o óbvio, treina apenas para agradar a cretinagem fundamental da cartolagem ludopédica e isso é muito ruim. Dessa forma, ainda não sei como definir sua equipe pelo simples fato de esta, ainda não ser dele. Então vou esperar Dorival ser Dorival e ae volto pra comentar aqui.
Até la seguirei assoviando o hit de Regina Spektor...
