
Depois do linchamento eletrônico que idiotas “indignados” promoveram contra nordestinos e pobres no “Day After” da eleição da Dilma, nesse feriado as manchetes com outros casos de homofobia, intolerância e estupidez foram a cereja que faltava nesse bolo indigesto. É essa mesmo a verdadeira cara do Brasil? Esse é o país que nós fingimos não enxergar? Que porra é essa?
Em um dos casos, foram três os que vieram à tona nesse final de semana, até a manchete vinha com um tom discriminatório (no meu entender o termo pré-conceito é empregado de forma muito, mas muito equivocada). O apresentador de um telejornal, com uma cara daquelas de espanto que só eles sabem fazer, chamou a reportagem com a seguinte questão:
“O que teria levado jovens de classe média a agredirem outros jovens na manhã desse domingo na avenida Paulista em São Paulo?”.
Ué?! Se os agressores fossem jovens pobres o delito seria aceitável? Se fosse pobre agredindo pobre, acho que nem delito seria considerado, abririam a matéria com estatísticas sobre a violência nas grandes cidades. Essa imprensa que acoberta os “ditos” mais favorecidos merece mesmo ser levada a sério?
Não estou generalizando como fazem esses mesmos “meios” que citei, mas é sabido que o dinheiro abafa e cala a boca de muita gente nesse mundo. Que esse mesmo mundo é racista e discriminador sim, e que isso não é privilegio de país rico ou pobre. Que se você assistir ou ler uma mesma noticia em cinco meios diferentes, cada uma vem de um jeito.
Lembrei-me daquele documentário do Michael Moore (não vou muito com a cara dele, mas admito que ele acerta na veia em alguns assuntos), acho que é o “Tiros em Columbine”, onde ele afirma que a noticiário norte americano só mostra a violência praticada por negros e hispânicos. O “autentico americano” que prega a bandeira na porta de casa e “defende” a família armado até o osso, é praticamente um santo.
Aqui no Brasil, quando se colocou em pauta o uso de armas de fogo, o discurso era que o ladrão continuaria armado enquanto a “população” perderia o direito de se defender. Eu não conheço ninguém (e olha que eu conheço gente), que tenha porte de arma. E quer saber por que? Porque custa muito caro ter uma arma, não é pra qualquer um financeiramente falando, e essa “população” a que eles se referem, é a mesma que dá um tiro (com uma arma legalizada) na cabeça de outro numa discussão imbecil de trânsito, paga fiança e não aparece nos jornais.
Até onde vai essa “defesa” indiscriminada que os meios de comunicação fazem pelos interesses e pela “honra” da tão pura classe média?
A violência não tem privilegio só nas camadas “menos favorecidas” da sociedade como estão pixando nos nossos muros. Jovens de classe média mal educados, acostumados a anistia dada por pais mal educados ou covardes, são presas tão fáceis quanto jovens pobres, muitos sem família, para a violência.
Estamos vivendo uma era em que a exteriorização de preferências e pensamentos, muitas vezes imbecis, estampam páginas de relacionamento, vidros e latarias de automóveis, camisetas e as atitudes em si. Não falta muito para que um dia, você pare em um farol e leia no adesivo colocado no carro da frente: Eu odeio Gays, Pobres, Nordestinos, Negros, Brancos, Japoneses, Chineses, Novos Ricos, etc.