Il capo Luciano Vicioni e a necessidade do Palmeiras voltar a ser grande; da una questione del oriundi

Por Marcelo Mendez

A primeira vez que vi Luciano Vicioni na redação do Jornal ABCD Maior pensei:

Esse homem saiu de um livro do Mario Puzo, de um filme do Abel Ferrara, de um restaurante de Little Italy em Nova York, ou melhor; De uma praça bucólica de Palermo, Calábria, Nápoles, ou Foggia. De onde concluo, portanto que nada é mais italiano que Luciano Vicioni, por mais que ele não queira tal alcunha. Don Vicioni é um típico Oriundi.

A bordo de seus indefectíveis e estilosos tênis old school, trajando sempre uma distinta camisa polo sem blusa (Porque frio é para Fracos!) com a classe de um Rosselini em Roma Citá Aperta, o fotógrafo do ABCD Maior, cuja lente lembra Jacob Riis, Luiz Tripoli e Pedro Martineli tem tudo da Bota. Desde o olhar cuja cor lembra o esverdeado mar de amalfi, até o peculiar humor do povo do sul de lá, cujo tempo não se perde com papagaiadas. Vicioni é um prático:

“Luciano precisamos tirar umas fotos para uma matéria de economia...”

“Pra que? Tem duas ae no banco de imagens, usa-se apenas uma... Tem até a mais! Não precisa sair pra isso não!”

Mas o melhor de Don Vicioni eu ouvi na sala de café da redação em um dia de frio onde torrávamos uns minutos. Por lá havia singela moçoila a falar a da vida, das coisas do mundo, das eleições municipais, da novela das oito. Então, da altura de sua condição de Oriundi do Sul, tal e qual um Gian-Maria Volonté em filme de Elio Petri, ou seja; Como “Homem Acima de Qualquer Suspeita”, Vicioni concentrou todo seu charme, respirou fundo e mandou:

“Mulher, depois que você parou de reter liquido você está um espetáculo!”

...

E pasmem; A dama adorou tal observação! Sim meus caros Leitores... O homem disse que a mulher voltou a ter la uma de suas vitais funções fisiológicas e a dama riu felicíssima! Mas claro... Não foi um homem qualquer que disse tal coisa.

Foi o Capo Del ABCD Maior Don Vicioni! Homem de tez forte, ar contrito e espírito decidido! E ae, tratando de nossas pequenas mazelas ludopédicas, quando lembramos de nosso futebol brazuca, remeto essa reflexão para o que há de mais Italiano no nosso Futebol que é o meu Palmeiras e, de como Don Vicioni seria necessário ao clube de Parque Antártica. Simples:

Falta ao Palmeiras a decisão del Capo Vicioni.

Isso ficou claro ontem ao ver o Palmeiras perder para o Atlético Goianiense por 2x1 em Goiânia. Pois é...

O Palmeiras, que há uns meses atrás conseguiu a façanha de ser campeão da Copa Do Brasil com um gol de Betinho é hoje um arremedo de time de futebol. Não tem nada que o credencia a algo diferente que as trevas da segunda divisão. Joga mal e porcamente com vários volantes toscos no meio campo, de onde um passe certo é mais raro que um sorriso de pobre em filme de Guiseppe Di Santis. Pior; Não há outras opções além
destes para melhorar nada. O time tem zagueiros limitados como Mauricio Ramos e Leandro Amaro, perde nas laterais por não ter reposição (Ontem o zagueiro paraguaio Romam teve que jogar por lá improvisado) e mais o caso Valdivia, um jogador que não consegue ter uma sequencia de jogos porque tudo acontece ao chileno; Sequestro,
chantagem, putaria, pingaiada e até contusão ora essa. No ataque salva-se o argentino Barcos e ae o resto é uma tragédia de fazer inveja a Cavaleira Rusticana...

Tem-se por lá um indeciso Mazinho. Se Mazinho saísse com Don Vicioni saberia mais da vida e das coisas. Entenderia diante do mais Italiano dos fotógrafos do ABCD que por vezes tem-se a necessidade de meter o pé na porta e ser direto e reto. Acompanhado de um bom vinho da toscana, de um fino queijo calabrês ao lado do Capo, saberia que não
da pra vir jogar em um clube do tamanho do Palmeiras, pensando com a mesma cabeça pequena dos tempos do Oeste de Itápolis. Don Vicioni que é homem de classe e postura faria, portanto com que o garoto se tornasse homem de fato e aprendesse a ter um pouco mais de personalidade.

Dessa forma, a bola chegaria melhor a Barcos. Assim, os laterais não precisariam fazer às vezes de atacantes, meias, e tudo mais além do que é a primeira de suas funções. Ontem o que se viu foi uma balburdia.

Um time perdido, meio medroso, que simplesmente se recusou a ter um ínfimo da condição de macho viril, do sujeito que toma frente das situações e define! Jogava contra um time extremamente meia boca e conseguiu perder por pura preguiça. O Palmeiras perdeu em Goiás, não por nenhum problema tático, técnico e afins.

Perdeu para o pobre Atlético porque se recusou a ser Palmeiras de fato.

Faltou aos verdes, Don Vicioni decidido caminhando até o quadro de avisos da redação. Quando o Capo anda para ver os pedidos de foto, a redação para!

“O que será que ele fará??” - Perguntam-se os atônitos repórteres. E só quando ele da a sua charmosa baforada com o canto direito da boca, seguido de duas balançadas de cabeça em sinal de recusa, ae sim o dia começa. Porque Don Vicioni se impõe!

Porque não se comporta como um qualquer, porque tem no andar a determinação dos grandes, o charme dos homens da Lombardia, a virilidade e força dos romanos e assim, naturalmente lidera os seus. Com dois olhares contritos fulminados por ele, Rodrigo Pinto faria a barba à pinça! E isso falta ao Palmeiras.

Falta a vontade de decidir. Falta o desejo de ser grande, de comandar de tomar frente de seu destino e de sua história. O Palmeiras não pode jogar de camisa verde limão e se comportar como um XV De Jaú da vida.

O Palmeiras precisa voltar a ser Palmeiras. Ae as coisas vão melhorar.

Como sugestão, recomendo a Luis Felipe Scolari que é outro bom oriundi que observe Luciano no ABCD Maior.

Porque Don Vicioni não perde tempo e não gosta de Balé...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
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