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| Canhoto da Paraiba, Dona Ceça, Othon Saleiro e Zé do Carmo, na casa de Jacob do Bandolim. |
Por Marcelo Mendez
Teve uma época aqui em Santo André, ali por 1998, 1999 que nosso maior rolê era, nos encontrarmos na banca do Tonho ali perto do terminal para depois irmos ao Shopping.
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Ae nesse primeiro parágrafo eu já tenho uns 15 amigos que ao lerem devem ter proferido todas as pragas e injúrias do inferno contra esse “Ato pequeno burguês, capitalista, que alimenta o domínio imperialista da senhoura casa do caralho da mãe da zona...” Calmaaaa meus bons! Celinho explica:
Na época rolava uma baita programação de shows gratuitos no shopping metrópole em São Bernardo. Eram shows semanais voltados para a musica brasileira e aquelas terças musicais eram fodasticas. Por la vimos Elza Soares, Época De Ouro, Toninho Horta, Nelson Aires, Natan Marques e em uma dessas, Altamiro Carrilho que se apresentou dizendo o seguinte:
“Boa noite. Agora nós vamos tocar aqui o ritmo musical mais rico do mundo que é o choro e seus 42 compassos. Jazz é fácil, aqui vamos de Jacob do Bandolim.”Claro que Seu Altamiro sabe que o Jazz é tão fodastico quanto, Mas aquilo era uma provocação feita ao público de garotos que ali estavam ávidos por sonzera e quebradeira. E funcionou! No outro dia corri no Tonho e por lá comprei o discão que hoje venho comentar aqui proces. Então, senhouras e senhoures, com vocês ISTO É NOSSO de 1968 do lendário Jacob Do Bandolim.
Nascido Jacob Pick Bittencourt no ano da graça de 1918 no Rio De Janeiro, o homi era então filho de de um capixaba e da mainha polonesa. Dae então o nome, o Jacob cuja ideia da mama era ser “Iacobi” mas tu acha... Tu acha que nas quebrada da Lapa onde nasceu o mancebo nos frenéticos anos 20 malandro carioca ka ia chamar o sujeito de “Iacob”?? Virou “Jacó” e com essa pronuncia o mestre começa a carreira que viria a torna-lo um dos maiores músicos do Brasil em todos os tempos.
Pivete, ainda na Lapa, Jacob ouvia um vizinho francês e cego tocar violino. Este acabou por ser, aos 12 anos de idade, seu primeiro instrumento. Por não se adaptar ao arco do violino, Jacob começou a tocá-lo usando grampos de cabelo. Pouco depois ele ganhou seu primeiro bandolim, um modelo de cuia, napolitano.
Aee sem ter um professor nem grana para isso, Jacob treinava repetindo os trechos de músicas que ouvia em casa e na rua. Com 13 anos ouviu seu primeiro choro, tocado no prédio em frente a sua casa. Era É do Que Há de Luiz Americano. A partir dae a coisa muda em sua vida.Rodeado de amigos e das rodas de choro que povoavam o subúrbio do rio nos anos 40, Jacob pensa então em montar um grupo da coisa e nasce o ÉPOCA DE OURO. Ali gravara verdadeiros hinos como Vibrações, Doce de Coco, Noites Cariocas, Assanhado e Receita de Samba. Apaixonado por uns caras como Almirante, Noel Rosa, Pixinguinha entre tantos outros, Jacob sempre teve temperamento forte, Fumava feito a porra! Cinco maços por dia! Não tinha paciência pra papagaiada, era profissional demais e sério demais. Além é claro, de ser um visionário.
Desde o começo, Sacou que era fundamental para sua carreira, fazer o registro de seu trabalho. Em uma época que musico nenhum se preocupava com isso, Jacob direciona seu trabalho para a Discografia. Encasquetou que tinha, porque tinha que gravar tudo! E assim o fez. São centenas de discos em todos os formatos possíveis. Tocou com todo mundo, revolucionou a musica brasileira a partir de um virtuosismo malandro, esperto, com um bandolim de cuia, cheio de recursos, fazia o diabo!
Jacob teve o momento alto de sua carreira nos anos 40 e 50 sim. Ta certo, o auge foi na era do Radio. Mas ae, quando todo mundo achava que ele tava paradão, largado, ele recebe o convite de Hermínio Belo De Carvalho para participar das gravações ao vivo no Teatro João Caetano, do discão Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e Época De Ouro. Ali o mestre arrebenta! Quebra com a porra toda ao lado do Zimbo Trio e sua apresentação em Chega de Saudade é um dos maiores momentos da História da Musica Brasileira em todos tempos e em todos os mundos! Isso se deu em 1967. No ano seguinte, Jacob entra em estúdio para fazer um apanhado de seus sons que há muito estava guardados. Seguinte:
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| Festa de aniversário de 33 anos de Hermínio Bello de Carvalho, na Churrascaria Tijucana. Da esquerda para a direita: o jornalista Arley Pereira, Jacob do Bandolim, Cartola (em pé), e Brício de Abreu. |
Para gravar a coisa, Jacob monta um time de sonhos... um espetáculo de banda. Participam das gravinas nomes como Dino 7 Cordas, Canhoto, Paulo Moura, Moacir Silva, Jessé Silva... Só monstro! Com eles, Jacob grava espetáculos como os choros ENTRE MIL... VOCÊ, CRISTAL, ALVORADA, ISTO É NOSSO, regrava ASSANHADO e quebra com tudo novamente. O disco Isto é Nosso passa a ser fundamental pra qualquer moleque que queira, que pense em estudar um instrumento. Marca uma época e infelizmente, foi o último da carreira de Jacob que viria a falecer em 1969.
Mai a gente mata a saudade aqui do mestre, deixando no player o HINO SUPREMO que é ASSANHADO e nas capa ae a preza da baixação. Ae embaixo ceis já sabe:

