Luiz Melodia não joga futebol ou eu quero ser Rodrigo Bruder...

Por Marcelo Mendez

Houve uma vez certa ocasião do ano da graça de 1976 em que o grande Luiz Melodia cantou em seu ótimo disco Maravilhas Contemporâneas, o seguinte verso:

“Se a gente falasse menos
Talvez compreendesse mais
Teatro, boate, cinema
Qualquer prazer não satisfaz
Palavra figura de espanto
Quanto na terra tento descansar”

Pode-se acrescentar a lista da música Congênita, que no meu causo atual, futebol também por vezes não satisfaz. Mas isso é em grande parte culpa do Cronista que vos redige essas linhas. Porque se eu também falasse menos como o amigo Rodrigo Bruder, talvez eu entendesse um tantinho mais.

Bruder...

O amigo jornalista, parceiro de redação é um sábio. Homem de fina estirpe, pouquíssimas e ricas palavras. Rodrigo Bruder tem a fleuma dos imortais. Olha para a tela do seu computador da mesma forma que Luigi Pirandelo olhava para as desventuras de seu personagem no romance O Falecido Matias Pascal. Pensa na vida como um Charlie Dickens pensava em sua taça de absinto, tem a calma e a paciência de um Dave Brubeck tentando acompanhar Paul Desmond em Take Five.

Bruder é um sábio afinal. Não sua uma gota ao ter que analisar os cafonas políticos do ABC e o faz com o prazer de quem le Mark Twain. Um dia eu o parei na redação:

“Bruder, faz 25 dias que não ouço tua voz”


“Marcelo, a gente tem que falar pouco, ouvir mais e ae, sofrer menos...”



“Bruder um dia vou ser como você!


E o amigo riu suavemente, caminhando para o quadro de avisos onde escreveu “Foto da Campanha do Buiú/Diadema” com a mesma classe que Gay Talese escreveu sobre a gripe de Frank Sinatra. Vendo tudo isso, concluí:

Eu quero ser então, Rodrigo Bruder.

Se eu fosse como o amigo ficaria quieto pra ouvir os sábios que diseram que o Futebol Brasileiro no segundo semestre, após elétricos primeiros seis meses, seriam de uma ressaca mordaz. De uma sonolência e letargia absurda! Tudo muito óbvio...

Corinthians e Vasco se enfrentaram em um modorrento 0x0 no domingo, em um jogo onde parecia ser proibido qualquer tipo de bom trato à bola. O meu Palmeiras seguiu certinho o roteiro do calvário sábado, perdendo em casa para um Inter que fez 1x0 quase sem querer. Só faltou ir pedir desculpas por tamanho abuso! O Santos, sem o menino Neymar apanhou feio (Como alias vem se acostumando...) do Náutico nos Aflitos por 3x0 e além do São Paulo que suou sangue para vencer o time meia boca do Sport por 1x0, nada mais vale a lauda.

Talvez o time do incompetente Mano Menezes que conseguiu a façanha de quase perder para Honduras pelo torneio olímpico de futebol, jogando 75 minutos com um jogador a mais! Venceu por 3x2 com expulsões entranhas, pênaltis mandrakes e tudo mais. Não da para levar a sério um time que pode ser campeão por falta de ter a quem enfrentar.

Aqui segue a barca...

O prolixo Cronista Ludopédico seguirá sua sina em busca da síntese, tomando por base a elegância do parceiro Rodrigo Bruder a quem dedico hoje minha deliciosa sopa de acelga. Até lá, que a qualidade do futebol nosso melhore.

Enquanto isso, Madeleine Stowe sorri de maneira imortal...

Marcelo Mendez é colaborador do Pastilhas Coloridas, filho da Dona Claudete, escritor e um dos responsáveis pelo cineblog Bandidos do Cine Xangai.
Share: