O Inexpugnável paradigma do canalha no futebol e a necessidade de um par de chuteiras para Jean-Paul Belmondo


Por Marcelo Mendez
Segue rolando a pelota no Campeonato Brasileiro. Já não sei mais se segue bem...

Tivemos bons jogos. Na colina, em São Januário, Vasco e São Paulo fizeram um bom jogo, cheio de alternâncias e gols bonitos. No final o 1x1 ficou a contento. Palmeiras e Santos não tem mais nada que fazer no Brasileirão. Todas as cameras estão voltadas para o Corinthians que disputa ponto a ponto com Fluminense o caneco desse ano. Ou melhor, seria “penalti a penalti”. Pois é...

Caro leitor que me lê aqui sabe o que penso com relação a necessidade do texto esportivo ser lúdico, poético, épico, dantesco. Porque diante de uma partida de futebol, eu já disse aqui que, Shakespeare seria uma reles novela das oito; a tal de Ilíada de Homero, uma chanchada de 5ª. Dante, não é nada mediante a um pênalti aos 45 minutos do segundo tempo. Falaremos dele (o pênalti) e do arbitro que marcou a dita irregularidade no sábado, no jogo Corinthians x Cruzeiro no Pacaembu.

E por que a marcação? Bem...

Digo-vos, que para o bem da crônica (E aqui não há a tal da imparcialidade britânica e brocha. Aqui sou parcial, latino, emotivo e impulsivamente apaixonado!), eu deveria dizer que o senhor juiz é um safado, desalmado, inescrupuloso e sem mãe! Afinal de contas amigo leitor, o canalha é um lúdico. Trata-se de um tipo de rara magnificência, grandeza, e teor lírico que o caracterizam a começar pela raridade em encontrá-lo. Pois onde quer que se ande, todo mundo há de afirmar e bater no peito estufado para dizer: “Sou homem honesto”, ou senão: “Sou uma mulher honestíssima”, e ninguém aparece com pureza suficiente para dizer: “Sou um canalha!”.

O problema é que o arbitro que apitou o jogo sábado último no Pacaembu não é Canalha. Não, caro leitor...

Não há nessa figura triste desse árbitro do ultimo sábado, nada, absolutamente nada que nos remeta ao ludismo desse canalha que vos descrevo. Não há nele o encanto do “juiz ladrão” uma figura tão rica do nosso futebol, do sujeito que munido de uma paixão incontrolável, apitava com a camisa de seu clube do coração por baixo da farda preta reluzente. Não.

O árbitro de sábado era um honesto!

Um homem que entrou em campo, preocupado com a perfeição, com a lógica, com todos os preceitos que sabemos que é impossível de se alcançar quando há um esporte que envolve paixões tresloucadas como o futebol. Não amigo leitor, ele não é um safado, um ladrão, um desalmado que “roubou” o Cruzeiro. Para a crônica é pior:

Ele é um péssimo árbitro!

Como já disse: Um juiz safado é lúdico e até charmoso. Um péssimo aŕbitro tem aos cagalhões por aí. Não foi pênalti.

Na bola alçada à área por Jorge Henrique, Ronaldo, que é um dos maiores atacantes da história do futebol mundial, diferenciado e inteligente que só, sentiu o contato do zagueiro nas suas costas e desabou. Deixou-se cair e apostou na incongruência do homem do apito. Então, Sandro Meira Ricci viu desabar feito uma abóbora na área, um homem que marcou 15 gols em 4 copas do mundo, que deu milhares de voltas por cima em sua linda trajetória de vida, que já tem o status dos semideuses da bola. Não teve dúvida: PÊNALTI!

Esse zagueiro Gil, não pode encostar no Ronaldo! (Sempre lembrando que é futebol. Se não queremos contato físico, vejamos então o tênis ou o vôlei...) Oras, nem Vicente Matheus, na sua maior fúria apaixonada pelo Corinthians daria esse pênalti! Assim como no Rio, nem Fernanda Montenegro, muito menos os olhos azuis de Chico Buarque viram o pênalti que Simom assinalou no Engenhão! E voltando ao Pacaembu, não foi só pelo lance capital que a arbitragem foi um escândalo de incompetência.

Uma série de impedimentos pífios, uma dividida entre Thiago Ribeiro e Julio César que, segundo os critérios do pênalti marcado, deveria ser assim assinalado também e outras coisas que nos deixam enojados e irritados de assistir esse negócio que amamos de nome futebol.

Mediante a tudo isso, não adianta muito eu vir aqui comentar o jogo. Dizer que o Cruzeiro armou bem seu time, ganhou o meio campo, com Fabrício e Henrique jogando muito bola e engolindo Jucilei e Elias, conquistando assim as melhores ações do jogo, criando oportunidades para definir a partida já no primeiro tempo... E daí?

Agora temos um pênalti. Eu até discutiria mais a respeito se, como eu disse, o Arbitro tivesse errado por encanto, por lirismo e por paixão! Afinal de contas, por paixão caro leitor, não se deve condenar ninguém. Mas a questão é de “competência” E questões como essa não gasta nossas laudas.

Que os templários então comentem...
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