Álbuns Clássicos - A arte negra de Wilson Moreira e Nei Lopes (1980)

E cá estamos de novo para levar os respeitáveis leitores de tão nobre site para mais uma viagem pelo mundo maravilhoso dos grandes discos cá em Álbuns Clássicos. No capitulo de hoje vamos aqui contar a história de um momento mágico do samba nacional, vamos falar de algo extremamente rico, do que há de mais precioso dentro da cultura popular com a ajuda de Dois Grandes Bambas.

Senhouras e senhoures, com vocês o discaço A ARTE NEGRA DE WILSON MOREIRA E NEI LOPES de 1980, cá em Albuns Clássicos.

Negão bonito, criado no subúrbio old school de realengo, desde os 16 anos na atividade, fechando as cabrochas da Escola de Samba Água Branca, da Mocidade Independente de Padre Miguel de onde fora passista da Ala dos Boêmios, fundador da Ala de Compositores e diretor de classe e excelência, o caboclo não parou por ae não!!! Estudou musica entre 1968 e 1971, só com o maestro Guerra Peixe ta bão proceis?? Em 1967 grava seu primeiro compacto duplo onde emplaca sambas como LAMENTO DE PRETO VELHO, ATÉ BREVE, CANTANDO PRO MORRO e ACOSSANTE. Em 1969 participa da gravação de um dos maiores discos da história de nossa samba, o seminal PARTIDO EM 5 ao lado de Candeia, Velha, Casquinha e João da Pecadora.

Nei Lopes é Mestre!

Escritor, sambista, compositor, professor, fera do Salgueiro e de Vila Isabel, nascido e criado no Irajá, lutador da musica popular, Nei começa sua carreira em 1963 quando publica os poemas em Antologia Novos Poetas e publicando também na Revista Civilização Brasileira e no Jornal do Comércio. Tem seus primeiros sambas gravados em 1972 com ajuda da amiga Alcione e conhece o nosso Wilson em um desses Partidos Altos no quintal de Dona Vicentina na Portela. Ali começa a trocar ideias também com Candeia para marcar uma importante fase de transição dentro do Samba no Brasil. Seguinte;

Em 1972 junto com Wilson e Candeia, fundam o Grêmio Recreativo de Artes Negras E Escola De Samba Quilombo no subúrbio de Coelho Neto no Rio De Janeiro. Foi o grande manifesto desses compositores, o grande protesto dos Bambas em detrimento dos rumos que o samba vinha tomando nas Escolas de Samba. Algo que cada vez menos tinha povo, cada vez menos tinha arte e a cada vez mais virava um grande negócio, suntuoso e metido a besta que tirava do samba tudo que o fizera imortal. Ali Nei sofre grande transformação de tudo; Mergulha de cabeça na Religião Negra mais radical com o Candomblé de fundamento Baiano, aprofunda seus conhecimentos e seus estudos acerca da arte negra e dali escreve livros fodasticos!

"O samba na realidade", Editora Codecri, em 1981; "Islamismo e negritude" (co-autoria com João Batista Vargens, 1982); "Casos crioulos", contos, de 1987; "Bantos, malês e identidade negra", de 1988; "O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical" (Pallas Editora, RJ) de 1992; "Dicionário banto do Brasil", de 1996; "Incursões sobre a pele", poesias, de 1996; "171 - Lapa-Irajá. Casos e enredos do samba", contos, em 1999, Editora Folha Seca; e no ano 2000, lançou "Zé Kéti, o samba sem senhor" – São completamente imperdíveis! Seguiram nessa toada ambos convidados de hoje.
Tudo seguiu lindamente bem até que em 1979 as ideias clarearam e os amigos finalmente se juntam para preparar o discão de hoje...

A ARTE NEGRA DE WILSON MOREIRA E NEI LOPES apresenta um registro rico de ritmos e pesquisas de nossa cultura popular. Temo de tudo! Desde o calango mineiro, o jongo do espírito santo, o coco, os tambores de angola, as batidas de picadinho e tambor de criola, toques que se usam nas macumbas e festas de santo, simplesmente fantástico! A bolacha abre com um pout-pouri com os sambas SÓ QUEM CHORA AMA-GOIABADA CASCÃO-MEL E MAMÃO COM AÇUCAR e COISA DA ANTIGA. Dae cai pro calango de COITÉ CUIA e chega no verdadeiro hino da musica brasileira que é SENHORA LIBERDADE. Aborda tudo que há de mais rico na cultura negra, com sua poesia, suas festas, sua culinária, sua riqueza mais pura e plena.

Aqui vamos deixar para os senhores SENHORA LIBERDADE que é pra chorar de lindo mesmo! Segue nas capas ae o linkão pra baixar e no player ae embaixo já sabem:

Tasca o player e perigas ver...



Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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